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Tendências tecnológicas que estão transformando o agronegócio

A era digital já é uma realidade para os mais diversos segmentos da economia nacional, possibilitando que mercados existentes se desenvolvam ou novos sejam criados. E essa realidade não é diferente para o agronegócio e vem possibilitando que também se crie sua versão 4.0, amplificando a possibilidade de executar uma agricultura cada vez de maior precisão e, por isso, gerando a expectativa de maiores saltos de produtividade.

Já não é de agora que as inovações tecnológicas têm contribuído para que produtores rurais e empresas do setor agrícola aperfeiçoem suas operações garantindo melhores resultados em suas safras, aumentando sua produtividade e/ou reduzindo seus custos operacionais.

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Hoje, já é possível monitorar plantações através de um clique no celular ou mesmo de uma central remota onde dados chegam praticamente em tempo real e auxiliam na tomada de decisão. O instituto americano Gartner acompanha e pulica regularmente a ascensão, queda e perenidade de uma série de tecnologias emergentes. Tecnologias estas que podem se adequar mais ou menos dependendo do setor, amadurecer ou serem descartadas. Tenho acompanhado três delas em especial, que apesar de já estarem melhor difundidas em outras indústrias, no agronegócio acredito que ainda há espaço para serem melhor exploradas.

A Internet das Coisas (IoT) é um bom ponto de partida para apresentar os caminhos traçados pela inovação. A utilização de sensores em equipamentos no campo já ocorre há alguns anos, mas apenas mais recentemente sua utilização se espalhou por conta do seu barateamento. Nos últimos anos, o custo desses sensores tem despencado e já chega a ser menos que um terço do seu valor de cinco anos atrás, segundo dados de um levantamento do Goldman Sacks. Ainda de acordo com uma estimativa recente divulgada pelo BNDES, a utilização de IoT no Brasil deve movimentar cerca de US$ 21 bilhões no agronegócio até 2025.

Entretanto, apenas sensores não são suficientes para a revolução digital ocorrer. É preciso fazer a análise dessa informação que será capturada por esses inúmeros sensores espalhados pelo campo. E essa é a segunda tendência que vale o acompanhamento de perto. Também em estágios avançados em alguns setores, no agronegócio os dados gerados começam a ser utilizados em uma escala maior e melhor, tendo em vista que os mecanismos de transformação dessa avalanche de dados em inteligência, têm se acelerado através dos tão falados algoritmos. Durante um primeiro momento muito tratado como transformação de “big” data em informações, atualmente, com a evolução dos algoritmos e aperfeiçoamento de estudos e técnicas, tem mostrado que bons programas se beneficiam e geram inteligência mesmo com “small” data.

A terceira evolução é a conectividade. E este é um ponto que o campo ainda deixa muito a desejar. Creio que todos já passamos por áreas sem sinal de internet das operadoras de telefonia celular mesmo em grandes centros. Imaginem como é no campo. Por mais que já existam projetos nesta área que buscam a melhora ou até mesmo o básico fornecimento de conexão, muito ainda precisa evoluir, uma vez que, segundo dados do próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 21% da população do campo afirmam não ter acesso a rede. Ainda sem resolver o problema de cobertura 4G, o Brasil já discute se deve acelerar ou postergar o início da implantação do 5G, com leilões previstos para acontecer em 2020.

Enquanto essa expansão na conectividade não chega à sua totalidade no campo, as empresas buscam alternativas. A primeira, mais simples, porém mais custosa é o investimento em torres e antenas criando sua própria rede. Uma segunda forma, que demanda menos investimento, porém mais complexa tecnicamente, é o uso de um conceito já antigo de criação de redes virtuais que conectam os vários equipamentos no campo (M2M), fazendo com que os dados relevantes sejam transportados entre eles e em algum momento descarregados em uma rede pública ou privada de dados.

Uma última consideração (e reflexão) e que caminha contrariamente a tríade recém citada: sensor barato, conectividade e análise de dados é considerar levar tudo isso para a ponta ou borda como alguns mercados vem tratando. Como a tecnologia não para de evoluir, pode ser que os mesmos sensores do IoT sejam cada vez mais inteligentes, menores e com capacidade computacional e de armazenamento maior, capazes de depender menos da conectividade, processando localmente, o que hoje é feito de maneira centralizada.

Precisamos acompanhar. Não sabemos quem chegará primeiro nessa corrida, ou mesmo qual melhor inovação se adaptará ao seu setor. Como profissional de tecnologia ou do agronegócio, a missão é continuar se atualizando, adotando de maneira pioneira, experimentando e pivotando quando necessário. As tendências vêm e vão, e é difícil crer que acertaremos sempre o caminho correto a seguir.

*Por Fabio Mota, head do Pulse e VP de Tecnologia da Raízen

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Published by
Ana Gabriela De Callis
Tags: agronegóciotendências
6 anos ago

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