Falta de competências digitais reforça desigualdades sociais no Brasil

Grande parte dos brasileiros tem apenas habilidades básicas que pouco ajudam na empregabilidade e geração de renda

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O Brasil tem a quarta maior população on-line do mundo: sete entre dez brasileiros estão conectados e passam, em média, nove horas por dia na web. No entanto, o País é ainda digitalmente imaturos. As habilidades digitais dos talentos são limitadas e pouco impactam na produtividade, empregabilidade e geração de renda. A população acessa ferramentas digitais, mas praticamente não as utiliza para criar porque não temos as competências necessárias. A conclusão é do Índice de Maturidade Digital, elaborado pelo Google e pela consultoria McKinsey.

“Percebemos que as desigualdades no domínio de competências digitais espelham as desigualdades de gênero, raça e idade ainda muito grandes no país”, aponta a pesquisa. Foram entrevistados cerca de 2,5 mil brasileiros de 15 a 60 anos em 28 cidades das cinco regiões do País.

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As respostas mostraram que as pessoas mais velhas e a população de baixa renda são os que têm menos habilidades digitais. Nessa lista ainda entram mulheres jovens, o que justifica a estatística de que 1 entre 10 candidatos que se apresentam para trabalhar com TI é mulher.

A falta de habilidades digitais mais técnicas aos brasileiros reflete diretamente no desenvolvimento econômico e social do País. A estimativa é de que um trabalhador poderia acrescentar até R$ 380,00 ( 40% do salário mínimo) na sua renda ao adquirir habilidades como trabalhar com sistemas de dados e machine learning. Além disso, a digitalização aumentaria sua empregabilidade. O estudo também calcula que o desenvolvimento de competências digitais na força de trabalho poderia adicionar cerca de US$ 70 bilhões ao PIB até 2025.

“Competências digitais são imprescindíveis para ampliarmos as oportunidades profissionais a uma camada da população que hoje está à margem do mercado. O Brasil precisa acelerar as competências desses profissionais para crescer”, afirma Luiz Alberto Ferla, fundador e CEO do DOT digital group, empresa de Florianópolis que
atua na educação digital. Para ele, as tecnologias educacionais são fundamentais para aumentar a maturidade digital do brasileiro. “A tecnologia possibilita capacitar em larga escala e acompanhar o engajamento e desempenho em tempo real”, explica o empresário.

O DOT já treinou mais de de 5 milhões de pessoas com suas plataformas digitais. O objetivo da empresa é duplicar o número em cinco anos utilizando tecnologias de ponta. A empresa tem clientes como Santander, C&A, ENGIE Energia, Natura e Honda. No primeiro trimestre abriu sua primeira operação internacional, em Lisboa, uma joint-venture em parceria com a Vantagem+, empresa tradicional de Portugal na área de treinamento corporativo.

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