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Colapso das redes sociais? O que o apagão das redes do Facebook nos ensina

Dia 4 de outubro de 2021 tornou-se mais um dos dias fatídicos para os usuários de tecnologias digitais e mídias sociais no mundo. Usuários do Facebook, Instagram e WhatsApp vivenciaram o que pode ser reconhecida como a maior – e mais preocupante – interrupção dos serviços das plataformas do grupo Facebook. A propósito do que seria um apagão digital tradicional, em escala internacional, a falha nos sistemas internos da empresa afetou diferentes regiões do globo. Indivíduos, empresas e negócios ficaram complemente sem acesso aos aplicativos por quase seis horas, afetando uma horda de mais de 3,5 bilhões de usuários. Definitivamente é mais do que o contingente populacional de uma China continental e meia, ainda que os chineses sejam proibidos de utilizar os serviços da maior parte das empresas de tecnologias no Ocidente.

Como consequência desse evento, ações do Facebook sofreram uma queda imediata de 5% na bolsa de valores nos Estados Unidos. Mark Zuckerberg, CEO do grupo, fez um pronunciamento com desculpas pela interrupção dos serviços, que hoje também se tornaram parte do funcionamento de inúmeras empresas e órgãos públicos no Brasil. Aparentemente, o motivo da falha foi uma alteração de configuração, feita incorretamente, que afetou as distintas operações do conglomerado, incluindo informações, comunicações e processos internos.

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Temos de reconhecer, contudo, que a falha momentânea das redes sociais de Facebook traz à tona um debate mais amplo, a saber, o alcance e o impacto das mídias sociais na sociedade atual. Pensando não apenas nas consequências financeiras eventualmente prejudiciais a tantos negócios e serviços, hoje estão interconectados com a rede Facebook, Instagram e WhatsApp, algumas questões são sensíveis do ponto de vista social, econômico e legal. Aprendizados podem ser tirados do episódio, particularmente para compreendermos o que virá adiante.

Em primeiro lugar, eventuais incidentes relacionados a dados pessoais dos usuários em larga escala poderão ser frequentes ou esporádicos no ambiente digital. Contudo, é também significativa a velocidade com que modernos programas e sistemas de detecção de riscos são concebidos pelas plataformas, assim como outros fornecedores de soluções tecnológicas resilientes. Por isso, dá-se também relevância às políticas de segurança cibernética, em especial quando elas estão relacionadas com infraestrutura crítica, nas áreas de saúde e hospitalar, de energia, saneamento e abastecimento e sua interdependência com redes sociais e plataformas.

Em segundo lugar, ainda que se reconheçam os limites concretos à substituição de produtos e serviços (‘alternativos’) às plataformas, o apagão da última segunda-feira sugere um estímulo – típico do ciclo de inovação sequencial – para que outras plataformas melhorem suas interfaces e experiências a usuários e sistemas de segurança de dados. Twitter, TikTok, Telegram e Signal, por exemplo, também serão forçadas a ampliar as bases de serviços de qualidade para usuários, particularmente quando algumas também marcaram instabilidades no dia em que as redes do Facebook estiveram indisponíveis.

E por fim, talvez, o maior importante de todos os aprendizados. Cresce a necessidade de transparência para a sociedade, usuários e reguladores sobre episódios envolvendo infraestrutura da internet e dados que possam colocar em risco a segurança digital do público de usuários, consumidores e demais agentes econômicos. Insegurança digital, ao revés, torna-se uma preocupação dos proponentes da governança das tecnologias. Apesar de Facebook ter constatado não haver evidências sobre qualquer vazamento ou comprometimento de dados de seus usuários, qualquer dano reputacional gerado será mediado pelas ações futuras da empresa.

Certamente, como ocorre com qualquer gigante da internet, é importante que sejam apurados os fatos, incitados debates sobre os impactos das tecnologias digitais em nossas vidas. Revelações como as da ex-funcionária da empresa, Sra. Frances Haugen, sobre os relatórios que apontavam efeitos prejudiciais ao uso de redes sociais por crianças e adolescentes, ou da alegada priorização de perfis de celebridades em relação às regras de conteúdo estipuladas nos termos de uso das plataformas serão escrutinados publicamente. Emoções devem ser deixadas de lado e que sejam sopesados, igualmente, os benefícios da internet, das interações sociais, das melhores e mais éticas soluções de inteligência artificial e governança algorítmica.

Questões de segurança cibernética e prejuízos decorrentes de um apagão digital voltarão à cena. À parte da polêmica envolvendo as acusações dirigidas pela ex-funcionária de Facebook no Congresso dos EUA, e mesmo que reiterado o elevado padrão de segurança das plataformas, falhas de proporção internacional deixarão expostas as lacunas de um complexo emaranhado sistêmico que possui bilhões de dados pessoais. O episódio, igualmente, devolverá o debate sobre a oportunidade de que mecanismos de moderação de conteúdo serem aperfeiçoados, sobretudo para reduzir o alcance de conteúdo nocivo, violência gráfica, incitação ao ódio e conteúdo discriminatório, racista, sexista e misógino nas mídias sociais e plataformas. Teremos de acompanhar os próximos passos de tudo o quanto também se revele o futuro das redes digitais. Sempre que possível, também, devemos voltar às bases e designs das tecnologias a serem pensadas para melhorar nosso espaço vital e interações em sociedade.

*advogado e sócio das áreas de Inovação & Tecnologia e Solução de Disputas de L.O. Baptista.

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Redação
Tags: FacebookInstagramredes sociaisWhatsApp
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