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O termo desapego faz muito sentido quando falamos de inovação

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Hoje em dia o termo desapego está em voga. Fala-se muito em descartar o que não se usa mais, em passar adiante a roupa guardada e não usada a várias estações, a bicicleta ergométrica que tem servido de cabide e tantos outros objetos já sem utilidade. Alguns mais evoluídos fazem esse processo sem a dor do desapego, outros ainda resistem.

Se formos extrapolar esse termo “desapego” para o contexto dos negócios/empresarial será que não existem práticas, crenças, rotinas, processos, metodologias e políticas internas que precisamos desapegar? As transformações sociais e tecnológicas que estamos passando exigem das corporações, e mais das pessoas que as lideram, a capacidade de se adaptar, ser resiliente e evoluir modelos já retrógrados. O sucesso do passado não é mais garantia de sucesso no presente. Mas como dói abandonar velhos hábitos!

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Muito se ouve falar de que o ongoing, o dia a dia e a operação sugam o tempo e a energia dos profissionais. E essa é uma das maiores, senão a maior, justificativa dada para a falta de tempo para inovar. Será que não estamos precisando “abrir espaços” nas nossas pautas para o novo? A síndrome que aflige os “acumuladores” na vida pessoal pode ser atingida na vida profissional. A sugestão é fazer um pente fino, descartar atividades e práticas que já não agregam, tirar o acúmulo.

Quantas apresentações feitas e pouco lidas/analisadas? Quantas planilhas de excel complexas e cheias de fórmulas que poucos sabem para que servem e nem as usam? Quantas “atas” cheias de linhas e poucos leitores? Quantas reuniões cujo o objetivo é tomar uma decisão e nada se decide? Pararam para pensar sobre isso? A analogia da liberação do espaço no nosso guarda-roupa para entrar uma peça nova cabe como uma luva nesse contexto.

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O termo desapego faz muito sentido quando falamos de inovação. É comum vermos empreendedores ou ainda intraempreendedores tão apegados a suas ideias originais que perdem a oportunidade de pivotar suas iniciativas. O envolvimento emocional criado com as ideias, muitas vezes, gera um bloqueio que não permite enxergar além e sim, descartar quando a melhor opção é trocar ou seguir por outras. Estamos treinados a defender ideias e não a alternar o ponto de vista. Descartar não é uma opção na maioria das vezes bem vista, podendo ser considerado como assumir um possível fracasso, não acham? E fracassar muitas vezes é avaliado como ruim e não como um aprendizado.

Ao acompanhar e conduzir processos de mudança de tecnologia nas empresas, por exemplo, me ensinou que o desafio é maior que a tecnologia. O desafio é humano, é comunicacional, é estratégico. Por isso, cada vez, entre os “goals” dos projetos de TI está conduzir as mudanças tecnológicas de forma menos dolorosa, com maior engajamento, menos “top down” ou o famoso “goela a baixo”. O processo de desapego nesses casos está em fazer o usuário enxergar valor no novo, entender que a nova proposta vai trazer mais produtividade, mais ganho para a rotina de trabalho.

A despeito dos que ainda resistem às mudanças por estarem reféns de velhas fórmulas do passado, percebe-se um movimento crescente de pessoas dispostas a desenvolverem entre suas soft skills o conceito de desapego, de abertura para experimentar o novo. O convite está feito. Resistir às mudanças, estar fechado ao novo, pode nos privar de conhecer um contexto empresarial muito interessante, com novos desafios e este caminho parece inevitável. Então que ele seja leve! Uma boa jornada a todos!

 

(*) Caroline Capitani é gestora de Marketing e Inovação na ilegra

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