Bancarização é o menor dos benefícios do pagamento móvel, dizem especialistas

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Bancarização é o menor dos benefícios do pagamento móvel, dizem especialistas

O mercado de pagamentos móveis é uma das grandes apostas do setor financeiro, junto a operadoras de telecomunicações e empresas do processamento de cartões, para bancarizar aproximadamente 40% da população brasileira que ainda não possui nenhum tipo de conta em banco. O maior benefício, contudo, não reside na bancarização em si, mas em todo o desenvolvimento econômico que a bancarização proporciona.

“M-payment e m-money são novas maneiras para criar mercados. As pessoas não necessariamente querem ter contas no banco, pois na verdade nós as usamos para ter acesso a outros serviços”, explicou o líder de tecnologia e inovação de modelos de negócio do Consultative Group to Assist the Poor (CGAP), Camilo Tellez, durante painel na Futurecom 2013 nesta terça-feira (22/10), no Rio de Janeiro. A instituição trabalha na inclusão social de populações carentes por meio da inserção desses cidadãos no sistema financeiro.

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Alguns exemplos dentre os serviços disponíveis estão desde o seguro de bens de consumo, como automóveis ou propriedades, até linhas de microcrédito para pequenos financiamentos. “Estamos falando de alguém que tem uma movimentação de caixa baixa, de R$ 800 mensais, que precisa de um financiamento de R$ 300 para comprar uma coisa para sua loja”, exemplificou o diretor da Telefonica Vivo, Maurício Romão.

O principal desafio para as companhias, além da interoperabilidade e compartilhamento, está no ganho de escala. James Heaphy, director de programas da GSMA, associação de operadoras e companhias do segmento para padronização, desenvolvimento e promoção de redes móveis, enfatiza a importância do cash in e cash out, além da educação sobre a segurança de um serviço desse tipo. “Se um cliente for até um prestador de serviço de m-payment e não houver dinheiro, ele não usará esse serviço de novo. Da mesma maneira, é preciso investir pesado nas equipes e agencias para explicar os serviços e fazer as pessoas se sentirem seguras ao usá-lo”, afirmou.

As organizações aguardam a determinação do Banco Central para o marco regulatório do pagamento móvel no Brasil, que deve sair até o fim do mês que vem – a medida provisória 615 estabeleceu prazo de seis meses para essa definição, que se encerra em 20 de novembro. Por enquanto, as iniciativas de m-payment em vigor. De acordo com os participantes do painel, espera-se a garantia do que já existe no mercado, respeitando o espaço de atuação de cada segmento e garantindo a interoperabilidade dos sistemas de empresas concorrentes.

Por mais que o mercado brasileiro e latino-americano no geral sejam únicos, com particularidades regionais, Telles, da CGAP, espelha-se em exemplos observados em países na África e na Ásia sobre o cenário econômico ao escalar o m-payment. “O que vimos é o surgimento de diversas startups com ofertas de serviços inovadores, possibilitada pela disseminação de celulares e um meio de pagamento atrelado a eles”, diz.

Novo Produto

O mercado de pagamentos móveis ganhou outra organização com o anúncio do lançamento do produto do setor da joint venture entre a Claro e Bradesco, anunciada em novembro do ano passado. As companhias apresentaram o Meu Dinheiro Claro, produto de pagamentos móveis que possibilita transferência em dinheiro e saques diretamente pelo celular, sem necessidade de cartão físico.

O produto visa o público não bancarizado, vinculado a uma linha móvel. A adesão é gratuita, feita em uma loja da operadora com documentos de CPF, RG e comprovante de residência. A tecnologia usada é o USSD, compatível com celulares convencionais sem acesso à internet. Inicialmente o serviço funciona em quatro cidades-piloto: Belford Roxo, São João de Meriti e Duque de Caxias, no Rio de Janeiro; e Goiânia, em Goiás.

O mercado brasileiro começa a se estabelecer com joint ventures nesse segmento. Além da Claro, a Vivo possui uma parceria com a MasterCard em joint venture, batizada com o nome de MFS; enquanto a Oi possui uma parceria da mesma categoria com a Cielo na formação da Oi Paggo. A TIM, por sua vez, se uniu à Caixa Econômica Federal (CEF) e à Mastercard em joint venture anunciada em janeiro deste ano.

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