ICANN libera uso de marcas como extensões de nomes de domínios na Internet

Decisão começa a valer em 2012 e dá oportunidade para empresas divulgarem suas marcas de outra forma.

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ICANN libera uso de marcas como extensões de nomes de domínios na Internet

O conselho de diretores da Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN) aprovou o aumento no número de finais dos nomes de domínios de internet, conhecidos genericamente como domínios de nível superior (gTLD), que hoje são 22 (.com, .org e .net, além de alguns níveis-país, como .uk, .br e .in). Com a decisão, os usuários da rede mundial de computadores vão começar a ver novas extensões de domínio.

Significa que, a partir de 2012, os endereços de internet poderão terminar com praticamente qualquer
palavra em qualquer idioma, oferecendo uma oportunidade às organizações
ao redor do mundo promoverem suas marcas, produtos, comunidades ou
causas, com novas e inovadoras maneiras, declarou também o ICANN.

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A mudança não vai beneficiar apenas empresas, mas também regiões e cidades que agora poderão usar domínios mais relevantes, afirmou o presidente da Internet Service Provider Association da Índia (ISPAI), Rajesh Chharia.

A decisão respeita os direitos de grupos criarem novos domínios em qualquer língua e script, disse o ICANN em pronunciamento.

A votação do conselho teve 13 aprovações, uma oposição e duas abstenções.

Inscrições para os novos gTLDs serão aceitas de 12 de janeiro à12 de abril de 2012 e as atribuições estão previstas prevista para 2013. A ICANN criou um Guia do Candidato, atualmente na sua sétima versão, que descreve os detalhes do processo de candidatura.

“Sentimos que este é um enorme mercado, e sabemos de uma série de marcas estão considerando por usá-los”, disse Alexa Raad, CEO da Architelos, empresa que oferece serviços de consultoria para candidaturas de novos gTLD. “Elas podem ser capazes de rentabilizar o seu tráfego online, hoje disperso por vários sites de media sociais. Pode ser uma oportunidade para proporcionar uma melhor segurança e ter um maior controle sobre as interações com os usuários”.

Para os CIOs e outros executivos que não perceberam como os novos gTLDs podem afetar os seus negócios online, “agora é hora de entrar em pânico”, considera Roland LaPlante, vice-presidente sénior e diretor de marketing da Afilias, que fornece serviços de registo para os domínios .info, .org e 13 outros domínios de top level. “É preciso juntar uma equipa e tomar uma decisão “go/no-go” registrá-los ou não. É preciso ocupar-se com o processo de candidatura, que tem 50 perguntas… 22 das quais a respeito de questões técnicas”.

A ICANN passou anos tentando obter consensos em torno da proposição dos novos gTLDs com grupos como os de registos de nomes de domínio e os registadores [“registrars”], detentores de propriedade intelectual e governos de todo o mundo. O programa enfrentou objeções à do Governmental Advisory Committee (GAC) da ICANN, que gostaria de manter o direito de veto ao registro de domínios considerados ofensivos, como os que usem termos pornográficos.

A ICANN propôs um sistema de alerta preliminar, que permite aos governos, individualmente, emitirem objecções a novos nomes de domínio, e dá aos candidatos a possibilidade de retirarem as suas propostas e receber um reembolso parcial pelo pagamento antecipado das taxas de candidatura. Se os candidatos avançarem de qualquer maneira, o GAC precisará de chegar a uma opinião consensual de que uma frase em particular não deve ser adicionada à Internet.
“Os governos querem ter autoridade para dizer que um conjunto de caracteres é censurável, e não deve constar da raiz”, pondera LaPlante.

As empresas podem esperar gastar meio milhão de dólares para obterem o seu próprio gTLD. Isso inclui uma taxa de inscrição na ICANN de 185 mil dólares, além de uma extensa quantidade de investigação e documentação para responder a todas as perguntas detalhadas que a ICANN inclui no processo de candidatura do domínio top level.

“Para algumas marcas, esta é uma oportunidade única”, diz Raad, da Architelos. “Mas com oportunidades, também há risco. Este não é o tipo de negócio em que se disponibiliza um produto, e no caso dele não funcionar, tirá-lo da prateleira. Não há uma saída fácil neste negócio”.

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