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Com Windows 8, Microsoft dá sentença de morte a PC, tablet e tela convencional

A Microsoft apresentou mundialmente na última quinta-feira (26/10) o seu aguardado Windows 8. O Brasil foi um dos 140 países que recebeu um evento local para a apresentação do produto, que promete mudar completamente o paradigma de interação do ser humano com o computador. Aliás, pelo que se comentou pelos próprios dirigentes da companhia durante o evento, realizado em São Paulo, capital, o termo “computador”, ou até mesmo tablet, perde seu apelo. Está decretada, oficialmente, a era pós-PC para o mercado e a era pós-software para a Microsoft, onde o conceito de híbrido e a tela de toque tomam seu lugar de respeito na feitura do hardware e o usuário é o centro da criação dos programas.

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A promessa do novo momento da fabricante foi exacerbada pelo próprio presidente da companhia no Brasil, Michel Levy. “Com o Windows 8, a Microsoft muda, oficialmente, de uma empresa de software para uma empresa de serviços”, prometeu. Quem vive a multinacional e seu difundido sistema operacional sabe que o discurso mudou completamente.

O conceito de usuário no centro de tudo, impulsionado pelo movimento de consumerização e das lojas de aplicativos oferecendo toda sorte de entretenimento e resolução de problemas cotidianos, fizeram com que a companhia tivesse de reinventar a forma com a qual trabalha, sem perder o apelo conquistado pelo seu Windows em suas décadas de história. É por isso que seu Windows 8 tem duas versões: a móvel, com a Modern UI (ou interface Metro, como ficou conhecida até mudar de nome) e a desktop, que é uma transição ao ambiente hoje utilizado pelo consumidor.

Seja bem-vindo, toque

“O Windows 8 foi desenhado para uma interface de toque do futuro, sem sombra de dúvida, mas funciona muito bem ainda com teclado e mouse”, prometeu  Pryscila Alves, gerente de Windows no Brasil, durante coletiva de imprensa. “As pessoas veem que estamos focando em uma plataforma móvel em vez de, historicamente, ficarmos em PCs”, comentou Chris Capossela, CMO da Microsoft.

“Estamos tentando continuar construindo o que fizemos bem para desktop, e expandir isso para móveis. Foi o mesmo que fizemos quando fomos para servidores há alguns anos”, pontuou Capossela. O tablet trouxe ao ser humano a intuitividade como centro da interação com o dispositivo. As gerações mais recentes, por exemplo, interagem de forma instintiva com telas sensíveis e consideram o mouse algo difícil de manejar. “O mundo vai mudar para ultrabooks, desktops e laptops com tela de toque. alguns países mais rapidamente, outros mais devagar. Não sei quanto tempo vai levar, mas isso vai acontecer”, ponderou Capossela.

“Esta interface foi amplamente testada, e a conclusão foi que é muito intuitiva e facilmente assimilável. Ela agrega o melhor dos mundos: área de trabalho tradicional e os blocos. Vemos com evolução e os clientes vão querer aprender essa nova interface. Obviamente tem tempo de maturação, mas vai ser um processo rápido”, avaliou Pryscila.

Três anos depois, tablet tem fortes concorrentes

A morte do conceito tablet pode causar espanto a um primeiro momento, mas esta tendência deve ser analisada sem envolvimento emocional. Um problema típico de quem carrega o dispositivo é a produção de conteúdo nele de forma satisfatória. O ambiente todo não foi criado para isso, mas sim para o consumo de informações. Isso todo mundo já sabe, e aparentemente lida bem com o combinado de limitações e facilidades que esse universo traz. Mas e agora, e que vemos híbridos de tablet e PC pululando por aí?

Sabendo que ainda existe um espaço para quem quer somente um tablet, a Microsoft lançou a linha Surface. Mas um ponto importantíssimo a ser levado em consideração é que a fabricante apresentou dois modelos para isso: o Surface RT –  produzido em cima do Windows RT, este criado para um ambiente de processadores ARM – e o Surface Pro, criado em um ambiente de chip x86. Pelo seu chip ser direcionado ao ambiente móvel, o Surface RT tem menor consumo de bateria pela sua capacidade menor de processamento. O ponto negativo é que drives e aplicações criadas para um ambiente desktop simplesmente são incompatíveis com sua arquitetura de processador. Para usuários mais parrudos, há a opção do Surface Pro, que tem a já citada base em x86 e permite uma arquitetura mais parruda.

“Sabemos que o Surface RT terá um apelo bem menor do que o Pro”, assumiu Capossela, quando questionado, em coletiva de imprensa,  sobre a incompatibilidade das aplicações entre as diferentes arquiteturas ser um problema estratégico para a companhia. “Nossa intenção não é criar um ambiente de integração das duas plataformas, mas entregar um produto para cada perfil de usuário”, comentou. Simplesmente há pessoas que não precisam de um Surface Pro por enquanto, e querem pagar um preço menor pela mobilidade. E tudo bem quanto a isso. Mas até quando vai durar? É uma questão importante a se fazer.

Em entrevista ao All Things Digital, Tim Cook, CEO da Apple, ponderou que o seu iPad não está em risco. “Você poderia desenhar um carro que voe e boie, mas não faria nenhuma dessas duas coisas muito bem. As pessoas vão olhar para o iPad e para ofertas da competição, e eu acho que eles irão considerar o iPar como a melhor escolha”, disse. Claramente o processo “tudo em um” já tomou seu curso.

PC, pra que te quero?

Da mesma forma que neste novo ritmo um tablet somente tablet, de que vale um PC somente por um PC? Com a evolução das especificações, especialmente quando temos o conceito do ultrabook (ultracapacidade em design completamente móvel e sofisticado), fica difícil imagina que a oferta de computador convencional, com tela simples e pouca mobilidade, seja sustentável ao longo dos anos.

Isso a indústria já percebeu, e com o principal sistema utilizado do mundo tendo mostrado toda sua flexibilidade, saindo da geração quadrada, porém funcional, que seguiu até o Windows 7 ao atingir o modelo móvel e adaptável Windows 8, o mercado não está mais amarrado.

Obviamente que há espaço ainda para PCs convencionais, em especial em mercados menos maduros, mas, outro reforço: aqui se fala sobre tendência. E a tendência é a perda de apelo dos produtos mais simples, já que capacidade, com a evolução da tecnologia, não é mais um impeditivo.

Migração

De qualquer forma, o processo não ocorrerá de um dia para o outro. Em entrevista concedida recentemente ao IT Web, o Gartner informou que não deve haver uma adoção massiva do Windows 8 nos primeiros momentos de disponibilidade, porque o mercado já havia pulado a geração do Vista para o Windows 7. “Não é prático pular dois sistemas operacionais”, disse Steve Kleynhans, analista do Gartner.

Saiba mais:

No Brasil, Microsoft descarta criação de smartphone para seguir linha Surface

Com Windows 8, Microsoft promete revolução em hardware e web

Microsoft apresenta “cara” do Windows 8; relembre a trajetória

 

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Editorial IT Forum 365
14 anos ago

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