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Nova fábrica controlada por WiFi produz motor inédito no Brasil
Foi inaugurada oficialmente a nova fábrica de motores criada em Camaçari para
produzir o novo e moderno motor de 3 cilindros 1.0 litro que viria a ocupar o
novo KA. Características importantes do projeto do motor foram apresentadas,
bem como os processos de produção, validação e testes de qualidade.
Com esta estratégia de revelar aos poucos o futuro carro a Ford amenizou
ansiedades, é verdade, mas correu um risco de ao lançar o carro não haver mais
o fator surpresa. Mas no meu caso aconteceu algo diferente. Conhecendo os “pedaços”
apresentados o nível de expectativa pelo produto final foi aumentando. Raras
vezes ao ver um novo carro você tem os olhos tão aguçados para olhar muitos
detalhes e ver como tudo isso se integrou no produto final. Ao ser convidado
para fazer este test-drive tive isso em mente. Quis conferir cada novidade
antecipadamente divulgada e ver como ficou “o todo”, o produto final.
É isso que vou mostrar a partir de
agora. Sempre na minha visão própria de profissional de tecnologia da informação
que tem grande paixão por carros, mas antes de tudo com uma visão de consumidor
final do produto automóvel, sem grandes tecnicismos e jargões da indústria automobilística.
Além disso, oferecem opcionais exclusivos no segmento, como
controle eletrônico de estabilidade e tração (AdvanceTrac), assistente de
partida em rampas (HLA) e sistema de conectividade SYNC Media System com
comando de voz e dois recursos pioneiros no Brasil: a Assistência de Emergência
e o sistema AppLink para acesso a aplicativos do celular
Conhecendo de verdade o novo KA 1.0 – o
test drive
Coube a mim um KA hatch com motorização 1.0 modelo SEL (topo de linha). Não por
acaso porque era exatamente o que eu queria testar.
Dividi o carro com Renato Rossi experiente jornalista da mídia automotiva do Rio Grande do Sul, dono de
sensibilidade apurada e grande conhecimento técnico. Trocamos muitas
informações durante o teste, cada um com sua perspectiva. Foi muito rico.
O trecho definido era de cerca de 100 Km dividido em três etapas. Havia
estrada, cidade, rua de paralelepípedo, lombadas (cidade e estrada), buraco,
estrada de terra e até local com “crateras” na pista (choveu um bocado por aqui
estes dias).
Acrescentando mais “cor em minha tela”, nas várias lombadas que tivemos que
suplantar eu jamais precisei usar a primeira marcha, mesmo que praticamente
parasse o carro nos obstáculos. Isso é para mim muito importante, pois é fator
de conforto na condução nas ruas das cidades (não ter que trocar marchas à
toa). Fruto de uma boa porção de torque (mas não todo ele) em rotações baixas
do motor. Novidade também é o sistema para auxílio de partida em rampas
(opcional) que segura o carro por até 3 segundos ajudando na manobra de iniciar
a condução em aclives, presente em outros produtos da Ford.
A direção elétrica é de grande precisão e conforto. Meu carro atual tem o mesmo
equipamento, mas trata-se de um carro um ou dois segmentos acima do novo KA
(Honda Fit). O que percebi foi o equilíbrio entre maciez, leveza e precisão.
Direção “manteiga” deixa o carro inseguro em velocidades altas. A calibragem
desta direção está no ponto certo. Precisa e leve ao mesmo tempo.
O interior do novo KA é refinado. Tem o painel bastante integrado ao design de
toda a parte interna e tem boa ergonomia. Os materiais são bem cuidados. É bonito
o plástico fresado usado nas laterais e na parte superior da console, mas um
tanto simples. Entendo que processos de produção dever ser otimizados e isso
leve a algumas simplificações. Por outro lado desde a versão básica o novo KA tem
recurso de comunicação com Blutooth para sincronização com smartphone (não é
opcional). Já o sistema SYNC pode estar presente (opcional) e como outros
carros da Ford há uma multiplicidade de funções, incluindo comando por voz.
Há porta objetos em muitas localidades e de muitas utilidades. Por exemplo logo
abaixo dos comandos do ar condicionado há uma bandeja plástica para colocar
carteira, telefone, etc. feita de um plástico emborrachado que impede que o que
for guardado ali escorregue. No console central há diversos nichos para
garrafas, latas ou copos. Isso só para falar de alguns, são mais de 20 porta objetos
espalhados pelo interior.
Durante o trecho que eu dirigi o novo KA, estrada mais cidade ele obteve o
consumo médio de 11,4 Km/l usando etanol, um índice muito interessante e que condiz
com os números previamente divulgados pela Ford. O modo ECO também é ativado em
uma das páginas do computador de bordo auxiliando o motorista realizar sua
condução da forma mais econômica possível.
Ainda me coube um novo trecho, parte da estrada de acesso ao hotel, uma estrada
de terra de cerca de 10 Km (que pode ser vista na foto abaixo). Sempre dirijo
com grande cautela, ainda mais quando o carro não é meu. Como este trecho da
estrada estava praticamente deserta tive a ideia de testar o ABS do carro. ABS
são todos iguais, certo? Não tenho certeza disso. E por se tratar de um carro
de entrada, tinha que comprovar sua eficiência. Em trecho reto, com boa
visibilidade, mas cujo solo era composto de terra ou areia, andando a cerca de 45
Km/h eu pressionei de uma só vez o pedal do freio, simulando uma freada de
emergência, como se um garotinho de 9 anos de idade tivesse cruzado a estrada
atrás de uma bola (cena essa aliás extremamente comum). Apesar do solo ser
heterogêneo pude ouvir um barulho parecido com “bombadas” (atuação nas rodas
controlando a frenagem) e o KA parou em linha reta sem se desviar um único
centímetro da trajetória. ABS foi mais do que aprovado. Repeti o processo mais
um ou duas vezes, com o mesmo resultado. O carro pode ser de entrada, mas o ABS
é eficiente com todos devem ser. Precisava conferir.
Ainda em velocidade baixa eu provoquei o carro com um pouco mais de volúpia. Areia
não perdoa e o carro perdeu a traseira. Por conta de velocidade tudo pareceu
ter acontecido em câmera lenta, mas de fato a traseira do KA quis me
ultrapassar por um instante. Eu aprendi a dirigir nestas condições (veja no texto Força
emoção e tecnologia – test-drive do Troller T4) e por isso rapidamente eu contra
estercei e o carro obedeceu de forma absoluta meu comando e a “perda de
controle” durou menos que um segundo. Também tive a mesma sensação da primeira
manobra. Eu atuei na direção visando corrigir a trajetória, mas o KA fez sua
parte e também colaborou para ajudar a colocar o carro na rumo de forma mais
precisa e rápida. ADOREI. Não repeti mais. Eu pudera testar o controle de
estabilidade de forma segura e comprovar que é mais uma importante ferramenta
de apoio à segurança que está presente nesta versão do novo KA.
Uma importante observação. Uma tecnologia como o ABS, que hoje é obrigatório e até
prosaica, foi criada para ser usada com aviões na década de 50, mas totalmente
hidráulica e mecânica. Somente com a o desenvolvimento da microeletrônica e
sistemas informatizados, atuadores mecânicos e sensores que foi possível termos
com baixo custo e baixo peso as soluções atuais. O mesmo pode ser dito do
controle de estabilidade também presente no novo KA. Ambos são sistemas que se
baseiam em sensores nas rodas e que no caso do ABS não permite que haja
travamento por meio de alívio e pressão controlados no sistema de freio. Se não
trava o carro não derrapa, não sai da trajetória e para mais rápido. Se prestar
atenção dá até para ouvir o sistema funcionando!
O novo KA veio ocupar um espaço novo no mercado. É um carro de entrada “premium”.
Tem tecnologias sofisticadas e até inovadoras (como o “Assistência de
Emergência”). Seu motor 3 cilindros de destacada eficiência, tanto em
desempenho como consumo o coloca em um patamar de dirigibilidade acima, criando
um novo degrau, um novo paradigma. Verdade seja dita, os concorrentes VW UP e
Hyundai HB 20 que também têm motores de 3 cilindros 1.0 litro também são muito
avançados e trazem boa experiência ao dirigir. Mas a Ford se colocou a frente
com a solução mais econômica e mais potente. Claro que este motor não vai levar
o novo KA ser o campeão em provas de arrancada no autódromo de Interlagos, mas
define um modelo a ser perseguido pelos outros concorrentes. Ainda é necessário
reduzir 4ª ou 3ª marcha em subidas mais íngremes na estrada… Mas só dirigindo
mesmo que se percebe o salto de qualidade desta motorização
A interior é requintado. Lembrou-me um tanto Focus ou mesmo o New
Fiesta que testei no passado. Atualmente todos os fabricantes têm se
preocupado com a boa qualidade e aparência do interior dos seus carros de menor
faixa de preço. Os 21 porta objetos e nichos existentes é outro ponto de
destaque. Eu apenas não me entusiasmei muito com o material usado nas partes
contínuas do interior, um plástico fresado, mas gosto é subjetivo. A minha
preferência teria sido por algo mais emborrachado e mais macio. O espaço
interno, injustiçadamente não destacado por mim no corpo deste texto é fator de
grande destaque. Com alguém com minha própria estatura (pouco menos de 1.80m)
sentado ao volante, cabeça ainda bem longe do teto, o espaço para os passageiros
do banco de trás é bastante generoso e até surpreendente.