Porque você devia se orgulhar de usar a IA no trabalho

Ouço de diversas fontes que alguns profissionais se sentem desconfortáveis ao admitir usarem a tecnologia mais comentada do momento

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Imagem: Shutterstock
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A IA não é mais uma tendência e não está em um futuro distante. Ela está presente em nosso dia a dia e é um caminho que temos de seguir, sem volta, sobretudo no ambiente corporativo. Ainda assim, ouço de diversas fontes que alguns profissionais se sentem desconfortáveis ao admitir usarem a tecnologia mais comentada do momento. Por quê? Existem mitos e mal-entendidos sobre o assunto. Como tudo que é novo, nos traz resistências, mas a dica crucial é estarmos atentos tanto às vantagens quanto os desafios da IA principalmente no âmbito do trabalho.

Chega a ser contraditório porque há dados comprovando que a adoção tem aumentado. Um estudo da Melbourne Business School, realizado recentemente com 32 mil profissionais em 47 países, mostra que 58% deles usam IA no trabalho.

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Mas um estudo da empresa Slack traz outra curiosidade: 48% dos funcionários sentem vergonha em admitir que usam a IA por associarem essa atitude à trapaça ou, até mesmo, preguiça de cumprir suas tarefas.

Fica claro que é uma questão cultural em nível global. Quando se tem um recurso que aumenta a produtividade, não significa que você não esteja trabalhando ou se esforçando menos. Significa que se libertará de ações repetitivas que, inclusive com a IA generativa, ajuda a aumentar a produtividade, possibilidades de crescimento de novos negócios e ter retorno no investimento.

Leia mais: De +IA a IA+: como capturar trilhões de dólares em produtividade com inteligência artificial

Na própria IBM temos um caso de uso que exemplifica isso. Nossa IA, watsonx, possui capacidades que vão muito além de tirar dúvidas. Funcionários, gestores e time de RH podem realizar ações e acessar informações de forma fácil e rápida. Com isso, os líderes desta área ganham tempo para funções mais estratégicas, como coaching e mentoria, já que a ferramenta trouxe 75% de melhora na produtividade. E em termos de impacto nos resultados da empresa: tivemos 40% de redução no orçamento operacional de RH, além de 100% de adesão por gerentes e mais de 11 milhões de interações, anualmente.

É evidente que os benefícios da IA deveriam ser motivo de orgulho, não vergonha. Até porque, como escutei em recente conversa: “precisa de inteligência para usar a inteligência artificial”. Ouvi isso de uma escritora de livros corporativos que lança mão da tecnologia para suas produções. É necessário ter conhecimento e habilidades ao criar o prompt para gerar o texto ou imagem que precisa e um olhar crítico para checar as informações com precisão. Claro, com o tempo e a calibragem de dados, essa última função se tornará ainda mais fácil. E mesmo assim, para usar a IA, ela teve que aprender e muito. O que, aliás, já nos tira da nossa zona de conforto em um mundo que já era conectado e movido a tecnologia antes da IA virar prática cotidiana. Por isso, reafirmo que usar a IA deve ser motivo de orgulho: profissionais tiveram que se capacitar antes de usar.

Mitos existem ao redor do tema e um deles é que a IA vai substituir o ser humano. Por essência, a IA não pode tirar a habilidade humana, como empatia, criatividade e pensamento crítico. Ela complementa nos levando a dar mais atenção aos aspectos mais complexos.

Incorporar a tecnologia no ambiente de trabalho não é somente o único fator para a transformação, mas sim uma nova mentalidade conectada com a cultural da organização. Mais benefícios surgem a partir da qualificação, treinamento e aprendizado contínuo. E, certamente, a preocupação com a vergonha de usar IA se torna irrelevante e passa a ter destaque o uso da maneira mais responsável e ética. Com isso, seu papel como profissional ganha ainda mais valor.

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Sobre o Autor

Joaquim Campos é vice-presidente de Software da IBM para a América Latina. Com quase três décadas de experiência no setor de Tecnologia da Informação, “Joca” ocupou diversos cargos de vendas, marketing e liderança na IBM. Sua carreira foi impulsionada não apenas por sua contribuição para resultados comerciais excepcionais, mas também por seu compromisso com a gestão de pessoas e a diversidade e inclusão da força de trabalho, atuando como líder ativo em atividades de engajamento e integração. Em sua função atual, Joca é responsável por liderar a organização de Software da IBM na América Latina, orientando a estratégia comercial da IBM para ajudar a maioria dos clientes da empresa a crescer impulsionados pela nuvem híbrida, cibersegurança e IA.

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