Não é somente de bons atores, uma boa equipe e um bom enredo que se faz uma novela, há também muita tecnologia por trás das câmeras da Rede Globo. A emissora anunciou que gravou a sua próxima minissérie Ligações Perigosas utilizando tecnologia 4K e utilizou de alguns efeitos especiais para tornar o cenário ainda mais real.
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A história é uma adaptação do clássico francês Les Liaisons Dangereuses, de Choderlos de Laclos, adaptada por Manuela Dias, com supervisão de texto de Duca Rachid. Ambientada no final dos anos 1920, a trama conta com grandes nomes no elenco como Selton Mello, Patrícia Pillar e Marjorie Estiano e está prevista para estrear no dia 4 de janeiro na televisão aberta e no dia 1º. de janeiro na Google Play – um serviço de streaming da empresa lançado há dois meses e que pode ser acessado por meio de aplicativos Android, iOS, PCs ou mesmo de smartTVs.
Até lá, Vinícius Coimbra, diretor-geral da minissérie, projeta que estarão prontos ao menos 5 capítulos da minissérie – ao todo são 10 episódios. Apesar de ter planos para levar a utilização do 4K para outras produções, ainda não há a intenção de filmagem de novelas completas. “Mais de um terço das televisões mundiais já são 4K, então estamos correndo atrás para chegar em uma tecnologia que vai ser o futuro, mas por enquanto as televisões estão avançando mais rápido em termos tecnológicos do que a nossa capacidade de produção”, conta.
Há alguns entraves que não permitem que novelas inteiras sejam feitas como o tempo de processamento, que é grande – em torno de 17 horas para cada episódio, de acordo com diretor-geral. “É pesado [processamento], então por enquanto dá para produzir somente séries com 10 capítulos”, afirma o executivo. “Um episódio feito dessa forma é equivalente de 10 a 12 episódios de uma narrativa tradicional, em termos de armazenamento de material bruto”, completa o diretor de tecnologia para entretenimento da empresa, Paulo Rabello.
Vale ressaltar que, para uma televisão HD, a percepção vai ser muito pequena em relação a televisores já com a tecnologia 4K. “O objetivo maior não é produzir algo que possa impactar esse público”, conta o executivo, completando que a ideia é que as pessoas possam assistir o conteúdo em 4K por meio da Globo Play.
E, de fato, a acurácia e nitidez da imagem é mais perceptível na tela grande, como pude observar durante a exibição dos dois primeiros capítulos da minissérie exibidos para um grupo de jornalistas no cinema do Shopping Jardim Sul, em São Paulo, nessa quarta-feira (16/12).
Lembrando que essa não é a primeira vez que a empresa realiza uma produção em 4K. Em 2013, a companhia lançou a trama Dupla Identidade, que conta a história de um serial killer interpretado pelo ator Bruno Gagliasso.
Segundo os executivos, se comparada essa história com a Ligações Perigosas, a diferença já é grande. “Um ano de tecnologia é uma vida, então conforme passou o tempo, fomos evoluindo, nosso know-how foi se aprimorando, conquistamos mais recursos e a forma como passamos a tratar as imagens cresceu bastante”, diz Rabello.
Adaptando o cenário
Para fazer uma produção em 4K não é preciso somente das câmeras equipadas com a tecnologia. “Usamos luzes naturais das próprias locações e, à noite, queríamos algo mais parecido com poesia, como velas”, afirmou o diretor de fotografia da minissérie Jean Benoît Crépon.
Nesse sentido, Coimbra completa que a preocupação da produção para dar um ar natural ao cenário foi grande. “No início do século você não tinha muitas fontes de luz, então tinha que ser mais próximo do real”, comenta. Por ter sensores potentes, qualquer luz pode atrapalhar a captação da imagem, explica o especialista.
Outra atenção foi relacionada com as filmagens, realizadas na Argentina e Rio de Janeiro. “Queríamos que as cenas externas parecessem ser feitas no mesmo local que o que tínhamos dentro do estúdio”, conta Crépon. Para isso, a produção também contou com efeitos de computação para completar cenários.
Também para a produção, Coimbra lembra que outros detalhes tiveram que ser refinados. “A maquiagem leva mais tempo para ser feita, a produção também precisa ser aperfeiçoada – o tecido das roupas, por exemplo, não pode ser sintético, tem que ser uma fibra natural, porque ele possui um brilho diferente nas câmeras”, conta.
Na parte de infraestrutura tecnológica, Rabello afirma que a produção tem o que há de mais moderno em termos de rede. “Temos parcerias que nos permitem ter uma tecnologia que sequer está à venda”, conta.
Na parte de armazenamento, não é possível utilizar a nuvem nesse caso, de acordo com o CIO. “Estamos falando de petabytes. Não usamos nuvem, porque seria tecnicamente inviável já que o volume de dados é muito grande”, observa. “Trabalhar com terabytes na cloud ja é complicado.”
Mas o executivo afirma que algumas adaptações foram feitas como tecnologia para permitir rodar servidores em paralelo, máquinas especiais com grande capacidade de processamento para renderização das imagens. “Temos também um storage de altíssima capacidade. As adaptações são feitas à medida que surgem novos projetos, de forma customizada”, diz.
O executivo também afirma que a TV Globo está passando por um transformação e criações como a Ligações Perigosas é resultado disso. “Somos muito mais do que uma distribuidora, a nossa essência é produzir conteúdo”, diz. “A tecnologia por tecnologia sozinha se perde, por isso andamos lado a lado com a arte.”
Confira o teaser da minissérie abaixo: