Como evitar que a organização afogue-se em um oceano de dados

O grande pré-requisito para se submergir neste oceano de informações é ter um conhecimento profundo a respeito da organização.

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Muito
já foi dito a respeito da importância de armazenar e analisar volumes
imensos de informações em uma organização. No entanto, começar qualquer
iniciativa de Big Data sem antes identificar quais são as
perguntas corretas a serem feitas sobre seu negócio, poderá fazer com
que você se afogue em um oceano de dados. Muitas vezes, as correlações
entre diferentes variáveis não farão sentido algum. Por exemplo, a
relação entre o acréscimo no consumo de tubos de cobre e o aumento da
taxa de chuvas nada significa, além de uma simples hipótese. Por isso,
cruzar informações sem antes identificar todas as variáveis poderá ser,
além da perda de tempo, um risco. 

Informações
isoladas mostram o que ocorreu no passado e qual foi o resultado, porém
quando relacionamos ações, metas e desempenho, podemos medir a eficácia
do que foi feito e prever cenários. Fazendo uma analogia: é como um
tanque de combustível de um veículo cheio. Sozinho não permite
identificar muito além do volume em litros. Porém, quando combinado com a
motorização do veículo, distância percorrida, consumo médio, percurso e
velocidade média, esse informação possibilita-nos uma visão analítica,
explorando padrões e tirando conclusões com embasamento concreto.

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O
grande pré-requisito para se submergir neste oceano de informações é
ter um conhecimento profundo a respeito da organização. Ao ter uma visão
clara da estratégia de sua empresa – que envolve essencialmente uma
carta diretriz e um plano de negócios – será possível identificar quais
são os dados que necessitamos para medir os resultados. Tais dados podem
vir de diversos sistemas, como CRMs, informações públicas de sites
confiáveis da internet (como IBOPE e IBGE), planilhas, entre outros.
Além disso, é possível combinar estas informações utilizando tecnologias
diversas como de armazenamento, analytics e de metodologias, incluindo BSC (balance score card), árvores de decisão, algoritmos preditivos e aprendizado de máquina.

Com
este crescimento exponencial de informação e a facilidade de criar
novos sistemas utilizando diferentes metodologias, é fácil perder-se no
caminho, já que são necessárias uma visão analítica e muita agilidade. 
Desta forma, grande parte das empresas acaba gerando apenas relatórios
com dados descritivos sobre o passado. Mas quando elevamos o nível de
análise para preditiva e prescritiva, as pessoas mudam seus modelos
mentais e passam a olhar os dados pensando no futuro.

Em
suma, as organizações ainda estão aprendendo a trabalhar diante de um
ciclo ininterrupto, no qual se criam sistemas capazes de gerar
informações e que, por sua vez, são aproveitadas para criar novos
sistemas com novas informações e assim por diante.

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O
processo de Inteligência de Negócio é contínuo. Precisamos virar para
trás e acompanhar os resultados de nossas ações, mas, ao mesmo tempo,
ter um olhar preventivo com análises preditivas que nos permitam tomar
decisões e agir antes que os problemas aconteçam. Quando este trabalho é
feito, podemos evitar muitas dores de cabeça, como ruptura de estoque e
inativação do cliente.

Apesar de desafiante, investir no Big Data
pode representar uma grande oportunidade para qualquer negócio. Para
ilustrar uma experiência positiva, vale mencionar um case o qual
participei pela Termomecanica, indústria líder no setor de cobre e suas
ligas. Tínhamos um alto volume de dados com grande complexidade de
análise, por isso desenvolvemos uma árvore de decisão do estoque de
produtos acabados que, por meio dela, permitiu com que nossa ferramenta
padronizasse a decisão e informasse ao colaborador a ação a ser tomada
para aquele produto. Este processo era realizado manualmente e demorava
semanas, quando finalizado algumas informações já eram irrelevantes.

Para muitos, trabalhar com Big Data
é sinônimo de investimento alto, porém, não existe uma regra que
relacione trabalhar com informações a um determinado custo. Dependerá
muito do cenário de cada organização, como o objetivo estabelecido e o
ponto de partida: se já existem informações e se será necessário a
criação de novos sistemas para obtê-las. Independentemente do cenário,
se soubermos qual o nosso ponto de partida e de chegada, o retorno deste
investimento certamente virá.  Em casos como este, trabalhar a
informação passa a ser um diferencial competitivo e o valor já não será
medido pelo “quanto custa fazer”, mas sim pelo “quanto custa não fazer”.

Apesar
do investimento financeiro ser considerado um dos principais
impedimentos ao trabalhar com Big Data, pouco se fala a respeito das
implicâncias relacionadas a uma mudança na cultura organizacional. Como
abordamos anteriormente, ter à disposição um alto volume de informação,
que pode ser obtido por diferentes frentes, requer uma troca de
comportamento do indivíduo. Resumindo, de nada adianta criar um
planejamento estratégico, estabelecer uma base de indicadores e investir
em sistemas, se as pessoas não estão treinadas para analisar os dados
e, mais do que isso, se não incorporaram o interesse pela visão
analítica.

Os
desafios são muitos, mas recompensadores. Para trabalhar com o elevado
volume de informações de maneira que o impacto seja positivo para o
negócio das empresas, significa que devemos focar em sua estratégia,
evitando que seus colaboradores analisem dados de forma desnecessária e
padronizando a forma de tomar decisões.


 

(*) Walter Sanches e Marcelo Salles são, respectivamente, superintendente e coordenador de TI da Termomecanica

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