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A IA é espelho ou armadilha da humanidade?

Imagem: Shutterstock

Não obstante o fato que o uso das bombas atômicas permanece um assunto controverso e com debates sobre justificativas morais, éticas e estratégicas; sabemos que a bomba atômica utilizada no Japão foi criada pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial para forçar a rendição dos japoneses e evitar uma invasão terrestre que seria, segundo estimativas, altamente mortífera para as tropas americanas. Além disso, historiadores sugerem que os EUA também estavam interessados em mostrar sua força militar para o mundo.

Começo essa reflexão, resgatando o tema bomba atômica, para fazer uma analogia com a Inteligência Artificial no sentido de que as criações humanas podem ser magnânimas, mas também destrutivas para os próprios criadores e pontuar que o estudo do passado não nos capacita a prever o futuro, como aliás a história nos mostra com muita nitidez.

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Segundo Yuval Noah Harari, em seu livro NEXUS, “o futuro será moldado pelas escolhas que todos nós fizermos em anos vindouros….ao fazermos escolhas conscientes, podemos evitar desfechos mais desastrosos. Se não pudermos mudar o futuro, por que perder tempo discutindo sobre ele?”

Pegando esse gancho de Harari, nós, sapiens, somos tidos como os seres mais sábios de todas as espécies; se assim o é. Por outro lado, porque somos tão destrutivos para com o planeta e outras espécies e autodestrutivos?

Leia também: Na indústria do futuro, o Brasil quer protagonismo: Vivix e Siemens destacam soluções locais em Realize Live 2025

Conseguimos produzir uma infinidade de coisas para nós mesmos e nossa sobrevivência, incluindo máquinas de todos os tipos, construções, livros, internet, algoritmos, mísseis nucleares, vacinas, remédios, artes, o que prova nossa impressionante capacidade de criar e realizar. Por outro lado, somos vulneráveis, falíveis, corruptíveis, arrogantes e; por vezes nos perdemos no poder, não conseguindo nos controlar e somos destruídos por nossas próprias criações. O que explica isso?

Constata-se que os seres humanos têm pouca sabedoria, o que implica dizer que o poder que a nossa espécie tanto almeja, sem sabedoria, pode levar a desastres incomensuráveis.

A IA é alimentada com informações produzidas por nós, seres humanos. Sabemos que informações são manipuladas em nome de uma ordem pretendida por poucos que estão no poder para manter um “controle” para permanência e manutenção de certos interesses. Isso sempre foi assim e ainda o é.

Ao criarmos a IA que pode escapar do controle, ao ser manipulada por interesses, precisamos ter em mente que, assim como tudo que criamos e operamos, a sabedoria deve imperar para ser um instrumento benéfico para todos os seres e o planeta.

Segundo a pesquisa “The state of AI in early 2024: Gen AI adoption spikes and starts to generate value”, realizada pela McKinsey, o interesse no uso da Inteligência Artificial (IA) tem aumentando nos últimos seis anos e atingido não só as pessoas, mas também as organizações. Em 2024, 72% das empresas do mundo já adotaram essa tecnologia, um avanço significativo comparado aos 55% em 2023.

As coisas vêm e vão com outras “roupagens”, por isso precisamos ter a humildade de saber que apesar de todo o nosso potencial, somos falhos e devemos evitar ilusões, fantasias sobre alguma ferramenta sobre humana, pois afinal estamos por trás de tudo o que acontece e o que é criado para o bem e para o mal.

Podemos estar depositando muita expectativa em cima de uma ferramenta, como a IA, porém não devemos nos esquecer que tais ilusões já adotaram outras formas, aliás ainda ocorrem em um formato diferente como, por exemplo, a religião, que gera ainda conflitos e destruição por todo o mundo.

Outra pesquisa feita pelo Google e a Ipsos, sobre a relação do público com a inteligência artificial, mostra que 54% dos brasileiros utilizaram a IA generativa em 2024, enquanto a média global foi de 48%. Além disso, 65% dos respondentes no Brasil estão confiantes em relação às possibilidades da IA, número que supera a média mundial de 57%.

E ainda outro estudo “IA Generativa: O que os consumidores desejam”, realizado pela Thoughtworks com 10 mil consumidores de 10 países, aponta que o Brasil é o segundo país mais entusiasmado com a Inteligência Artificial Generativa, atrás apenas da Índia.

Tenhamos muita cautela com as informações disseminadas, senso crítico sobre elas. A manipulação sempre existiu, existe e existirá. A nossa espécie é falha e tem fraquezas inúmeras. Vale a pena refletir.

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Published by
Pamela Sousa
Tags: humanidadeIA
1 ano ago

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