Banda larga no Brasil: panorama mostra deficiência em universalização e qualidade

Evolução permitirá que as inovações tecnológicas também se desenvolvam

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Banda larga fixa pode ter limite de dados ainda em 2017
Banda larga fixa pode ter limite de dados ainda em 2017

“O setor de Telecomunicações” é um estudo da Oliver Wyman, parte da série Panorama Brasil, que aborda a deficiência na oferta do serviço de banda larga no país. Bem diferente da realidade da telefonia fixa, ainda há muito trabalho no que se refere à universalização e mais ainda na melhoria da qualidade do serviço. O número de acesso à banda larga fixa é de 12,9 por 100 habitantes, enquanto em outros países este número é maior que 30.

De acordo com o levantamento, países como Itália e Uruguai estão na casa dos 26 (o dobro do Brasil), enquanto que Espanha e Austrália, na casa dos 30. Portugal e Estados Unidos (33/100), Canadá (37), Reino Unido e Alemanha (38), Coreia do Sul (40,5), França (42,7) e Suíça (45,1) lideram esse índice de penetração de internet banda larga nos seus territórios.

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Já na penetração por estado, a dispersão é grande e está relacionada à renda. Quanto à qualidade do serviço, a velocidade média é de 3,6 Mbps, enquanto a média mundial é de 5 Mbps. Na Coreia do Sul (com a maior velocidade do mundo), a média é de 23 Mbps – ou mais de seis vezes.

A tecnologia de banda larga móvel pode ajudar a melhorar esse cenário, mas ainda precisa ser de melhor qualidade, ter maior cobertura do 4G, e avançar na direção de um serviço mais barato e acessível para todos.

O acesso à banda larga fixa ainda é baixo, 28,7 milhões, se comparado ao número de telefonia fixa, de 40,8 milhões, e a penetração da banda larga varia de região para região. As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste têm penetração acima da média brasileira. Essas três regiões atingem 69,3% de penetração, um número considerado razoável. O Nordeste conta com um pouco mais da metade da população com acesso à Internet em domicílio.

Evolução, IoT e demandas

Alessandro Jorge, sócio da Oliver Wyman Brasil, defende que a melhoria poderia alavancar outras tecnologias. “A evolução da Internet permitirá que as inovações tecnológicas relacionadas a ela também se desenvolvam, como a Internet das coisas (IoT), alinhadas com as novas demandas da sociedade, que exige conectividade rápida, prática e com qualidade”, disse.

Outro ponto que preocupa é o atendimento aos consumidores feito pelas operadoras que tem qualidade muito baixa e é considerado um dos piores do mundo. A conclusão óbvia é que os clientes pagam caro por um serviço ruim, reflexo da falta de investimentos na região que saltam aos olhos.

Banda larga é crescimento econômico

Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) revela a correlação entre o aumento da penetração da banda larga, o PIB per capita, produtividade e emprego. A amostra inclui 24 países latino-americanos e caribenhos e conclui que um aumento da penetração de banda larga de 10 pontos percentuais leva a um aumento de 3,19% do PIB per capita, 2,61% da produtividade e 0,5% do nível de emprego. Fundamental para crescer.

De acordo com a Oliver Wyman, o governo, principal interessado, precisa tratar o assunto com prioridade se não quiser ficar estagnado tecnologicamente. O modelo atual onera a telefonia fixa, impondo uma série de obrigações desconectadas da realidade de uso, como instalações de TUP e acesso individual de telefonia fixa, enquanto há uma demanda ávida por banda larga realmente rápida que não é atendida no ritmo necessário.

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