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O primeiro pensamento é que o Zenfone 6 é um Zenfone 5 vitaminado, cuja tela
cresceu de 5 para 6 polegadas (2.5 cm maior na diagonal). Seria apenas isso ou
haveria surpresas guardadas no formato de um smartphone maior? A propósito, o
tamanho do aparelho desperta muita curiosidade e atenção. Eu não sabia se me
adaptaria a um aparelho deste porte. As pessoas ficam de certa forma espantadas
quando vêm o Zenfone 6. Mas como o mercado já tem soluções de tamanhos
parecidos este aparente estranhamento vem diminuindo. Mas causa espanto quando
um iPhone 5 de 4 polegadas é colocado ao lado do Zenfone 6, a diferença de
tamanhos é bem sensível.
O “hardware” em si difere do Zenfone 5 obviamente no tamanho do aparelho
incluindo os seguintes pontos:
A Asus tem um discurso de marketing muito engenhoso para justificar um
dispositivo grande assim. Mas seria apenas discurso? “Com a popularização de diversas plataformas de comunicação como SMS,
Facebook Messenger, WhatsApp, Viber, etc. as pessoas têm falado menos ao
telefone (voz) e usado mais recursos online. Por isso favorecer a boa
experiência no uso dos recursos online é algo que vai na direção da expectativa
dos usuários e isso passa pela disponibilização de uma tela maior”.
Eu endosso esta fala. Senti na minha própria pele. Confesso que antes de iniciar
o teste achava o Zenfone 6 um trambolho, grande demais. Vou devolver o aparelho
amanhã e já vou estranhar muito meu Zenfone 5 ou mesmo o meu smartphone de tela
de 4 polegadas (BlackBerry Z10). Não imaginava que eu me adaptasse tão bem a
este formato. Imaginei que iria simplesmente tolerar o aparelho deste tamanho,
mas o que aconteceu foi uma total adaptação.
Para ajudar as pessoas que estão muito acostumadas com aparelhos de 4 polegadas
o Zenfone 6 tem um recurso muito interessante chamado “One Hand Mode”.
Aparelhos pequenos são manipulados por algumas pessoas com apenas uma mão.
Normalmente apoiando o aparelho na palma da mão e usando o dedão para digitar
ou clicar. Ao acionar este criativo recurso a totalidade da interface é
reduzida para uma área de 4.3, 4.5 ou 4.7 polegadas, alinhado à esquerda (para canhotos)
ou à direita. Como não tenho o hábito de usar o telefone com apenas uma mão,
não usei muito este recurso, mas vejo grande valor para quem migrar de um
dispositivo pequeno para um grande e possivelmente vai assim até que se
acostume com a interface grande (aliás muito fácil de se acostumar).
As fotos abaixo exibem o Zenfone 6 comparado com seu irmão menor, o Zenfone 5 e
na outra imagem comparado ao Z10, um smartphone de 4.2 polegadas. É perceptível
a diferença na dimensão dos ícones e das letras. Apesar da tela maior o Zenfone
6 tem a mesma boa resolução de tela de seu irmão menor, ou seja, 720×1280
pixels. Mas o tamanho garante uma área de tela mais de 40% maior!


Este tópico merece muito cuidado. Mas preciso registrar minha experiência. Ao
usar aplicativos que utilizam o GPS (predominantemente o Waze) percebi que o
Zenfone 6 teve um comportamento menos estável. Claro que o GPS funciona, dá a
informação correta, localização correta. Mas quando o sinal é perdido, algo que
pode acontecer, demorava muito para obter novamente a localização e durante
algum tempo o GPS fica “maluquinho” achando que está em locais diferentes (mas
nas imediações). Depois de um tempo ele “se acha”. Isso não acontecia no
Zenfone 5. Poderia ser um “azar”, esta unidade ter sido montada com uma antena
de GPS com menor sensibilidade. Mas conversando com outros dois jornalistas que
também fizeram testes com o Zenfone 6, eles relataram o mesmo fenômeno.
Não faria sentido um comportamento diferente do apresentado pelo Zenfone 5.
Porém ficou famoso o caso do iPhone que perdia sinal por conta da posição que o
usuário o segurava e que foi resolvido pela adoção de uma capa protetora que
impedia o posicionamento dos dedos nos locais que o atrapalhava. Essas coisas
são delicadas e sensíveis. Preciso relatar o que observei. No teste o GPS
funcionou, Waze funcionou, tudo a contento. Mas com menor estabilidade em
relação ao Zenfone 5, demorando um pouco mais para estabilizar o sinal. Talvez
a antena do GPS posicionada alguns milímetros mais para cima ou mais para baixo
tenha fetado o desempenho. Mas repito, sem prejuízo operacional. Apena um pouco
menos estável.
Sobre a bateria…
Após publicado o teste do Zenfone 5 muitas pessoas interagiram comigo acerca da
bateria, aliás tema que fora foco e destaque em meu texto. O Zenfone 6 tem bateria de 3300 mAh (57% maior que a bateria do
Zenfone 5 de 2100 mAh). Isso significa que sua autonomia é pelo menos 50%
maior? Não, isso não é verdade e nem poderia ser. Eu explico. Após alguns
cálculos cheguei à conclusão de que o Zenfone 6 tem área de tela (LCD) cerca da
44% maior e a velocidade de seu processador de 2.0 Ghz é 25% mais rápido
(consome um pouco mais).
Se o leitor olhar as tabelas e gráficos que eu fiz no teste do Zenfone 5 (não vale a pena replicar aqui) digo que o Zenfone 6 nos meus testes
apresentou duração de bateria cerca de 15% a 20% MELHOR. Isso significa que
para o MEU MODELO DE USO resultou entre 12 e 13 horas de uso (sem usar
navegação por GPS e o aplicativo WAZE que consome toda bateria em pouco mais de
3 horas). Em standby absoluto (mas sem ao menos olhar o telefone) a autonomia
foi de aproximadamente 92 horas.
Veja que temos 3 números. 3 horas usando o Waze, 13 horas em regime “normal” e
92 horas em standby. A origem da polêmica na discussão da duração de bateria
está no MODELO DE USO. Cada um tem seu. É como comparar o consumo de gasolina
de um automóvel. Duas pessoas nunca vão chegar ao mesmo número porque dirigem
de formas diferentes. Assim se alguém usar o smartphone (qualquer que seja ele)
como um “notebook de bolso”, com a tela 100% do tempo em atividade e trafegando
dados quase o tempo inteiro, nunca obterá as horas de autonomia propaladas
pelos fabricantes (Asus ou qualquer outro) nem mesmo ao que eu obtive.
De toda forma eu liguei no número de atendimento ao cliente da Asus (que
descobri no site). Contei sobre o acidente, que fora causado por uma queda.
Feito meu cadastro (dados pessoais e do aparelho) fui informado que em dois ou
três dias receberia um e-mail com uma autorização de postagem para a
assistência técnica. Isso aconteceu em uma 4ª feira. No dia seguinte recebi o
tal e-mail. Na 6ª feira fui à agência do correio postar o Zenfone 5. A única
despesa que tive foi de R$ 2,00, valor referente à embalagem.
Segundo o SAC o smartphone seria avaliado e eu receberia um orçamento por
e-mail, que após aprovado receberia instruções para pagamento. Depois receberia
o aparelho reparado em minha casa. Dias se passaram e eu não recebi o tal
orçamento. Fiquei preocupado. Mas pelo site tinha como acompanhar o status do
conserto. Ótimo recurso. Vi que o aparelho já estava em reparo.
Final da história, na outra 6ª feira, uma semana após eu ter postado o Zenfone
5 ele chegou na minha casa, consertado, com um nova e brilhante tela. O
aparelho veio no padrão de fábrica, ou seja, foi reinicializado. Como eu tinha
feito cópias de tudo que me interessava antes isso não teve nenhuma
consequência.
Na avaliação que a Asus fez deve ter descoberto que o vidro estava fragilizado
e fez o conserto em garantia. Isso ou algo parecido. Fato é que não paguei pelo
conserto e entre ligar para eles e ter o aparelho consertado de volta entregue
na minha casa se passaram 8 ou 9 dias. O que dizer?? Não pode ser melhor que
isso!! Parabenizo a eficiência, presteza e profissionalismo da assistência
técnica da Asus no Brasil!!! Uma tranquilidade para quem tem Zenfone 5 e
Zenfone 6.
Observações pós teste e conclusão
Estou finalizando este texto já tendo devolvido o Zenfone 6 para a Asus.
Retornei para meu habitual smartphone de 5 polegadas (Zenfone 5). Incrível como qualquer aplicativo, seja Facebook, leitura de e-mails,
WhatsApp, em tudo, estou achando as letras muito pequenas!! Imagine se eu
tivesse voltado para o meu BlackBerry Z10 de 4.2 polegadas!! Fato concreto, a
tela grande obviamente tem letras maiores, mas não se trata de um luxo, algo
que seja supérfluo. Se assim fosse eu repararia a diferença, mas sem sentir
saudades da tela de 6 polegadas.
Apesar de saber que se tratava de um dispositivo mais avançado, maior tela,
etc. não tinha muito palpite sobre minha adaptação e percepção de maior valor
(para mim) do Zenfone 6. Estava enganado. É um dispositivo avançado, com uma
proposta de modelo de uso diferenciada proporcionada exatamente por sua
dimensão. Tem preço sugerido de varejo de R$ 999, valor bastante agressivo
frente às suas características. Relembro que duração de bateria, resolução e
qualidade das fotos (que já era boa no seu irmão menor) e velocidade de processamento
são melhores que o Zenfone 5, um aparelho que tem sido muito bem aceito pelo
mercado.
Mas reconheço que é uma questão de gosto e adaptação. Se você torce o nariz
(como eu fazia) por conta do tamanho avantajado, dou uma dica. Olhe com seus
próprios olhos, experimente, faça um breve teste. No meu caso eu mudei minha opinião.
Posso vir a ser um usuário constante de um smartphone deste tipo, deste tamanho. O GPS apresentou certa lentidão para se
ajustar após perda de sinal. Este é o ponto negativo que destaco. E se a pessoa
pretende usa o smartphone como “notebook de bolso”, em operação por todo tempo,
deverá usar baterias portáteis ou procurar outro smartphone (não vai achar pois
desconheço dispositivo que funcione neste modelo de uso o dia todo). Conclusão,
Zenfone 6 mais que aprovado

