CEO da aceleradora B2Mamy aposta em mães empreendedoras para gerar impacto social

Dani Junco fundou iniciativa que já impactou 600 mulheres; Aceleradora recebeu apoio do Google e se prepara para lançar novos serviços

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A empreendedora Dani Junco tinha R$ 40 mil, valor obtido com a venda de seu carro, para investir em um negócio próprio há cerca de três anos. Mas o propósito de lançar um novo empreendimento, ela que já havia enveredado por pernas e braços próprios ao criar uma agência de marketing, precisava estar alinhado com uma inquietação sua, dessas que a vida joga em nosso colo quando algum fato marcante vem ao nosso encontro. No caso de Dani, foi o nascimento do primeiro filho. Era o despertar para o que hoje se tornou uma aceleradora e coworking voltada para negócios fundados por mães empreendedoras, a B2Mamy

Em entrevista por telefone, Dani que atualmente mora em Santos, SP, me pergunta: – “você é mãe?”. Ela explica: “acontece algo na nossa cabeça quando a gente é mãe, algo no nosso coração. Na verdade, a forma como a gente ganha dinheiro não faz mais sentido se você não tiver um propósito nisso”, diz. “Eu queria um mundo melhor para o meu filho e eu comecei a me questionar o que eu estava fazendo para esse mundo ser melhor”, lembra.

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As inquietações não passaram com o nascimento do filho Lucas, hoje com 3 anos, e Dani confirmou que as mesmas se refletiam em tantas outras mães. Antes de lançar a B2Mamy, ela concentrou esforços para alavancar projetos liderados por mulheres, tentando conectá-los a potenciais investidores. Era quase impossível. “Eles não entendiam muito bem como uma mulher grávida ou com filho pequeno iria conseguir administrar uma startup. E foi aí que eu lancei a minha própria”, resume a CEO.

Um bebê a cada 5 minutos

Diferente de aceleradoras “tradicionais”, que investem dinheiro e pedem por uma porcentagem do negócio, a B2Mamy conta com um modelo diferente: cobra pelo conteúdo que oferece, como as palestras que promove. O programa de aceleração se divide em uma espécie de jornada. Na primeira etapa chamada Start, empreendedoras participam de um dia inteiro de conteúdo e mentoria para tirar uma ideia ou empresa do papel. Passado por esse filtro, há a segunda etapa que consiste em uma semana toda de mentorias e imersão, onde o projeto ganha mais forma de negócio. Já o B2Mamy Pulse é um programa intensivo de aceleração de três meses e que neste ano se hospeda no Google Campus, espaço da gigante de tecnologia, em São Paulo, dedicado a acelerar projetos de inovação. 

A seleção do Google vem também reconhecer o impacto social da aceleradora. “Nasce um bebê a cada cinco minutos”, ressalta Dani, entre risos, quando fala sobre o potencial para escalar o negócio. Pesquisa da Rede Mulher Empreendedora, que entrevistou cerca de 1.400 pessoas em agosto de 2016, destaca que três em cada quatro empreendedoras abrem a empresa após a chegada do filho. Muitas buscam a possibilidade de horários mais flexíveis ou, assim como Dani, querem mudar a trajetória profissional após a licença-maternidade.

Negócios de impacto

Muitas das empreendedoras que chegam a B2Mamy têm projetos para negócios “tradicionais”, como lojas, restaurantes e ideias atreladas ao universo lúdico dos filhos. Dani explica que a aceleradora sempre convida as empreendedoras a pensarem o serviço através de uma base tecnológica, que possa inovar o nicho, o mercado. “Ela pode chegar aqui vendendo pão, mas a gente sempre vai dizer para elas que tem uma forma mais legal de vender esse pão, usando coisas que a gente aprende aqui também”. No final do dia, a aceleradora busca negócios de alto impacto liderado por mães.  “O requisito principal é querer dar certo, é genuinamente querer rodar o que está na cabeça dela, seja abrir a próxima padaria ou lançar o próximo Uber”, resume Dani. A B2Mamy também reserva 30% das vagas para mulheres que ainda não são mães. 

Desde seu lançamento, há cerca de um ano e meio, a iniciativa recebeu 600 mulheres interessadas em empreender. Dessas, duas turmas de startups, totalizando 50, foram aceleradas na etapa Pulse. Agora, um terceira turma será acelerada – as inscrições, inclusive, se encontram abertas para projetos. Além dos encontros presenciais, a companhia possui uma rede social para conectar essas empreendedoras, a B2Mamy Net. Segundo Dani, em um ano, a aceleradora conseguiu faturar R$ 200 mil reais. 

A conquista mais recente foi o lançamento de um coworking próprio, localizado no bairro Vila Mariana, em São Paulo. Aberto em fevereiro deste ano, o espaço veio atender uma própria demanda das mães que pediam por um espaço físico. O coworking oferece infraestrutura, como mesa, Wi-Fi e impressoras e pode ser alugado por semana, mês e dia e, em breve, oferecerá programação voltada para seu público.

Para 2018, as metas da B2Mamy incluem lançar cursos à distância e um plano de assinatura para conteúdo exclusivo dentro da B2Mamy Net. 

Um conselho? Não vá sozinha

Dani conta que criou a aceleradora pensando em dois pilares. Um que se propunha ensinar e conectar mulheres ao ecossistema de inovação das startups e outro que queria resolver a solidão dessas mães – criar um lugar de pertencimento e representatividade. 

“Independente de onde você estiver e o que você queira fazer, não vá sozinha, porque não vai dar certo”, aconselha. “Você precisa de suporte de outras pessoas, e isso também na vida pessoal. Então tente pedir ajuda e se divirta, porque o que a gente tem é a jornada.  O resto muda no final. Então, quanto mais você puder ficar feliz com o que você está fazendo, é o meu conselho, curta a jornada”. 

 

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