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O tão sonhado nicho de mercado das pequenas e médias empresas… existe uma unanimidade em torno das provedoras de tecnologia – e isso se aplica especialmente às de grande porte – da necessidade de crescer nesse ambiente, que seria ainda um oceano azul, livre da competição e com demanda reprimida de investimento em TI, por conta dos tempos antigos de investimento em infraestrutura que não existem mais na era de cloud computing. Mas sair do papel e ir para ação é um pouco mais complicado.
Carlos Kazuo Tomomitsu era originário da Procwork, adquirida em meados dos anos 2000 pela Sonda IT para fortalecer o braço de software do conglomerado. Entre os anos de 2010 e 2011, Tomomitsu ficou a cargo de um projeto que criaria um portal fiscal, para fomentar as ofertas de tecnologia da marca, com foco nas mudanças que a informatização da Receita, trazida pelo Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), trariam ao mercado. O projeto corria muito bem, com o detalhe de que não saiu do papel.
“Era esperado um ticket médio muito baixo para um atendimento muito complexo. No final de 2011 o projeto foi abortado”, explicou o executivo em entrevista à CRN Brasil.
Com formação em contabilidade e insatisfação com a atuação em uma cadeira executivo – como o próprio executivo explica, ele estava cansado de tomar cafezinho e fazer poucas coisas inovadoras – Tomomitsu decidiu sair da companhia, em 2011, e criar uma empresa para focar no público de pequenas e médias empresas, em especial de escritórios de contabilidade. Foi então que com a Keep True, retomou o projeto criado na Sonda IT, com foco em atender, especialmente, escritórios de contabilidade, ainda pouco informatizados no País. Para este ano, a companhia já conta com sete milhões de reais em faturamento.
A empresa foi formatada em uma parceria coma FiscoSoft, que oferta os conteúdos tributários necessários para a atualização dos softwares – que vão de emissão de Nota Fiscal Eletrônica a serviços de BPO – totalmente ofertados em nuvem.
Mas por que faz sentido uma oferta dentro da nova empresa de Tomomitsu para pequenas e médias empresas se a solução perdeu apelo dentro de uma reconhecida pela excelência empresa de grande porte? Segundo o executivo, neste caso, proximidade é tudo. E empresas de menor porte precisam de fornecedores que falem a sua língua e entendam suas dores, o que ele, garante, sabe por conhecer a área de controladora das empresas, bagagem obtida em sua função como contador. “Hoje eu conheço 80% das dores das pequenas empresas. Eu chego em uma reunião e consigo explicar as soluções, falando sua língua”, pontuou. “A informação tributária é mutante, e isso gera risco fiscal”, explicou. Como esses pequenos escritórios atendem empresas também de menor porte, a companhia identificou que seria o melhor ofertar a solução para esses fornecedores de contabilidade, e não para as companhias diretamente – afinal, o consenso é de que essa mão de obra é papel do contador, e não da PME. “Este é um outro perfil”, explicou.
Ele diz que continua tomando muito café. Mas, agora, para ficar acordado e conseguir atender à demanda de seus clientes.
*Alterada às 16h30 para correção de informação. O executivo não fundou a Procwork, mas se tornou sócio de parte da empresa nos anos 2000
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