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Baixa renda sustenta crescimento de e-commerce

O comércio eletrônico no Brasil registrou bom desempenho em 2008 e grande parte do crescimento é creditada à popularização dessa modalidade de compra entre as classes de menor poder aquisitivo, especialmente a classe C. De acordo com o estudo “Webshoppers”, divulgado nesta terça-feira (17/03) pela e-bit, representantes desta classe social responderam por 42% das vendas pela internet. O levantamento também apontou que, em dezembro último, o número de brasileiros que já havia feito compra pela web ao menos uma vez somou 13 milhões, alta de 39%.

Como a empresa adiantou no início do ano, o faturamento do comércio eletrônico brasileiro totalizou R$ 8,2 bilhões, alta de 30% em comparação com 2007. O valor, no entanto, é abaixo de estimativas iniciais, que previam crescimento de 45%, ou R$ 8,8 bilhões. A crise econômica refletiu nas vendas, especialmente no período de Natal, que, ainda assim, representou 15% do faturamento anual de 2008.

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Assim como vem ocorrendo nos últimos anos, a categoria “livros” liderou as vendas pela web, com 17% de participação. Já o segmento “informática” perdeu a segunda colocação para “Saúde, Beleza e Medicamento”, confirmando previsões de consultorias como Gartner e IDC que previam queda na demanda por PCs e equipamentos do gênero.

De modo geral, como avaliou o diretor geral da e-bit, Pedro Guasti, 2008 demonstrou que o e-commerce se tornou ferramenta importante mesmo em tempos de crise. “Você tem a crise de um lado e do outro as vantagens do canal web. Você tem ofertas, comparação de preços e com isso mais pessoas utilizam a internet”, argumenta Guasti.

O executivo também acredita que o setor sentirá menos os efeitos do cenário econômico que o varejo tradicional. Mesma opinião compartilhada por Gerson Rolim, diretor executivo da Camara-e. “O momento vai ser importante para expor o setor. Temos mudanças no governo que deve trazer o crédito de volta. As ferramentas de comparação aumentam o valor do real no bolso do consumidor”, entende.

Mudança no perfil

Além da popularização do comércio eletrônico entre classes de renda mais baixa – prova disso foi a chegada da Casas Bahia à internet -, o perfil do comprador também sofreu alterações. Em 2008, 51% dos consumidores eram mulheres. Além disso, 19% dos compradores tinham mais que cinquenta anos. Outro ponto revelado pelo estudo é que os novos clientes das lojas online estão utilizando este canal para adquirir produtos de valor agregado e não apenas livros e objetos de menor valor.

E a compra de produtos mais caros também tem sua explicação. Descontando os preços que muitas vezes são mais em conta que em uma loja tradicional, os portais têm investido em outras formas de atrair os consumidores, como frete gratuito. As lojas online também oferecem os parcelamentos sem juros no cartão de crédito, que seduz consumidores em tempos de crise.

Previsão otimista

Encerrada a discussão sobre os efeitos da crise nos resultados de 2008 e também sacramentada, em números, a mudança de perfil dos consumidores, Guasti passou a enumerar as previsões para 2009. “Janeiro e fevereiro está sendo bom para o setor”, iniciou. “Algumas pesquisas apontam que o varejo tradicional cresça pouco (neste ano), enquanto o virtual pode chegar a um faturamento de R$ 10,2 bilhões até dezembro”, completou.

O fato é que, mesmo em ritmo inferior, a perspectiva é que o e-commerce avance entre 20% e 25%. O tíquete médio, que em 2008 foi de R$ 328, não deve sofrer alterações. Em compensação, o número de brasileiros que fizeram compra na web ao menos uma vez deve atingir 17 milhões até o final do ano, sustentado pelos consumidores de baixa renda.

 

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Published by
Redação
17 anos ago

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