Com limitações como equipes enxutas e menos recursos, a região lidera a implementação real com criatividade e foco na solução de problemas
Muito se ouve sobre os avanços na adoção da IA no mundo todo, mas raramente a América Latina recebe o destaque e reconhecimento que merece nesse cenário, não só como uma região entusiasta da IA, mas como um território comprometido em transformar o cenário global. Sempre enfrentamos algumas limitações em nossa região, e esse é um dos fatores que mais levaram os latino-americanos a se destacarem com soluções criativas, além de os tornarem menos receosos de testarem e adotarem novas tecnologias rapidamente, transformando novidades em resultados de forma rápida.
Ao longo dos últimos anos, diversas empresas estão surgindo na região com foco no uso da IA. Um bom termômetro dessa constatação é o programa Inception, que apenas na América Latina já totaliza mais de 1.500 startups associadas, atendendo a diversos mercados, como finanças, saúde e segurança. Esse número cresceu 74% em comparação com 2025.
Além disso, programas governamentais estão em andamento em diversos países, a fim de incentivar a implementação da IA em diversos setores, com legislações favoráveis, isenções etc. A América Latina está investindo em infraestrutura computacional para garantir meios de fornecer computação acelerada. E essa tecnologia não se restringe aos hyperscalers que estão fornecendo essa infraestrutura para as empresas, mas também chega, cada vez mais, a universidades por todo o país, que investem em supercomputadores focados em pesquisa acadêmica e científica e na formação de talentos versados em IA. Um bom exemplo disso é o novo supercomputador Jairu, da Universidade de São Paulo, recentemente anunciado.
A base tecnológica da nossa região está cada vez mais robusta e em constante crescimento, pronta a apoiar o crescimento de onde ele vier. Um levantamento recente do Instituto Locomotiva, em parceria com a OpenAI, apontou que, só no Brasil, nove em cada 10 pessoas já usam IA, e entre aqueles que têm acesso à internet, 98% já conhecem a tecnologia e 87% já a usaram ao menos uma vez. A receptividade do público só corrobora a noção de que no campo empresarial há espaço para que as empresas invistam em IA e a coloquem em contato com seus consumidores.
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A IA é uma ferramenta com inúmeras possibilidades de desdobramento, e um deles, o da IA conversacional, recentemente ganhou destaque no relatório “Por dentro da revolução da IA conversacional”, realizado pela Twilio. O documento apontou que a América Latina está na liderança global na implantação concreta da IA conversacional, em escala, e em canais de preferência dos consumidores. 31% das empresas no Brasil, México e Colômbia já implementaram IA conversacional para atendimento ao cliente, superando a taxa global de 28%. No Brasil, 44% das empresas estão na fase final ou já concluíram a implementação de IA conversacional, na Colômbia, esse número chega a 70%.
O relatório ainda aponta que, na América Latina, a postura é vanguardista. Os países seguem lançando assistentes no WhatsApp, usando IA para resolver filas de atendimento com automação, entre diversas outras funcionalidades. Com limitações como equipes enxutas e menos recursos, a região lidera a implementação real com criatividade e foco na solução de problemas.
Vale refletir ainda que a IA, enquanto ferramenta, possui diversas facetas e desdobramentos. Um exemplo é que podemos esperar cada vez mais que a IA física se torne uma ferramenta transformadora nos próximos anos, e com certeza os líderes empresariais da América Latina já estão de olho nisso. É por isso que afirmo que, sem sombra de dúvida, a América Latina está entrando de cabeça na era da IA e todo seu potencial não está sendo e não passará a ser desperdiçado.
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