Imagem: Shutterstock
O Brasil concentrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques ao longo de 2025. Os dados são do relatório do Cenário Global de Ameaças de 2026, do FortiGuard Labs. De acordo com o estudo, a forma de operar do cibercrime mudou, passando de uma série de campanhas isoladas para um sistema, com hackers criminosos atuando em todo o ciclo de vida do ataque e finalizando com agentes ocultos, uma estrutura de segurança conhecida como “Cyber Kill Chain”, que analisa cada etapa de um ataque.
No Brasil, os principais vetores detectados incluem 1.4 bilhão de ataques por força bruta, um crescimento de 70% em relação a 2024; e 3,6 bilhões de tentativas de exploração de vulnerabilidades. Na fase de reconhecimento, foram detectadas 5 bilhões de varreduras ativas. Na de entrega, 5 milhões de tentativas de drive-by download (download não intencional de software) e 1 milhão de arquivos maliciosos do tipo office.
O relatório detalha ainda que, em 2025, o Brasil concentrou 187,5 milhões de atividades de distribuição de malwares, tendo grande aumento da atividade no segundo semestre do ano e apresentando um crescimento significativo de 535% quando comparado com o ano anterior (2024). Foram 89 milhões de ações relacionadas a botnets, que podem permitir remotamente o controle de dispositivos infectados.
“Se existe uma certeza para os próximos anos, é que o crime cibernético vai operar cada vez mais como uma indústria organizada, incorporando automação, especialização e inteligência artificial. E nosso relatório do cenário de ameaças de 2026 reforça que empresas precisam encarar a cibersegurança como um fator direto de risco financeiro, reputação e continuidade do negócio e de entrega para a sociedade”, disse Frederico Tostes, gerente-geral da Fortinet Brasil e VP regional de Vendas.
Na etapa de instalação do malware, destacam-se 32 milhões de trojans, malware que se disfarça de software legítimo para enganar o usuário, e 67 mil tentativas de mineração não autorizada de criptomoedas. Na fase final, de ação sobre os objetivos, o país registrou 743 bilhões de tentativas de negação de serviço (DDoS), um aumento de 119% comparado ao ano anterior; e 35 mil incidentes de ransomware.
Segundo a Fortinet, o mês mais visado pelos cibercriminosos foi outubro, apenas neste mês o Brasil recebeu 198 bilhões de tentativas de ataques. Neste mesmo período, setores de governo, educação e serviços de energia viram o aumento de ataques e foram os principais alvos. Outro destaque deste mês foram as instabilidades em serviços de nuvem, que afetaram serviços de uso cotidiano da população.
“O novo relatório do cenário de ameaças do nosso laboratório deixa claro que Brasil registrou um avanço relevante na distribuição de malware e um aumento expressivo dos ataques de negação de serviço, que são movimentos diretamente ligados à aceleração da digitalização no país, especialmente em serviços críticos como bancos e plataformas de e-commerce. Quanto mais dependentes desses serviços nos tornamos, maior também é a exposição ao cibercrime”, explicou Alexandre Bonatti, vice-presidente de Engenharia da Fortinet Brasil.
Leia mais: Hackone promete cortar resposta a ciberataques de 72 horas para minutos com IA
À medida que os ataques se tornam mais sofisticados e interconectados, o laboratório da Fortinet destacou ainda que:
Os três principais setores mais visados incluem: manufatura (1.284), serviços empresariais (824) e varejo (682). A concentração geográfica abrange os EUA (3.381), Canadá (374) e Alemanha (291).
Como projetado pelas Previsões de Ciberameaças do FortiGuard Labs para 2026, os grupos de ameaças mais capazes funcionam como empresas semiautônomas, apoiadas por agentes ocultos, intermediários de acesso e operadores de botnets que fornecem serviços sob demanda. Sobre este tópico, as principais conclusões do relatório mostram que:
Essa atividade se traduz em cerca de 67,65 bilhões de eventos de força bruta globalmente, com aproximadamente 185 milhões de tentativas por dia; 1,3 bilhão de tentativas por semana; e 5,6 bilhões de tentativas por mês. Ao mesmo tempo, a inteligência do FortiGate revelou um aumento de 25,49% nas tentativas de exploração global em relação ao ano anterior.
Dentro da atividade de “banco de dados” da dark web, os registros de roubo de credenciais dominaram os conjuntos de dados anunciados e compartilhados (67,12%), superando as listas combinadas (16,47%) e as credenciais vazadas (5,96%). Os registros de roubo de credenciais reduzem o esforço do atacante ao agrupar o material de identidade com elementos de contexto, incluindo dados residentes no navegador, permitindo reprodução imediata e conversão mais rápida do que força bruta ou pulverização de senhas.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!
A pressão por controle de custos vem alterando a dinâmica das áreas de tecnologia nas…
O mercado brasileiro de fintechs passou por uma transformação no perfil dos investimentos em 2025.…
O avanço da inteligência artificial e o uso estratégico de dados vêm transformando a forma…
Por Ramon Ribeiro Quase metade do código produzido por assistentes de inteligência artificial contém vulnerabilidades…
Peça a um modelo de inteligência artificial que gere a imagem de uma cidade, sem…
O IT Forum apresenta, semanalmente, os novos executivos e os principais anúncios de contratações, promoções e mudanças…