Em um cenário de IA, a liderança exige mais que dados: exige presença. De Trancoso, reflito como a Teoria U e a escuta generativa moldam o futuro
Por Renata Marques
Neste ano, minha experiência no IT Forum teve um sabor diferente. Ao atravessar os jardins do Club Med em Trancoso, eu não carregava a pressa das agendas de negócio de uma CIO. Estava lá como convidada de um painel, uma posição que me destituiu da “armadura funcional” e me devolveu algo precioso: o lugar da observadora.
Longe do modo de combate das decisões de parcerias e infraestrutura, pude notar nuances que a correria do KPI costuma atropelar. E foi nesse estado de abertura que as reflexões de Otto Scharmer sobre a Teoria U ressoaram não como teoria acadêmica, mas como um diagnóstico urgente da nossa liderança.
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Scharmer nos confronta com uma premissa poderosa: o sucesso de uma intervenção depende da condição interna de quem intervém. Em termos executivos: a eficácia da sua estratégia de IA ou da sua transformação cultural não depende apenas das ferramentas, mas do lugar interno de onde você opera.
Ao observar meus pares entre um debate e outro, notei como a “Era Agêntica” tem nos deixado ansiosos. Se a IA agora processa e executa com precisão sobre-humana, o que resta ao executivo? Resta-nos a qualidade da nossa presença.
O coração da Teoria U reside nos quatro níveis de escuta. Convido você a fazer uma autópsia honesta da sua postura nas reuniões desta semana:
A tecnologia agêntica não veio para nos substituir, mas para nos “empurrar” para cima na escala de Scharmer. Se os agentes de IA cuidarem da escuta factual e da automação do óbvio, eles nos devolvem o que temos de mais escasso: tempo para a escuta generativa.
Minha jornada pessoal, marcada pela pergunta “Quem disse que não é para mim?”, ganha aqui um novo capítulo. Esse “lugar” que reivindicamos não é apenas uma cadeira no board; é o espaço interno de quem tem a coragem de silenciar o ruído das notificações para ouvir o que está tentando nascer na organização.
A jornada do “U” é uma escolha diária entre a arrogância do saber acumulado e a humildade da descoberta. Para liderar o sistema complexo do lado de fora, você terá que dominar o sistema ainda mais complexo que habita aí dentro.
Ao fechar este artigo e retornar para sua próxima decisão estratégica, questione-se: sua escuta está servindo para proteger o seu passado ou para dar à luz o seu futuro?
Se você ainda duvida que essa liderança consciente, humana e sensível é para você, eu respondo com a convicção de quem aprendeu a ouvir o silêncio de Trancoso antes de ouvir o mercado: é para você, sim.
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