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Adoção de SaaS muda dinâmicas de emprego para desenvolvedores de software

A princípio, deveria ser fácil para os desenvolvedores de software encontrarem emprego: A força de trabalho do setor nos Estados Unidos cresceu em 132 mil cargos no ano passado, chegadando a 1,235 milhões de profissionais este ano, de acordo com o Departamento de Trabalho do governo americano.

E a demanda por desenvolvedores de aplicação segue quente, com elevação de salários e benefícios. Empregadores oferecem diveras vantagens para atrair e reter talentos. De acordo com a consultoria Foote Partners, os bônus para esses profissionais cresceram 9% em um intervalo de dois anos.

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Apesar disso, uma pesquisa recente da empresa Computer Economics, realizada com 200 companhias de médio e grande porte, descobriu que programadores compõem menos de 20% do contingente dentro dos departamentos de TI este ano, comparados a pouco mais de 22% em 2012.

O declínio pode ser atribuído a uma mudança de panorama, mas pode também ser parte de um esforço significativo das empresas para aderir às aplicações software como serviço (SaaS). Conforme aumenta o número de companhias de TI substituindo seus sistemas desenvolvidos internamentes a favor de ofertas de software como serviço, a demanda por programadores diminui, analisa o vice-presidente de pesquisa da Computer Economics, John Longwell.

“Apesar disso, elas ainda precisam de programadores para manutenção, suporte e integração das aplicações corporativas”, equaliza o executivo.

Enquanto o número de vagas em programação diminui no time dos CIOs, novas oportunidades se apresentam em provedores de serviços de hospedagem. Eles crescem e boa parte dessas empresas conta com vagas abertas para programadores. Mas a mudança de setor nem sempre é fácil.

Transição

Dane Atkinson, CEO e fundador da empresa de analytics SumAll.com, afirmou receber de bom grado candidatos de departamentos corporativos de TI. As vagas disponíveis são para engenheiros front-end, back-end, de dados e plataformas. Ele admite que a mudança para uma startup, como a SumAll, pode ser assustadora pata veteranos do setor corporativo.

“Infelizmente, o mundo dos fornecedores de SaaS não costuma ser o destino desses desenvolvedores. Não porque elas não querem, mas porque, para um engenheiro, seria como abandonar a Marinha para ingressar como tripulante em um navio pirata”, compara o executivo.

Apesar do discurso, a SumAll tem em suas fileiras empregados vindos de departamentos de TI de grandes empresas. Atkinson cita liderança e habilidades políticas junto às técnicas como algumas das qualificações desses funcionários, acrescentando que a empresa também procura pessoas com inclinações empreendedoras.

Alguns empregos focados em tecnologias em nuvem apenas não são o certo para o pessoal de TI corporativo. Por exemplo, a Formotus, que oferece uma plataforma cloud para que não desenvolvedores criem modelos de negócio para dispositivos móveis, primeiramente contrata desenvolvedores com experiência na construção de plataformas e eles não costumam ser provenientes de departamentos de TI, indica sua CEO, Adriana Neagu.

A Formotus, que usa Azure e .Net, está contratando pessoas especializadas em bancos de dados e em ajustes de desempenho. A maioria de seus contratados é interna e – notoriamente – 70% de seus engenheiros são mulheres. A empresa se esforça para atrair pessoas que “precisam encontrar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal”, ressalta Adriana.

Mas a migração para SaaS pode estar criando sua própria gama de oportunidades, aponta John Wigginton, vice-presidente de TI global da Fleetmatics, que fornece serviços hospedados de rastreamento GPS.

“Uma forma de se manter relevante e contratável é desenvolver habilidades no desenvolvimento de ferramentas equipadas com tecnologias SaaS, como Salesforce e NetSuite. Nem todos os aplicativos SaaS se encaixam a todas as empresas possíveis, oferecendo uma oportunidade em sua customização”, assinala Wigginton.

Apesar das mudanças no mercado, trabalhadores que desejam permanecer no setor de TI corporativo podem achar este ano melhor que o último. Após pesquisar grandes empregadores nos Estados Unidos e na Europa, o Hackett Group (consultor de gerenciamento) prevê um crescimento de 3,3% no setor de TI corporativo americano este ano contra 1,3% em 2014. Mas não é exatamente uma onda e o Hackett reportou regularmente um declínio nos empregos em TI devido ao outsourcing para outros países.

Explicando o panorama deste ano, Scott Holland, líder de práticas do programa de aconselhamento em TI do Hackett, disse que as empresas querem um alinhamento melhor entre os negócios e TI, então procuram pessoas que entendam o impacto que a tecnologia tem no sucesso de uma organização.

Outsourcing continua

Enquanto outras mudanças podem estar se aproximando, offshoring continua a afetar o mercado de trabalho: o número de CIOs que planejam mandar seu contingente para o exterior aumentou em relação ao ano passado, de acordo com uma pesquisa global com 4 mil executivos de TI feita em parceria pela Harvey Nash e a KPMG.

E não é somente com os provedores estrangeiros de TI que os profissionais precisam se preocupar. Recrutadoras como a Toptal tornaram mais fácil do que nunca a contratação de talentos estrangeiros por empresas americanas: ela recruta desenvolvedores freelancers ao redor do globo (cerca de 80% não são americanos) e opera um processo de habilitação rigoroso que inclui entrevistas e testes técnicos.

“Cerca de apenas 3% dos desenvolvedores passam”, afirma seu CEO, Taso Du Val. Ele reconhece que as empresas americanas podem economizar dinheiro ao contratar funcionários estrangeiros, mas reforça que a habilidade de sua empresa em entregar talento de qualidade é mais importante.

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itmidia
Tags: cloud públicaEmpregosgestão de equipeSaaS
11 anos ago

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