Cloud no estado da arte ainda esbarra em infraestrutura do País

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Cloud no estado da arte ainda esbarra em infraestrutura do País

Embora na pauta de discussão dos CIOs há um bom tempo, o modelo de computação em nuvem parece apenas agora ganhar mais confiança por parte desses executivos, especialmente, quando olhamos para o universo das 500 maiores empresas do País. Dados do estudo Antes da TI, a Estratégia, produzido pela IT Mídia, em parceria com o consultor Sérgio Lozinsky, da SLozinsky Consultoria, mostram que cloud computing é visto como um tópico que causará grande impacto nos próximos anos para 39,1% dos gestores de tecnologia. Isso não significa, entretanto, adoção imediata. A maioria ainda busca a melhor estratégia para inserir o modelo no desenho corporativo e mostra que ainda pesam contra a falta de maturidade, um modelo de negócio mais bem definido para alguns fabricantes e investimentos pesados na infraestrutura de telecom do Brasil.

Tais constatações foram extraídas dos Intercâmbios de Ideias sobre computação em nuvem realizado durante o IT Forum 2013, um dos principais encontros de TI da América Latina, que aconteceu de 1 a 5 de maio, na Praia do Forte (BA). José Antonio Leal, CIO da Gerdau, por exemplo, reconhece que o modelo, de um jeito ou de outro, fará parte da realidade da empresa. Mas antes de qualquer medida precipitada, ele vem trabalhando na estratégia de TI do grupo para desenhar onde melhor se encaixa as soluções de nuvem. E dentro da visão compartilhada, qualquer aplicação mais crítica só deve seguir o caminho de cloud computing no longo prazo, ou seja, daqui a três ou cinco anos.

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?Não é nossa estratégia ir para nuvem e ter problema com SLA?, pontua o executivo, frisando a necessidade de maturidade do modelo e até mesmo dos provedores. ?Qual compromisso das empresas e garantia com SLA e segurança? A primeira fase (do plano estratégico para nuvem) será de aprendizado para ver como essas coisas funcionam na prática. A segunda fase virá com adoção estrutural da computação em nuvem, definindo o início do framework de orquestração e como otimiza a questão de preço. Será preciso estabilizar o processo de contratação de nuvem. A fase três será de maturidade, onde finalmente poderá se avaliar o uso de cloud para missão crítica.?

A visão de compor uma estratégia global e entender como nuvem se aplica ou não ao modelo corporativo sugerido por Leal se faz extremamente necessária quando se avalia as mais diversas queixas e problemáticas levantadas por outros CIOs. Reginaldo de Assis, da Sada, ressaltou por diversos momentos do debate a necessidade de se investir mais em infraestrutura, sobretudo, para que os links tenham mais qualidade. ?Uma coisa é o que compramos e outra o que se entrega para nós?, avisa. ?Em geral, entregam menos do que contratamos, sempre estamos atrás de outros países, como Estados Unidos. Temos dados hospedados nos EUA que ficou mais barato que no Brasil. Pelo volume grande, continuou mais barato lá fora. Estou tentando virtualizar storage, em nível de 100 e 120 unidades, são 122 links que chegarão a pontos diferentes. Mas sempre esbarro em limitação do link.?

Quem também pontuou a questão da rede foi Paulo Fernandes Rodrigues, CIO do Makro Atacadista, especialmente, quando se fala em levar aplicações mais críticas. Ele lembra, entretanto, que com ou sem nuvem, as limitações da infraestrutura de Telecom já são um problema, porque, para quem usa modelos de outsourcing, como hosting e colocation, os dados já estão fora de casa e, acessá-los, requer um link de qualidade.

O executivo teve a primeira experiência com nuvem em 2012 e muito por conta de uma pressão da área de negócio. Na verdade, a pressão não foi pelo modelo de cloud, mas o curto tempo para execução do projeto, fez com que ele optasse por uma solução do tipo. Resumidamente, ele precisava dar mobilidade  a alguns representantes para que o fornecimento de mercadoria à cidade de Campos do Jordão, na alta temporada, suprisse a necessidade dos clientes. Como não vale a pena uma loja física na cidade, a ideia era munir esses funcionários com um ferramental que possibilidade consulta de estoque online, fazer um cadastro de novo cliente e até gerar pedidos, com o desafio de uma entrega rápida, onde a maioria dos fornecedores falha.

Como ele tinha menos de três meses para fazer tudo, optou por uma plataforma em nuvem onde foi preciso acertar a interface do usuário, dando à ela as características da marca Makro e integrar com os sistemas de estoque e entrega da rede. Talvez, se não fosse a pressão do tempo, Rodrigues confessa que teria partido pelo desenvolvimento interno. Mas os resultados se mostraram interessantes o modelo testado em Campos do Jordão já foi estendido para outras localidades onde a sazonalidade significa oportunidade de elevar o faturamento.

Outra reclamação constante, e aí mais relacionada aos fabricantes, está no modelo de negócio. Num mundo onde tudo ganha o complemento ?como serviço? como algumas empresas ainda insistem em ofertar uma plataforma em nuvem, mas cobrar pelo velho modelo de licenciamento? A resposta para essa pergunta terá que vir dos fabricantes que não fizeram parte da rodada de debate, mas que, certamente, já devem ter recebido queixas nesse sentido.

A cobertura completa do IT Forum 2013 você confere na próxima edição da IW Brasil que circula no início de junho.

 

 

 

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