Embora os benefícios sejam relevantes, a tecnologia pode dar muito trabalho aos departamentos de TI
Publicado:
Leitura 8 minutos
A explicação mais simples sobre o que é a WebRTC faz
referência à possibilidade de estabelecer comunicação por som e imagem
(videoconferência), de browser para browser.
Até agora, as comunicações em tempo real necessitavam
a instalação de um plugin ou um aplicativo nativo. Os usuários precisam baixar,
instalar, atualizar, configurar ou solucionar vários problemas para conseguir
usá-los. Todo mundo já teve a experiência de tentar participar de uma Web
conference, apenas para perceber que deveria primeiro ter feito o download de
algum plugin, atualizar o Java ou o Flash, ou instalar outro aplicativo.
Hoje, você pode usar várias aplicações de comunicação
em tempo real, incluindo Skype, FaceTime, Google Talk, Yahoo Messenger, iChat,
GotoMeeting e join.me. E ainda os telefones VOIP ou todos os aplicativos RTC em
seus smartphones e tablets, também. Sem dúvida, existem vários outros
aplicativos RTC em seus computadores que você tenha baixado e usado apenas uma
vez, ou que foram baixados na forma de aplicativos em Flash ou Java quando
visitou vários sites de negócios e usou seus recursos de bate-papo ao vivo.
Você também pode usar alguns clientes RTC para se
comunicar com outras pessoas usando diferentes programas RTC. Do iChat para o
Yahoo Messenger, por exemplo. Na maioria das vezes, no entanto, cada um destes
programas é projetado para funcionar melhor, ou apenas com, outros computadores
que executam o mesmo software ou plugin.
Em contraste com este cenário, o World Wide Web
Consortium (W3C) decidiu criar o WebRTC. Qualquer pessoa com um navegador
Web e um microfone pode fazer chamadas para qualquer pessoa com um navegador
Web e um microfone. Se uma ou ambas as partes tiverem algum tipo de câmera de
vídeo, a chamada também pode envolver vídeo.
Além disso, as APIs JavaScript envolvidas para
permitir esta comunicação peer-to-peer são simples o suficiente para que você
possa criar um cliente WebRTC com apenas cinco ou seis linhas de JavaScript e
HTML. Os navegadores envolvidos na conversa, basicamente, lidam bem com tudo
isso.
O motor WebRTC integrado ao browser utiliza tecnologia
HTML5 e Java para desenvolver rotinas bastante simples para captar, controlar e
enviar som e imagem entre os browsers. Um conjunto de software WebRTC também
está disponível em C++.
Há planos para o desenvolvimento de um canal de dados
capaz de suportar conteúdos representativos de tipos de dados mais
tradicionais. Empresas como a ThruPoint reivindicam ser possível obter tempos
de desenvolvimento de aplicações drasticamente menores do que ferramentas de
desenvolvimento anteriores.
Atualmente, é suportado o codec VP8, amplamente
utilizado, embora não pelos quatro grandes fabricantes – Microsoft, Adobe,
Cisco e Apple. O transporte é normalmente feito com o protocolo SRTP (Secure
RTP), que aumenta a segurança através da criptografia AES.
Resultado: WebRTC, hoje, está incorporada no
Chrome 21, Opera 12 , Firefox 17 e Internet Explorer (via Chrome Frame). A
TenHands, uma startup para tecnologia de videoconferência, integrou capacidades
da WebRTC no FaceTime. E a Vidtel também já incorporou o conjunto de código
WebRTC.
Mas pode haver problemas de segurança
Trocando em miúdos, a WebRTC deverá permitir aos funcionários fazer mais
videoconferências “ad hoc”. Isso representa um potencial de benefícios, mas
também alguns riscos.
Como os usuários não precisarão de software cliente
licenciado para fazer videoconferência a partir do desktop, os interlocutores
podem estar dentro ou fora da empresa. Um deles pode ser empregado de um
concorrente. A capacidade de as pessoas de fora sondarem as empresas, usando
técnicas de engenharia social para estabelecer chamadas, deverá aumentar.
Além disso, o monitoramento dessas chamadas com
ferramentas de intercepção e captação, certamente levantará questões legais
sobre a privacidade. Atualmente, o monitoramento de conexões de imagem com som
já é equiparado às escutas telefônicas na maioria dos estados norte-americanos.
E aumento dos níveis de tráfego na rede da empresa
Nas suítes de comunicação unificada – como a Aura, da Avaya, ou a Lync, da
Microsoft -, somos informados pela plataforma sobre a presença de usuários
disponíveis para conferências. Um simples clique estabelece a ligação.
No entanto, se a Avaya ou a Microsoft adotarem WebRTC,
a chamada também poderá ser realizada com imagem e som. Isso pode exigirá um
aumento de largura de banda. O mesmo será válido para chamadas realizadas de
browser para browser.
A diversidade de tipos de terminais de
videoconferência também crescerá. Hoje, com a adoção de plataformas de videoconferência
de fabricantes específicos, os departamentos de TI têm algum controle sobre
quais os terminais autorizados ou capacitados para suportar videoconferências.
Isto porque controlam as licenças do software cliente vendido pelo fabricante.
Mas com a WebRTC não há um módulo cliente. Assim, o funcionário tem acesso a
recursos de conferência em qualquer plataforma capaz de suportar um browser
comum.
Por agora, isso só exclui dispositivos Android, mas
por pouco tempo. Assim, um colaborador será capaz de realizar uma conferência a
partir do estacionamento, do supermercado, ou do seu escritório em casa. O
tráfego assentará na rede à qual o trabalhador está ligado, mas também estará
na rede empresarial, se o seu interlocutor for um funcionário e estiver dentro
da empresa.
Será que a TI está preparada?
Historicamente, os departamentos de TI têm sido resistentes às novas
tecnologias mais adequadas e baseadas na Internet, como VoIP e streaming de
áudio e vídeo. Talvez suas preocupações tivessem fundamento. Os técnicos devem
trabalhar para tornar as novas tecnologias disponíveis mas, ao mesmo tempo,
proteger os interesses das organizações.
Agora, a WebRTC deverá exigir aos profissionais de TI
que adicionem às redes suporte ao Secure Realtime Transport Protocol (SRTP) e
outros protocolos de sinalização e de segurança, como o STUN e o ICE. Serão necessários
novos métodos para solucionar problemas e gerir o tráfego WebRTC.
A tecnologia envolve novas técnicas para a
concretização das ligações e utiliza o protocolo SRTP para o transporte. Na
identificação do tráfego de WebRTC, os engenheiros de rede vão precisar de
criar filtros personalizados em Wireshark ou obter produtos que reconhecem o
SRTP. Quando identificado, o tráfego poderá ganhar prioridade na rede ou ser
separado de outro tráfego de negócio crítico. E não há nenhum sinal de que os
grandes fabricantes estejam dispostos a fornecer ferramentas para a resolução
de problemas, em um futuro próximo. Nenhum dos grandes fornecedores de soluções
de videoconferência começou a incorporar esses recursos nos seus produtos.
Alguns sequer levam WebRTC em consideração.
As novas tecnologias também podem trazer novas
políticas e normas sociais modificadas. Será necessário desenvolver políticas
de uso de transição para videoconferência. Será especialmente importante
ter políticas de interrupções, de etiqueta para chamadas e consciencialização
sobre a privacidade do indivíduo e o sigilo da empresa. A maioria dos
funcionários está ciente dos sons em seu redor quando fazem chamadas?
O mercado já está mudando
Se uma conferência puder ser criada num regime “ad hoc”, porque razão os
funcionários deverão continuar agendando uma sala ou um sistema de
telepresença?
Vários fornecedores de tecnologia de comunicações
unificadas estão procurando incorporar as normas e conceitos WebRTC em suas
soluções. Poucos arriscam falar abertamente se a o negócio já está sendo
impactado pela WebRTC. Pode ser muito cedo para ter uma ideia.
Muitos acreditam que continuará a existir um mercado
para esses equipamentos, mesmo com a emergência da WebRTC como norma. “A
WebRTC, conjuntamente com a plataforma IP Multimedia Subsystem (IMS), permite
que qualquer dispositivo com acesso à Internet possa utilizar os serviços
existentes e fornecidos pelas operadoras de comunicações”, explica Cláudia
Manso, da Ericsson, que considera a WebRTC um fator de promoção do interesse em
“serviços de voz/vídeo integrados com o os sistemas de mensagens instantâneas”.
Potencial encoberto por desafios
Considerando os aspectos anteriores, pode parecer que
a maior parte do impacto será prejudicial. Do ponto de vista do departamento de
TI, pode ser esse o caso. No entanto, a partir de uma perspectiva global de
negócios, existem alguns benefícios autênticos.
Programadores de aplicações que já trabalharam com
WebRTC consideram fácil integrar o botão de inicialização de chamadas, embutido
no browser, em aplicações de negócios. Como as API para Internet já foram
desenvolvidas, o sistema de controle de receitas a receber pode ter um botão
para chamar o proprietário de uma conta vencida. Um anúncio de e-mail pode
estabelecer uma chamada de vídeo com o agente de vendas. E não se surpreenda se
isso for realizado em ambiente de televisão preparada para a Internet.
Redação
1 dia atrás
Redação
1 dia atrás
Redação
1 dia atrás
Redação
1 dia atrás