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Casas inteligentes: impacto ambiental da IA levanta preocupações sobre sustentabilidade

Imagem: Shutterstock

O avanço da inteligência artificial (IA) em ambientes residenciais e a implementação da IA generativa em dispositivos domésticos, fornecendo assistentes de voz altamente interativos e sofisticados, têm gerado um intenso debate sobre o impacto ambiental dessa tecnologia. Apesar de proporcionar maior comodidade e funcionalidade, especialistas e estudiosos estão divididos entre a necessidade de uma tecnologia avançada para aprimorar a automação doméstica e as consequentes implicações ambientais significativas associadas a ela.

A complexidade de sistemas de IA exige grandes quantidades de dados e recursos computacionais intensivos, o que acarreta em um elevado consumo de eletricidade. O treinamento e a execução de modelos de IA, como o ChatGPT da OpenAI, demandam enormes centros de processamento de dados que consomem energia proveniente, em grande parte, de fontes não renováveis, como os combustíveis fósseis. Esse cenário contribui significativamente para as emissões de gases de efeito estufa, agravando a crise climática global.

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A divergência de opiniões entre os especialistas é evidente. Enquanto alguns defendem a necessidade e a eficiência dessa tecnologia avançada para automatizar tarefas e otimizar o ambiente doméstico, outros questionam sua real necessidade, especialmente devido ao alto custo ambiental associado a ela.

Leia mais: Amazon anuncia primeiro parque eólico no Brasil

Os defensores das casas inteligentes acreditam que essa tecnologia pode reduzir o impacto ambiental, automatizando tarefas para economizar energia. Mais de um terço das emissões de gases do efeito estufa provém de edifícios. Integrar tecnologias de casas inteligentes aos prédios poderia, potencialmente, diminuir em aproximadamente 5% o consumo global de energia, segundo a empresa de pesquisa Transforma Insights.

“Na verdade, estou bastante confiante de que veremos uma tendência realmente boa em direção a emissões cada vez menores necessárias para gerar esses resultados de IA”, disse Alex Capecelatro, CEO da empresa de IA Josh.ai, ao The Verge.

A Josh.ai é uma empresa especializada em IA que desenvolve um sistema doméstico inteligente baseado em IA generativa para casas inteligentes. A empresa está desenvolvendo o JoshGPT, um dispositivo inteligente que emprega IA generativa para realizar diversas tarefas, processando milhões de comandos em tempo real e buscando se posicionar como uma inovação neste mercado. A empresa afirma que o JoshGPT é a “primeira IA generativa lançada no espaço de casas inteligentes”.

Peter Henderson, futuro professor da Universidade de Princeton, em entrevista ao The Verge, destacou os avanços de eficiência da IA, notando a possibilidade de casas inteligentes se adaptarem a mecanismos mais eficientes ao integrarem a IA generativa.

Veja também: Intel publica plano de ação para transição climática

Grandes empresas, como Amazon e Google, também estão investindo em melhorias para as casas inteligentes. A Amazon recentemente lançou uma versão avançada da Alexa, projetada para ser mais interativa e capaz de compreender, além de comandos de voz, a linguagem corporal dos usuários. Enquanto isso, o Google introduziu novas funcionalidades de IA para auxiliar os usuários em tarefas como criar listas de compras ou gerar legendas para redes sociais. A funcionalidade, no entanto, ainda não foi adaptada aos alto-falantes de casas inteligentes – uma questão de tempo.

Contrapartida

Alex de Vries, fundador da empresa de pesquisa Digiconomist, é mais pessimista sobre o assunto. De Vries conduziu uma pesquisa sobre o impacto ambiental do uso generalizado da IA generativa. Ele previu um cenário no qual a IA do Google consumiria energia equivalente à de todo o país da Irlanda em um ano, caso integrada em todas as pesquisas.

Ele não avaliou o caso de casas inteligentes, ainda assim, o resultado é preocupante e serve de alerta. No entanto, este não é o ponto principal que De Vries deseja que o público tire da pesquisa. “Este é um tema que merece consideração”, afirmou De Vries. “Há uma perspectiva muito realista para a IA se tornar um consumidor significativo de eletricidade nos próximos anos”.

De Vries alerta sobre o aumento potencial no consumo de energia pela IA nos próximos anos e expressou, ao The Verge, preocupação com a aplicação indiscriminada dessa tecnologia, destacando a necessidade de avaliar criteriosamente seu uso para evitar desperdícios e emissões significativas. Ele também ressaltou as emissões associadas à operação contínua desses modelos de IA e questionou se melhorias na eficiência resultariam em menos uso de recursos. “Não acho que haverá uma única coisa que resolverá todos os nossos problemas”, disse De Vries ao The Verge.

*Com informações do The Verge

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Redação
Tags: casas inteligentesESGIA
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