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A evolução das redes para suportar a Internet das Coisas

Clientes me perguntam com frequência se a infraestrutura atual das redes de dados das empresas será capaz de suportar o tsunami de informações criado pela Internet das Coisas (IoT). Gosto de respostas pragmáticas para perguntas desse tipo. Não, as redes de TI (tecnologia da informação) e de TA (tecnologia de automação) das empresas não estão preparadas para suportar a revolução que a IoT trará, nem mesmo suas arquiteturas foram projetadas para isso.

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A próxima pergunta é: por que não?

As empresas, de maneira geral, já se deparam com uma enorme quantidade de tráfego em suas redes e em seus ativos de data center, muito em razão da explosão de demanda por mobilidade, vídeo e aplicações em nuvem. De acordo com o Cisco Visual Net Index, as transformações nas redes serão aceleradas pelo crescimento exponencial do tráfego IP, do uso da cloud, da mobilidade, do vídeo e do tráfego M2M (machine to machine). Somente o tráfego IP crescerá 300%, para 1.4 Zettabytes anuais em 2017.

Independente do setor de atuação, toda empresa deve se tornar mais digital, mais conectada. Uma fábrica, uma mina, um poço de petróleo, cada setor pode tirar proveito da Internet das Coisas digitalizando seus processos e dados, conectando seus usuários e equipamentos, gerando informação útil para a tomada de decisão.

Em meio a esse ambiente, surge o que chamamos de a Era das Redes Programáveis, ou Evolved Programmable Network (EPN), uma nova arquitetura baseada nas inovações trazidas pela SDN (redes baseadas em software), pela NFV (virtualização de funções de rede), pelo Fog Computing (inteligência distribuída) e pela orquestração centralizada de serviços da rede, totalmente programável, multicamadas e flexível.

A EPN se propõe a melhorar a infraestrutura da rede unindo dispositivos físicos e virtuais para formar um “fabric multilayer” unificado e fim a fim, necessário para uma rede elástica, segura e programável que será estendida até o data center. Para aplicações real-time de IoT, que requerem latência preditiva, um conceito importante surge. O “Fog Computing” é um paradigma que estende os serviços de cloud para a borda da rede. Similar à cloud, a fog provê dados, poder computacional, armazenamento e serviços de aplicações. O que diferencia a fog da cloud é a proximidade com o usuário final, sua distribuição geográfica densa e seu suporte à mobilidade.

A infraestrutura IP precisará estar voltada à aplicação e não voltada a si mesma. Na atualidade, a aplicação se adéqua a rede. A realidade da internet das coisas modifica essa lógica. A rede se adéqua a aplicação. Portanto, para suportar a revolução causada pela Internet das Coisas, as empresas precisarão atualizar suas redes para um modelo EPN para que elas se tornem:

• Dinâmicas, ou seja, redes elásticas que tomam vantagem das inovações trazidas pelo NFV e pelo Fog Computing
• Flexíveis, que entendem as aplicações e ajustam a sua engenharia de tráfego à medida que a aplicação demanda, utilizando-se para isso das vantagens de um modelo de arquitetura baseada em SDN
• Programáveis, que possua recursos de rede com APIs (interfaces de programação) abertas, que permitem interação direta do plano de controle das redes com as camadas de aplicação

Desde o começo dos tempos, animais e humanos se diferenciaram do resto do mundo físico por meio do processamento de algum nível de consciência – um estado de consciência e uma habilidade para reagir ao mundo físico, em contraste com objetos e coisas inanimadas que não tem, ou não tinham até então, capacidade sensorial e de “consciência” dessa informação. A IoT vem para mudar esse estado catatônico inanimado. O desenvolvimento de sensores, processamento e tecnologia de redes permite agora que objetos tenham algum tipo de consciência. Na era da Internet das Coisas, as EPN (Evolved Programmable Networks) serão o centro nervoso dessa nova consciência digital.
*Lucas Pinz é gerente sênior de Tecnologia na PromonLogicalis
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Published by
Redação
Tags: internet das coisasIoTRede
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