A mídia internacional têm noticiado que a rede sem fio disponível durante a Olímpiada de Inverno, que acontece a partir desta semana em Sochi, na Rússia, é uma porta de entrada para malwares. Por meio dela, cibercriminosos ganham acesso a dados sigilosos e informações sensíveis. Aqui, no Brasil, você pode se questionar: o que isso tem a ver comigo? Para o analista do Gartner Paul Proctor, muito.
“Eu os aplaudo por trazer atenção para a crítica condição da cibersegurança, mas o relatório está enganado em dois pontos”, pondera ele no blog da consultoria. O primeiro é que os turistas em Sochi estariam hackeados apenas ao ligar seu dispositivo móvel, sem necessariamente se conectar a qualquer rede. De acordo com Proctor, isso é exagero.
O segundo é sobre a descrição sobre as possibilidades de ameaças móveis. “Quase tudo que eles descrevem nas histórias é igualmente verdade no Starbucks na sua esquina, assim como em Sochi”, ele compara. O analista critica a postura, que impede ter uma ideia do cenário real da segurança global frente ao mundo conectado – estigmatizando o país sede como “os russos malvados”.
As críticas são especialmente direcionadas à cobertura da rede americana NBC, e usa inclusive aspas do jornalista Richard Engle, que conduziu um experimento com uma equipe local russae a descreveu em uma matéria para provar como eles foram hackeados em seus dispositivos móveis.
O maior engano, de acordo com o especialista do Gartner, é que nada descrito requer que os hackers estejam na Rússia. “Na verdade, eu aposto que os ‘russos’ que foram hackeados foram espertos o bastante para rotear seu tráfego por meio de máquinas comprometidas na China. Isso seria uma virada interessante e irônica, mas tiraria o apelo da história”, comenta.
Em resumo, para que toda a invasão aconteça, não é preciso estar em um lugar específico. E aqui está a armadilha – a imprensa perdeu a oportunidade de pontuar que você não está seguro em lugar nenhum “e que seu comportamento é o fator decisivo no seu risco de ser hackeado, independentemente de sua localização”, conclui.
Proctor ainda provoca a equipe da NBC a conduzir o mesmo experimento feito em Sochi no Starbucks no centro de Manhattan. “Esses mesmos ‘russos malvados’ estarão esperando por eles… e por você”, finaliza.
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