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  3. IA generativa define a nova era da saúde digital

IA generativa define a nova era da saúde digital

Publicado: 30/09/2025 às 15:36

Leitura 3 minutos

DÉBORAH OLIVEIRA (MEDIAÇÃO), RAFAEL ROMER (TEXTO E PRODUÇÃO), GEORGES NABAHAN (PESQUISA)

AILTON BRANDÃO, CONSELHEIRO CONSULTIVO DA IN2LIFE

CAPTAÇÃO E EDIÇÃO DE VÍDEO: VORAZ FILMES

Impulsionada por metas de eficiência e pela demanda por jornadas digitais mais inteligentes, a saúde tem acelerado sua transformação tecnológica nos últimos anos. No segundo episódio da temporada 2025 do IT Forum Series, discutimos como o setor redesenha a experiência do paciente enquanto enfrenta a onda de IA generativa e fortalece a segurança de dados.

A conversa contou com a presença de Ailton Brandão, conselheiro consultivo da In2Life, e insights do analista de inteligência, Georges Nabahan.

IA generativa alavanca transformações

A inteligência artificial não é novidade no setor de saúde. Há mais de uma década, aplicações de IA tradicional, como o machine learning, vêm sendo utilizadas por organizações da área. A verdadeira inovação é a mudança de patamar provocada pela IA generativa. Segundo dados da pesquisa Antes da TI, a Estratégia, realizada pelo IT Forum com líderes de tecnologia das maiores empresas do país, a adoção desse recurso saltou de 10% para 30% desde o ano passado.

Na prática, a IA generativa deixou de ser um experimento periférico e passou a orientar operações mais eficientes, além de novos modelos de experiência e cuidado. “A vantagem da IA generativa é que ela envolve a alta liderança. Não é algo restrito ao porão da TI”, avalia Brandão. Para o executivo, que soma mais de 20 anos de trajetória em TI e ampla vivência no setor de saúde, o movimento segue um roteiro típico: casos internacionais ganham visibilidade, fornecedores especializados trazem soluções validadas e, no Brasil, as organizações iniciam pilotos e POCs antes de escalar.

No front assistencial, modelos generativos já apoiam triagens em telemedicina, organizam sintomas e direcionam o paciente ao canal adequado. No relacionamento, chatbots e assistentes automatizam tarefas como agendamentos e esclarecimento de dúvidas transacionais. E, no núcleo operacional, algoritmos acoplados a equipamentos de imagem reduzem o tempo de captura, ampliando a capacidade diária de exames – “um investimento que se paga rapidamente”, observa o executivo.

A expansão, contudo, é gradual e controlada. “O paciente sempre fica no final da linha, porque até chegar nele é preciso muito controle, atenção à qualidade e segurança”, afirma. Em um cenário em que a IA generativa começa a atuar tanto na triagem clínica quanto no back-office, Brandão defende a criação de comitês multidisciplinares que definam limites e responsabilidades claros para o uso da tecnologia. “Para IA na saúde, é indispensável um núcleo de ética que defina parâmetros, mitigue vieses e teste exaustivamente”, afirma.

Na prática, isso significa estabelecer políticas de dados (origem, qualidade, consentimento), critérios de explicabilidade e rastreabilidade de modelos, protocolos de validação clínica com revisão humana, planos de contingência para alucinações e fluxos de auditoria contínua. O objetivo é equilibrar inovação e segurança: proteger o paciente e a privacidade, reduzir riscos operacionais e assegurar que ganhos de eficiência não comprometam a qualidade assistencial.

O futuro do setor de saúde

Como líderes de TI do setor de saúde podem colocar em prática a arte de imaginar futuros e inovar? Nesse relatório, a área de Estudos e Inteligência do IT Forum traz insights valiosos, frutos do estudo ‘Antes da TI, a Estratégia’, e reflete sobre a associação entre propósito, ética e estratégia nos processos de inovação. Baixe agora!

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Segurança e privacidade assumem protagonismo

O avanço da IA entre organizações de saúde, no entanto, acende o alerta vermelho para a atuação da TI em outra frente. Com mais dados em circulação, segurança e privacidade assumem protagonismo.

Em 2025, 62% dos executivos do setor apontam o tema como principal preocupação, segundo a pesquisa Antes da TI, a Estratégia, superando a inteligência de dados para decisão, que liderava em 2024. Para Brandão, trata-se de uma evolução. “No início, a atenção à cibersegurança era muito pequena. Hoje, o investimento em segurança é prioridade”, afirma.

A LGPD oferece base legal, mas o vácuo regulatório específico da IA exige governança própria. Brandão recomenda a criação de comitês de ética para IA – uma extensão natural dos comitês de ética médica e de pesquisa – e a integração entre cibersegurança, jurídico e áreas assistenciais.

O ponto crítico, segundo ele, é cultural. “Não adianta ter todas as proteções no computador se alguém imprime um prontuário e o deixa em cima da mesa.”

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Para IA na saúde, é indispensável um núcleo de ética que defina parâmetros, mitigue vieses e teste exaustivamente
Ailton Brandão - Conselheiro consultivo da In2Life

Experiência digital e o caminho para o Open Health

A digitalização da jornada do paciente avança por aplicativos e portais. De acordo com a Antes da TI, a Estratégia, 76% dos CIOs da saúde investem em mobile apps ou super apps. O objetivo é oferecer serviços como acesso a exames, envio de resultados ao médico e agendamento de consultas, com usabilidade repensada para o contexto móvel. “Um erro muito grande foi portar telas de portais para o mobile. A usabilidade tem que ser revista”, diz Brandão, reforçando o papel de design e product management para reduzir atritos em “poucos cliques”.

O passo seguinte é integrar o oceano de dados gerados por wearables, celulares e sistemas clínicos. Conceitualmente, o Open Health e padrões de interoperabilidade já permitem trocas seguras entre hospitais, operadoras, clínicas e indústria. Na prática, a adoção ainda é inicial, travada por interesses difusos e falta de confiança na cadeia. Para destravar, Brandão defende regras claras que reafirmem a titularidade do dado: “O paciente deveria ser o grande orquestrador desse uso. Não dá para imaginar que o serviço de saúde é o dono da informação. O dono é o paciente.” Isso exige educação do público sobre direitos e consentimento – condição para que carteiras digitais de saúde e compartilhamentos granulares virem realidade.

Entre custos recorrentes de desenvolvimento, risco de obsolescência de aplicativos e necessidade de interoperabilidade, o norte permanece o mesmo: manter o paciente no centro, com segurança e valor clínico. “Estamos apenas no começo dessa curva de inovação”, conclui Brandão. O quanto a IA generativa, a proteção de dados e a experiência integrada conseguirem andar juntas determinará a qualidade – e a equidade – da saúde digital nos próximos anos.

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