A Apple foi solicitada por uma juíza federal dos Estados Unidos para ajudar o Departamento de Justiça a desbloquear um iPhone usado por um dos atiradores envolvidos nos ataques de San Bernardino, na Califórnia, nos EUA, em dezembro do ano passado.
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A decisão determina que a gigante de tecnologia desative o recurso de segurança built-in que faz com que o dispositivo limpe sua memória depois de dez tentativas de desbloqueio sem êxito. Isso permitirá que o FBI use força bruta – tentando milhões de combinações de senhas – sem arriscar a perda de dados. Depois de meses tentando, o FBI afirmou que não foi possível desbloquear o aparelho do atirador.
A Apple, contudo, respondeu que não vai cumprir a ordem, porque isso poderia
criar back doors no sistema, colocando em risco a segurança dos dados de todos os seus clientes. Além disso, a Apple diz que não armazena as chaves de decodificação para iPhones em seus servidores, pois, na verdade, elas permanecem no dispositivo.
A juíza Sheri Pym disse que a Apple pode escrever um software para ignorar o recurso de segurança para o dispositivo em questão. No entanto, esse é, em muitos aspectos, essencialmente, um pedido para a Apple para criar um backdoor para iPhones.
“O governo sugere que essa ferramenta poderia ser usada apenas uma vez, neste telefone. Uma vez criada, a técnica poderia ser usada uma e outra vez, em qualquer número de aparelhos”, explica Tim Cook, apontando que a Apple não está disposta a seguir com a ordem.
Segundo ele, o FBI quer de certa forma que a Apple faça uma nova versão do sistema operacional do iPhone, “contornando várias especificações importantes de segurança, e que os instalemos num iPhone recuperado durante uma investigação. Nas mãos erradas, este software — que não existe hoje — teria o potencial para desbloquear qualquer iPhone”, alerta.
A Apple diz que pode demorar mais de cinco anos para quebrar uma senha alfanumérica minúscula de seis dígito. Um supercomputador poderia ajudar a acelerar o processo por várias ordens de magnitude, mas isso exigiria chave de hardware do telefone, que, mais uma vez, a Apple não armazena.
Cook lembrou em comunicado ainda que por muitos anos a Apple usa criptografia para proteger os dados pessoais dos clientes, porque acredita que é a única maneira de manter as informações seguras.
“Temos grande respeito pelos profissionais do FBI e acreditamos que suas intenções são boas. Até agora, temos feito tudo o que está em nosso alcance e da lei para ajudá-los. Mas agora o governo dos EUA pediu-nos algo que consideramos muito perigoso criar”, completou.
Para finalizar, o líder da Apple afirmou que “estamos desafiando exigências do FBI com o mais profundo respeito pela democracia americana e um amor de nosso país. Acreditamos que seria para o melhor interesse de todos para voltar atrás e considerar as implicações”.