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As diferenças em relação ao Z10 começam com o tamanho, mas não é apenas isso.
Não é apenas legibilidade que o Z30 (170 gramas) difere do Z10 (135 gramas). O
teclado virtual é maior. Isso no início me atrapalhou. Por estar acostumado com
o teclado do Z10 no começo eu tropeçava bastante em letras erradas. Mas é fácil
se acostumar com coisas boas e logo me adaptei ao novo tamanho.
O título deste e-mail fala em “fazer justiça”. Eu não falei isso sem motivo. O
sistema operacional BlackBerry 10 é ótimo e merece destaque em diversas áreas.
Muitas pessoas criticam porque “não é Android nem iOS”, que são de fato
sistemas operacionais que dominam o mercado hoje em dia. Por isso eu falo que
as pessoas de mente mais aberta deveriam se permitir experimentar o BB 10 e não
apenas se influenciarem pela “moda” ou pelo efeito “boiada” (vai para onde
todos os outros vão). Iriam se surpreender.
Aplicativos
Uma crítica que é feita ao BlackBerry diz respeito à quantidade de aplicativos. Isso
seria verdade? Ou é apenas uma falácia que é repetida aqui e ali? Vou ser bem
pragmático nessa análise. Quando a
antiga RIM (que se tornou BlackBerry) optou por uma ruptura com o passado adotando
o novo sistema operacional baseado no sistema QNX ela sabia que teria que
renovar toda sua base de aplicativos. Mas isso foi antecipado com a
disponibilidade de seu tablet Playbook que debutou o novo sistema BB 10. Assim
a comunidade de desenvolvedores já começou a criar a base de aplicativos para o
tablet, que já iriam funcionar no smartphone. Isso deu certo e quando o Z10 foi
lançado a quantidade e aplicativos já era bastante significativa.
Nos meus primeiros dias com o Z10 eu senti falta do Waze e do Instagram. De
resto, os aplicativos que eu uso todos estão disponíveis. Depois de um tempo
descobri que o Skype já estava operacional e havia um “client Instagram” que
olhava mas não publicava fotos, algo bastante chato. Mas era o começo.
Isso tudo me traz aos dia de hoje, testando o Z30. O termo “testando” não é
apropriado. Eu transferi tudo que tinha no meu Z10 para o Z30, aplicativos,
chip micro SD de 16 GB, simcard da VIVO e estou usando no dia a dia o Z30 há 3
meses. Não há teste melhor do que este. Em uso contínuo e fazendo tudo que
precisamos ao longo do dia. Eu não tenho nada contra os testes de smartphone
que se baseiam em benchmarks sintéticos, testes de performance de vídeo,
velocidade de processador, etc. Mas o que conta mesmo para mim é a
adaptabilidade e a completa adequação às tarefas rotineiras, com boa
experiência e desempenho.
Hoje em dia já uso os aplicativos que no ano passado me faltaram. Uso o Skype,
o Waze, o Instagram (iGrann – completo com todas as funções inclusive publicação),
Viber, WhatsApp, ITAU, SpeedTest e até o EasyTaxi! Sem contar os óbvios
Facebook, Twitter, Foursquare, Linkedin, etc. Se ainda faltam aplicativos, não
posso precisar, mas para o MEU perfil de uso tenho todos!! Ou melhor, faltou
um. Não existe o WiFi Analyser, um ótimo aplicativo Android para descobrir
redes sem fio, canais sendo usados, medir intensidade de sinal, muito útil para
configurar e aprimorar instalações de WiFi. É o único que me faltou.
Em pesquisa realizada em comunidades de desenvolvedores e também da própria
empresa cheguei à informação da existência de 235.000 aplicativos no BlackBerry
World em abril de 2014 (eram 98.000 em janeiro de 2013). Como já se passaram 5
meses com certeza esta quantidade possivelmente já superou 250.000 indo na
direção dos 300.000 aplicativos.
Um pouco mais do smartphone
Bem como o Z10, o Z30 é compatível com o sistema de 4G do Brasil. Quando ativei
o serviço 4G (VIVO) percebi a diferença na fluidez e no uso de certas
aplicações. Em São Paulo percebi que existe cerca de 70% de cobertura 4G, pelo
menos nas regiões que eu transito habitualmente. Assim a presença do 4G é para
mim um atributo bem importante.
A despeito da diferença do tamanho das telas entre o Z10 e Z30 existem outras
diferenças. Com resolução de 768 x 1280 a tela do Z10 é IPS LCD e do Z30 usa
tecnologia AMOLED com resolução de 720 x 1280. Por isso o Z30 tem um brilho
diferente e parece ter cores mais naturais. Telas de OLED tendem a gastar menos
energia, mesmo que de tamanho maior. Além disso, o Z30 usa com frequência telas
com fundo preto, pois em telas OLED o branco usa mais energia. Por fim o Z10
mostra 4 fileiras 4 de ícones nas telas para acionar os aplicativos enquanto o
Z30 apresenta 5 fileiras de 4 ícones.
O processador do Z30 é pouca coisa mais rápido. Ambos usam o processador dualcore
Qualcomm Snapdragon S4, o Z10 de 1500 Mhz e o Z30 de 1700 Mhz. Em nenhum deles
sinto falta de velocidade no processamento. O uso é fluente e sem pausas ou
esperas indesejáveis. Mesmo usando aplicativos portados do Android (que recebem
a tal camada de compatibilidade) rodam muito bem (como o Skype e Waze). Mas
apesar da diferença de frequência dos processadores ser mínima (1500 Mhz e 1700
Mhz – 13%) eu posso perceber que o Z30 carrega mais rápido, entre estar
desligado e pronto para ser usado. Acredito que o Z30 tenha alguma otimização
no hardware uma vez que a versão do sistema operacional BB 10 é a mesma em
ambos os aparelhos, a 10.2.1.2977.
Ambos têm 2 GB de memória RAM, conector mini HDMI, WiFi de 2.4 Ghz e 5.0 Ghz
(padrões 802.11g, 802.11n e 802.11a), recurso de Hotspot 3G ou 4G, Bluetooth,
GPS, NFC (para pagamentos móveis), 16 GB de armazenamento interno e ao
contrário de toda a família de iPhones, tem slot para cartão micro SD de até 64
GB. Assim elevar a capacidade de 16 GB agregando mais 64 GB custa perto de R$
160, bem diferente dos aparelhos da Apple. O preço de um iPhone 5s com 16 Gb é R$
2.199 e de um 5s com 64 GB R$ 3.599 – preço extraído do site www.americanas.com em 12/09/2014 e
condição para pagamento em 10 vezes). O que te parece pagar R$ 1.400 a mais por
um chip de memória de R$ 160? Já tinha pensado nisso? O equipamento da Apple é muito
bom, não contesto isso, mas eu discordo totalmente desta forma de cobrança pela
memória interna a mais lacrada dentro do aparelho.
Quanto à bateria aqui há diferenças sensíveis. A bateria do Z10 é de 1800 mAh (13
dias em standby) enquanto a do Z30 é de 2880 mAh (16 dias em standby). Isso por
si só já justifica minha percepção de que o Z30 tem mais autonomia. Raras foram
as ocasiões dias que precisei recarregar o Z30 antes do final do dia, poucos
mesmo. Somente em dias de uso desenfreado e muito intenso. A despeito de seu
tamanho maior sua bateria de alta capacidade dá conta do recado. Já o Z10
preciso reforçar a carga cerca de um 30% a 40% dos dias. E como desfrutei de
ambos por muito tempo posso afirmar que o modelo de uso foi equivalente e totalmente
comparável. Por outro lado a bateria do Z10 é removível e pode ser substituída
(eu tenho uma bateria reserva que me ajuda eventualmente com o Z10 em emergências),
mas isso não pode ser feito com o Z30. Ou ela é trocada em uma assistência
técnica, ou não se troca e ela vai acabar com o final da vida útil do aparelho.
Uma última diferença entre o Z10 e o Z30 é a qualidade do som. Pelo tamanho
maior o alto-falante do Z30 é melhor resolvido. Tem maior volume e precisão na
reprodução de música, vídeos, etc.
O BlackBerry Hub – essencial e diferente
Compartilhado por ambos os modelos o BlackBerry HUB é um atributo único do BB 10 que me fascina
e facilita demais minha vida na operação do aparelho. É na apresentação visual
e na usabilidade que ele me encanta. O conceito do HUB é ter um único ponto de
interação para todas as formas de comunicação. Seja ligação telefônica recebida
(ou perdida), e-mail, BBM, SMS, mensagem Skype, WhatsApp, Facebook, Linkedin,
Twitter, Foursquare… qualquer coisa, elas ficam cronologicamente ordenadas (a
mais nova no topo) e acessível a um deslizar de dedo para a esquerda (operação
que faz aparece o hub em qualquer circunstância).


Até aqui falamos apenas e tão somente das características e da usabilidade do
Z30. Porém não pode ser esquecido o lado que sempre esteve presente no DNA da BlackBerry
, o gerenciamento dos aparelhos. As pessoas se esquecem rápido das coisas.
Muito antes de toda essa onda de smartphones assolar o mundo e se tornar objeto
prosaico do dia a dia a RIM (Research In Motion – antigo nome da empresa BlackBerry)
já era soberana no gerenciamento de telefones em ambiente empresarial,
definição, atribuição e uso de políticas corporativas, etc. Se a empresa nasceu
assim, é importante frisar que nada disso foi esquecido. Muito pelo contrário.
O conhecido BES (BlackBerry Enterprise Server) sistema usado para todo este gerenciamento
cresceu e se transformou para permitir gerenciar a realidade do BYOD,
ou seja, controlar todos os dispositivos dos usuários no ambiente da empresa.
Para ser breve e citando apenas o mais relevante recurso da plataforma, o BlackBerry
BALANCE permite definir duas partições
em um dispositivo BB 10 atribuindo uma como corporativa e outra como pessoal.
Dessa forma o mesmo aparelho passa a ter dupla personalidade e que não se
misturam nem se comunicam. Assim o que é pessoal fica em um lado e o que é corporativo
do outro lado. Não há como passar e-mails, arquivos, fotos, nem mesmo copiar e
colar textos de um lado para o outro. Tudo isso em uma interface muito simples,
pois embora todas as notificações de mensagens pessoais ou corporativas possam
ser vistas em um único local, no BlackBerry Hub, elas estão guardadas em locais
separados.
A solução de BYOD da BlackBerry contempla inclusive possibilidade de
gerenciamento de dispositivos iOS, Android com funcionalidade semelhante ao do
BALANCE (feita por software) nestas outras plataformas. Assim a expertise de
tantos anos da empresa está à disposição para que a base de dispositivos móveis
de propriedade da empresa ou de seus colaboradores seja gerenciada por sua
ferramenta de EMM (Enterprise Mobile Management). Veja uma breve apresentação
no vídeo abaixo.
Conclusão
A injustiça que eu aponto no título desta avaliação está associada ao comportamento
massificado dos consumidores considerarem apenas iOS e Android como
alternativas para seus smartphones. O atual BlackBerry 10 e o Windows Phone
(também uma alternativa competente) estão menos presentes nas cabeças das
pessoas ao analisar as opções. O sistema operacional BlackBerry 10 é muito
seguro, robusto e em determinados fontes de pesquisa que descobri é citado como
“o Android melhor que o Android” (força de expressão porque o sistema não tem
nada a ver com Android).
Eu posso apontar um defeito da plataforma BlackBerry 10. O único que posso citar como “grave”. É
minha opinião que seu lançamento aconteceu pelo menos um ano e meio a dois
depois da melhor ocasião. Tivesse sido diferente eu acredito que haveria hoje
em dia ao menos um equilíbrio maior entre as plataformas existentes. Seria melhor
para todos por ter mais concorrência, mais opções e menor tentativa controle de
mercado. E também posso citar como ponto a ser melhorado a quantidade de
aplicativos. Se BlackBerry está chegando aos 300.000 aplicativos os
concorrentes estão perto ou acima dos 800.00. Há uma diferença numérica grande.
Mas não só quantidade é que vale. Importante é existir aquilo que o usuário
necessita.
A durabilidade da bateria, aprimorada por ter maior capacidade, é suficiente
para uso o dia todo (em regime de normal). Tem ótimas câmeras (diferencial Time
Shift para retoque das fotos), expansibilidade (micro SD de até 64 GB – ao contrário
do iPhone) e aplicativos em quantidade suficiente uma vez que o que eu preciso
eu tenho no Z10 ou Z30. A possibilidade de ser gerenciado de forma extremamente
segura pelos recursos do BES e BALANCE com “dupla personalidade” (pessoal e
corporativa) é de grande destaque.
Finalizando, não me agrada ser questionado ao comentar com amigos e conhecidos que
uso o smartphone BlackBerry – “você não tem iPhone?” ou “você não prefere um Android
como o Galaxy S5?” e que ao verem o Z10 ou o Z30 ficam todos curiosos e dizem “isso
não tem cara de BlackBerry!!”. Pois é! Que a justiça seja feita. Não posso
afirmar que o Z10 e Z30 são os melhores aparelhos do mercado porque já entendi
que o modelo de uso e a adaptação de cada pessoa a cada aparelho é ainda mais
importante neste julgamento. Mas que uma mente mais aberta que permita
considerar BB 10 e mesmo Windows Phone além de iOS e Android, isso está
faltando entre a grande maioria dos consumidores. Testem e formem sua opinião.
Falar sem testar não tem significado. Para mim o Z30 está testado e aprovado.