93% das empresas brasileiras recorrem a modelos terceirizados ou híbridos para operar centros de segurança

Estudo da Kaspersky aponta que a dificuldade de manter monitoramento 24/7 e equipes especializadas impulsiona a adoção de SOCs gerenciados

Publicado:

Leitura 4 minutos

setores de TI, Leega, certificados digitais, cibersegurança, segurança, empresas, hackers chineses, empresas brasileiras
Imagem: Shutterstock

A terceirização das operações de segurança cibernética vem se consolidando como estratégia predominante entre as empresas brasileiras. Levantamento realizado pela Kaspersky mostra que 93% das organizações do país já priorizam modelos híbridos ou terceirizados para operar seus Centros de Operações de Segurança (SOCs), movimento impulsionado pela crescente complexidade das ameaças digitais e pela dificuldade de manter estruturas especializadas internamente.

Segundo a pesquisa, 56% das empresas planejam terceirizar ao menos parte das atividades do SOC, enquanto 37% pretendem adotar integralmente o modelo de SOC como Serviço (SOCaaS). Em contrapartida, apenas 7% consideram desenvolver essa capacidade exclusivamente com recursos próprios.

As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

Os dados refletem os desafios enfrentados pelas organizações para sustentar operações contínuas de segurança, incluindo a necessidade de monitoramento permanente, contratação de profissionais qualificados e investimentos em infraestrutura tecnológica.

De acordo com o estudo, a principal motivação para a adoção desses modelos está na necessidade de garantir monitoramento contínuo, sete dias por semana e 24 horas por dia, uma capacidade que poucas empresas conseguem manter integralmente com equipes internas.

Além do acompanhamento permanente dos ambientes digitais, a terceirização permite transferir atividades como análise de alertas, resposta a incidentes e monitoramento de ameaças para fornecedores especializados, reduzindo a pressão operacional sobre os times internos.

Leia mais: Falhas de governança podem levar 40% das empresas a limitar agentes de IA

Mercado de serviços gerenciados ganha espaço

A pesquisa indica que o cenário abre novas oportunidades para integradores, revendedores e prestadores de serviços de tecnologia ampliarem sua atuação além da comercialização de produtos e licenças.

Entre os serviços mais demandados pelas empresas estão monitoramento contínuo, detecção e resposta a incidentes, análise de ameaças e gestão de alertas, atividades que exigem operação ininterrupta e mão de obra altamente especializada.

A necessidade de profissionais qualificados também aparece como um dos fatores que impulsionam a terceirização. Os cargos mais procurados em modelos terceirizados são os de primeira linha, citados por 56% das organizações, e os de segunda linha, mencionados por 50%.

Na prática, o levantamento mostra que muitas empresas optam por manter internamente as decisões estratégicas relacionadas à segurança, enquanto delegam a fornecedores especializados as atividades operacionais e técnicas do dia a dia.

Monitoramento contínuo e conformidade impulsionam demanda

Além da necessidade de vigilância permanente, outros fatores contribuem para a adoção de SOCs gerenciados. Entre eles estão a redução da carga de trabalho das equipes internas, apontada por 35% dos entrevistados, e o acesso a tecnologias avançadas, citado por 26%.

As exigências regulatórias também aparecem entre os motivadores da terceirização. Segundo a pesquisa, 31% das organizações enxergam os requisitos de conformidade e governança como fatores relevantes para buscar apoio externo na gestão da segurança.

Para fornecedores de tecnologia, o avanço dos SOCs gerenciados representa uma oportunidade de transformação do modelo de negócios, com potencial para ampliar receitas recorrentes, elevar o valor agregado dos contratos e aumentar a retenção de clientes.

“A adoção dos SOCs gerenciados está marcando um ponto de virada na forma como o valor é construído na cibersegurança. Parceiros que integram essas capacidades não estão apenas expandindo seu portfólio, mas também entrando em uma camada muito mais crítica do negócio de seus clientes, onde a prioridade é garantir continuidade, resiliência e resposta a incidentes em tempo real. Por isso, a automação auxilia na gestão da ingestão de dados, classificação de alertas e respostas combinadas de ciberinteligência. Nesse contexto, o SOC deixa de ser uma função técnica e se torna um facilitador estratégico que redefine a relação com o cliente, passando de intervenções pontuais para acompanhamento constante baseado em confiança e resultados”, diz Bruno Jordão, diretor de canais corporativos da Kaspersky no Brasil.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Sobre o Autor

A redação contempla textos de caráter informativo produzidos pela equipe de jornalistas do IT Forum.

Ver publicações deste autor

Notícias relacionadas

Ver mais Seta para direita