Com agentes cada vez mais autônomos, a discussão sobre responsabilidade ganha peso
Fabricio Lira, diretor de IA e dados da IBM Brasil
É inegável que há um ímpeto das empresas brasileiras, dos mais variados segmentos econômicos, para uma adoção eficiente dos agentes de IA em 2026. Uma pesquisa recente do IBM Institute for Business Value, aponta que 75% dos executivos do País esperam que os agentes de IA atuem de forma independente até o fim deste ano. Estamos falando de um mercado que prevê US$ 3,4 bilhões em investimentos em implementação de IA, mantendo uma taxa de crescimento acima de 30% ao ano, segundo o IDC Brasil.
Neste cenário de oportunidades com o uso da tecnologia, fica claro que depois de um ciclo intenso de experimentação, 2026 marca uma virada definitiva para um uso eficiente dos agentes de IA. E quando digo eficiente, quero dizer que se antes as organizações focavam em construir o maior número de agentes em tempos reduzidos, hoje a realidade é outra: a criação tornou-se simples dada a evolução das ferramentas tecnológicas, mas o diferencial estratégico está em operar esses agentes com segurança, consistência e governança.
Até aqui, as empresas acumularam agentes desenvolvidos por diferentes equipes, em plataformas desconectadas e sem padrões unificados de controle. O que antes era entusiasmo, virou exposição. Uma decisão equivocada, uma chamada feita ao sistema errado, um acesso incorreto a dados sensíveis gera impacto real nos negócios. A promessa de automação se transformou em preocupação, especialmente quando a empresa percebe que não consegue explicar o que aconteceu, nem como aconteceu.
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É por isso que o mercado está caminhando rapidamente para uma nova etapa. A atenção deixa de ser a construção e passa a ser a operação. A observabilidade se torna indispensável. O que antes parecia um detalhe técnico agora é uma necessidade de negócio. Cada ação precisa ser rastreada, cada chamada precisa ser explicável, cada decisão precisa ser verificável. Não se trata mais de admirar o potencial dos agentes, mas de garantir que, ao agir, eles respeitem regras, limites e claro, gerem resultados.
Com agentes cada vez mais autônomos, a discussão sobre responsabilidade ganha peso. Quem responde quando uma ação automática gera um incidente? Quem define o que um digital worker pode ou não fazer? Quem supervisiona o uso de dados e ferramentas? À medida que essas perguntas surgem, cresce a demanda por estruturas de governança que funcionem independentemente de como o agente foi criado.
Em um cenário de aceleração intensa, o uso de agentes está se tornando mais maduro e direcionado. O entusiasmo inicial deu lugar a um trabalho de menos ‘show’ e mais consistência. Menos protótipos, mais produção. Menos promessas, mais responsabilidade. É o início de uma fase em que o mercado entende que não basta ter IA agêntica. É preciso dominar o que ela faz, quando faz e por que faz.
2026 será lembrado como o ano em que as empresas pararam de correr para criar agentes e começaram a gerar resultados com eles. É o começo de uma era em que a IA não impressiona pela novidade, mas pela maturidade operacional. E é justamente isso que definirá quem lidera os negócios e quem fica para trás.
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