O surgimento da IA promete revolucionar tanto quanto a internet e este fato é muito importante para os CIOs
Eu vi a Internet praticamente nascer.
Eu confesso que era estranho e não saquei tudo, no tempo que eu tive. Mesmo vivendo o mundo de tecnologia eu demorei para perceber que o importante não era “a coisa”, mas as implicações e impactos da coisa.
A sensação agora, é que estou vivendo aquele momento Internet novamente com a IA.
Eu lembro que naquela era da Internet eu vi surgir o Netscape. Hoje, na era da IA, eu vi nascer o ChatGPT.
Ambos são ferramentas utilitárias para explorar um mundo de possibilidades, afinal demora para entendermos o que fazer com uma “tecnologia de propósito geral”, como arrisco classificar tanto a Internet como a IA.
O mais intrigante sobre estas tecnologias é que não devemos nos perguntar “o que dá para fazer” com elas, mas “o que será que não dá para fazer com elas”. É como se elas estivessem sussurrando de forma provocativa: “Qual o seu problema?”. E é neste ponto que que a maioria dos executivos ficam travados.
O Netscape, lançado em 1994 , inventou o botão “voltar” e chegou atingir 90% de Market Share. Ele deu identidade e criou uma experiência completamente nova para a Internet. No dia do IPO as ações subiram 168% e o valuation bateu $2,9 bilhões, mas depois foi vencido pelos concorrentes.
Da mesma forma (mas muito diferente) o ChatGPT, lançado no final de 2022, alcançou 100 milhões de usuários em apenas dois meses e os usuários semanais (WAU: Weekly Active Users) devem ultrapassar de 1 bilhão em 2026. O ChatGPT inaugurou uma nova era da IA criando uma categoria de software completamente nova. As consequências ainda são incertas, mas é possível perceber uma silenciosa mudança comportamental e cultural na sociedade.
Se o Netscape nos perguntava para onde queríamos ir, o ChatGPT parece que nos pergunta simplesmente o que queremos.
Gostemos ou não, já aconteceu.
Eu lembro que naquela era da internet eu tive que entender o que era TCP/IP. Hoje, na era da IA, eu preciso compreender o que é MCP (Anthropic), mas também ACP (OpenAI) e UCP (Google). Os novos protocolos.
Um dos principais motivos pelo qual a Internet cresceu tanto é porque conseguiram aceitar um protocolo padrão, uma linguagem em comum, livre e aberta. O TCP/IP é bom candidato para representar isto. São os protocolos que permitem conectar quem não se conhece, viabilizar trocas e operacionalizar redes com baixa centralidade. E é por isto que o(s) blockchain(s) irá(irão) acontecer.
Se o mundo aceitar (acordar e adotar) protocolos para a IA como o MCP (Model Context Protocol) o “network effect” vai acontecer. Foi Robert Metcalfe, (fundador da 3Com para quem tem mais de 50) quem definiu a Lei de Metcalfe: “O custo de uma rede cresce linearmente com o número de usuários (n), mas o valor desta rede cresce proporcionalmente ao quadrado do número de usuários nesta rede (n^2)”. Fazendo o teste… se temos 10 nodos e aumentamos 1, o custo aumenta 10%, mas o valor da rede vale 11×11=121, ou seja, cresce 21%. Este efeito rede, no mundo startupeiro, dizemos que é quando o hipopótamo abre a boca. O que significa dizer que “escalou”, ou que o benefício aumenta desproporcionalmente ao custo.
Este é apenas um dos aspectos que me levam a crer que o trem da IA nem chegou ainda.
Gostemos ou não, já está acontecendo.
Eu lembro que naquela era da Internet o que se seguiu foi um “modelo de negócios” chamado E-Commerce. Hoje pode ser que seja o Agentic Commerce.
A Amazon é uma empresa icônica sobre diversos aspectos. Apenas pela régua do crescimento é impressionante. Em 1997, como Book Store, chegou a $148 milhões. Em 2001, como Everything Store, chegou a $3,1 bilhões. Em 2021, como Anything Tech, chegou a $470 bilhões. E em 2025, se tornou a maior empresa em faturamento do mundo alcançando $713 bilhões.
Agora estamos diante desta nova convergência, apelidada de Comércio Agêntico, que parece estar mexendo na fundação dos processos comerciais. Isto não é para falar apenas de varejo (vender para quem consome), mas de comércio (comprar e vender), ou seja, todos os negócios.
As transformações acontecem bem devagar, mas um dia parece que tudo muda (aka, internet, browser, tcp/ip, llm, agentic…). Existe a real possibilidade que as nossas disciplinas de pré-vendas (marketing), vendas (do checkout ao “contratão”) e pós-vendas serão forçados a se reinventarem.
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Quando o CEO do Google, em janeiro de 2026, subiu no palco da NRF – e eu estava lá olhando atentamente – e falou que estávamos entrando na era do Agentic Commerce, eu tive a sensação de “eles estão pivotando”. A minha sensação é que o Google estava avisando que além de “vender leads” iria quer ser parceiro nas transações comerciais.
Gostemos ou não, irá acontecer.
Então, vou tentar encaixar minha reflexão final:
IF INTERNET = [Netscape, TCP/IP e E-commerce]
AND IA = [ChatGPT, MCP, Agentic Commerce]
THEN (?) O que é realmente diferente?
Minha opinião:
Os CIOs de sucesso da era da IA não serão aqueles que vão ficar apenas falando da “coisa”.
Os CIOS de sucesso da era da IA serão aqueles que vão conseguir provocar e orientar os seus conselhos e seus pares para que estes compreendam que o importante são as implicações e os impactos da coisa.
O resto é conversa de TCP/IP.
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