Inadimplência desponta como desafio importante em meio a conflito no Oriente médio e incertezas do ano eleitoral

Atualmente quase 83 milhões de pessoas estão inadimplentes, maior volume em toda a série histórica, após 15 meses consecutivos de alta

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Crédito: Daniel Dan/Pexels
Crédito: Daniel Dan/Pexels

Por Claudia Amira, diretora-executiva da ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital)

Têm sido frequentes as reportagens sobre o aumento da inadimplência entre os brasileiros. E nem mesmo o início do ciclo de cortes na taxa básica de juros parece ter tido, ao menos por enquanto, qualquer efeito no bolso da população. 

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Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) revelaram que o percentual de famílias com dívidas a vencer atingia 80,4% em março, enquanto 29,6% apresentavam contas em atraso. Números recentes da Serasa ajudam a mensurar o desafio: atualmente quase 83 milhões de pessoas estão inadimplentes, maior volume em toda a série histórica do indicador, após 15 meses consecutivos de alta. 

Essa situação acendeu o alerta do governo, que já trabalha em algumas frentes para atenuar o problema. Além de uma nova versão do Desenrola, programa de renegociação de dívidas, está em estudo a liberação extra do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). 

Leia também: Crédito do Trabalhador completa um ano como importante ferramenta de inclusão financeira

Ambas as medidas avançam em meio a um ambiente econômico influenciado não só pelas altas taxas de juros praticadas pelas linhas de crédito mais populares, notadamente o rotativo do cartão, que não por acaso está entre as principais causas do endividamento. O conflito no Oriente Médio, com forte potencial inflacionário, já impacta diretamente o preço dos combustíveis. Soma-se a isso as incertezas naturais de um ano com eleição presidencial, ainda distante, é verdade, mas que já tem efeitos aqui e ali conforme pesquisas de intenção de voto são divulgadas.

Nesse contexto, modalidades de crédito mais vantajosas são ferramentas cruciais para mitigar o comprometimento da renda e seus efeitos na economia. Linhas com garantia, por exemplo, tendem a ser mais interessantes não só para os tomadores, que podem acessar recursos a taxas mais baixas, mas também para as empresas do setor. Ao possibilitar colaterais de execução mais simples e, por isso, mais eficientes, a utilização de garantias se estabelece como um elemento relevante para equilíbrio de risco e retorno, trazendo estabilidade às carteiras de crédito das instituições que oferecem crédito. 

Ampliando sua presença no mercado brasileiro, o crédito com garantia tem crescido notadamente entre as fintechs. Segundo a Pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2025, estudo feito pela Associação Brasileira de Crédito Digital – ABCD e pela PwC Brasil e que analisou a operação de 44 fintechs em 2024, 77% das empresas relataram aceitar garantias em suas operações, em comparação com 70% no ano anterior. Vale destacar que desde 2021, quando apenas 34% das empresas adotavam garantias, o crescimento tem sido consistente. O que é uma boa notícia neste momento de cautela, em que a busca por melhores condições para acessar recursos financeiros — combinada a uma boa dose de educação financeira — pode fazer a diferença no fim do mês para milhares de famílias.

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