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A vida além da corporação

Qual é a sua primeira impressão ao ouvir falar de coisas como física quântica, novos modelos organizacionais, quebra de padrões mentais e nova ciência? Se, ao escutar um destes termos seu pensamento te levar à ideia de exotérico, ocultismo ou ainda autoajuda, é melhor você começar, urgente, a pesquisar sobre os temas.

Cada vez mais nos relacionamos com o tal pessoal da geração Y (isto, se você leitor, já não for um desta espécie quase extraterrena), que chega para quebrar tudo quanto é regra existente. Se, por um lado, a liberdade desta geração pode causar algum incômodo, por outro, nem mesmo os profissionais mais antigos suportam o modelo atual vigente.
E não há quem não esteve nesta encruzilhada: entre o que é novo, legal e livre versus as regras predominantes e impostas ? sabe-se lá por quem ? e mantidas há anos a fio porque sempre ?deram resultado?. Vale ressaltar: ?os mesmos resultados?.

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Empresas inovadoras não almejam estes ?mesmos resultados?, querem outras dinâmicas, outras fontes de recursos e lucros, querem liberdade e autonomia ao mesmo tempo (lembrou do Google?).

Um dia, lá pelos idos de 2003, estava nesta encruzilhada Claudio Emanuel Menezes, sócio e fundador da Disoft, empresa de tecnologia há mais de 25 anos no mercado. ?Não suportava mais ir à minha própria empresa?, admite Menezes, ao afirmar: ?eu saí da área de tecnologia de um banco, em 1983. Pensei em abrir minha empresa com uma premissa muito sólida: ela tinha de ser uma empresa legal.?

E, assim, Menezes foi tocando o negócio, até chegar a este tal momento em que se quer o controle de tudo ? nesta hora, nota-se que as relações estão desgastadas, não há mais confiança – e, para isso, há uma condiçãozinha bem básica: ganha-se o controle e o inferno na vida.  ?Eu tinha o controle. Mas não tinha criatividade, inovação e nem vontade naquele ambiente?.

Apesar do cenário nada empolgante, Menezes conta que havia uma intenção sincera de ser produtivo, criativo, eficiente e, sobretudo, comprometido com o cliente. Muitas alternativas foram colocadas na mesa: motivação total dos colaboradores e até aquela que parece, a priori, convencer qualquer um: alta remuneração. Mas a situação continuava chata, para ser claro.

?Certa vez, percebi que esse assunto de motivação é um lance intrínseco. Tem a ver com o que a pessoa é, quer e pensa sobre ela mesma. Este olhar tira você de um olhar individual (o indivíduo e sua vida profissional) e o leva a um olhar sistêmico, em que o comprometimento está em todas as relações, inclusive pessoais, onde tudo e todos estão integrados?, conta.

A partir de então, Menezes foi atrás de literaturas que embasassem seu insight. Alguns autores, como Peter Senge (autor de ?Presença? e criador do conceito de empresa progressista, no qual a gestão da Disoft está baseada) e Roberto Tranjan (autor de ?A empresa de corpo, mente e alma?), marcavam esta nova fase.

?O livro do Tranjan mostra essa mudança da era industrial para a era do conhecimento?, conta. E aí é que entram outras novas literaturas, que tratam exatamente da física quântica e a nova ciência. Em ?Liderança e a nova Ciência?, Margaret Wheatley, trata justamente da quebra de modelos mentais já estabelecidos para se abrir a tantas outras possibilidades que não podem ser vistas sem essa quebra, tudo explicado por meio de estudos científicos provenientes da física quântica.

De forma bem resumida, segundo a autora, a ?velha ciência? proveniente de Isac Newton, e a engenharia desenvolvida na revolução industrial estabelecem que as relações serão dadas em ?partes e peças?. Eis um padrão mental vigente. Mas pronto para cair, uma vez que se percebe que nenhum organismo ? nenhuma empresa ? está separado, sozinho.
A partir desta percepção, Menezes resolveu, em 2003, mudar completamente o modelo de gestão da empresa. Para começar, a companhia decidiu não adotar os cargos tradicionais ? ?Uso o título de presidente apenas externamente, mas aqui ninguém me enxerga assim?. Sem nenhuma referência de cargo, começou-se a desenhar as funções de cada colaborador dentro de células e cada um desses núcleos celulares possuiria um líder.

Assim, todas as células se intercomunicam e esta interdependência garante que todas elas estejam claramente expostas em seu funcionamento. Isto é, embora não haja controle, a interligação garante que se um destes organismos falhar, todos sentirão o efeito, e poderão corrigir tal falha para que o erro não vire um problema. Resumindo: é como se a empresa fosse uma mesa ? se uma das pernas ficar bamba, isto é percebido imediatamente.

?Chamamos estes núcleos de empreendimentos – células voltadas para dentro da empresa – que suportam as unidades de negócio – voltadas para fora da empresa. Por exemplo, dentro do empreendimento denominado Gente existe uma célula chamada ?garimpo?, uma ?lapidação? e outra ?cuidando de você?. E por aí vai…?, explica.

Hoje, a Disoft conta com 120 funcionários. Pela sexta vez consecutiva está na lista das melhores empresas de TI para se trabalhar, segundo levantamento feito pelo instituto . Há todo um cuidado para que os colaboradores tenham a mesma visão, bem como os parceiros de negócios e os próprios clientes. ?Em 2008, sofremos muito com a crise. E decidimos nos relacionar com empresas que estivessem com o mesmo pensamento?, afirma Menezes.

Quando questionado sobre o crescimento da empresa, Menezes é enfático ao dizer: ?No primeiro trimestre, crescemos 87%. Metade disso veio de novas unidades de negócios. Isto é, áreas estimuladas pela criatividade. Eu falo um número, porque você me pede, mas não é como medimos a empresa. Sabemos que estamos no caminho certo porque atraímos pessoas, fornecedores e clientes tão inovadores quanto a gente?.

Foi fácil chegar até aqui? ?Faço um estudo permanente disso. Mas garanto uma coisa: é preciso desaprender o que foi aprendido para enxergar esta possibilidade de gestão. São muitos dilemas no caminho, mas estamos determinados a achar as respostas?.

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Redação
12 anos ago

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