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Difícil tarefa a de fazer a cobertura da Interop, feira sobre infraestrutura e redes promovida pela UBM em Las Vegas (Nevada, Estados Unidos), anualmente. Complicado, em primeiro lugar, por conta do tamanho do encontro em si: a edição de 2012 contou com cerca de 350 expositores, aproximadamente 14 mil visitantes e duas mil pessoas participando da área de conferência, dedicada a trocas de conteúdo.
O conteúdo, por seu lado, também é denso. Com o tema principal sendo a evolução que a tecnologia de cloud computing e virtualização geram no ambiente físico da empresa, os temas que despontaram nos cinco dias do encontro, que ocorreu entre 6 e 10 de maio, foram a “softwarerização” do hardware. Tendências como a já discutida networking definida por software (Software-Defined Network ou SDN, da sigla em inglês) e o novíssimo conceito data center definido por software (Software-Defined Data Center, ou SDDC) eram discutidos de forma oficial e informal pelos corredores do Mandalay Bay, hotel que sediou a feira.
Mesmo com tudo isso, uma coisa ficou extremamente clara: a transformação principal é a de uma feira focada na exposição de hardware demonstrar claramente o momento de disrupção dos conceitos e trazer a reflexão e que, o que o cliente quer, é a solução. O que tem no meio não importa mais tanto. E tanto os profissionais técnicos quanto os fornecedores precisarão mudar a forma de encarar e trabalhar com tecnologia.
O conceito de SDN existe já há alguns anos, mas claramente durante a Interop 2012 foi possível perceber como ele tomou força. “Nos últimos dez anos vimos uma corrida para softwares definindo orquestração de aplicações, sistemas operacionais e máquinas virtuais. E o mesmo aconteceu com storage. Mas o que ainda não vemos com muita facilidade é a virtualização de networking, já que essa área da empresa ainda é basicamente formada por caixas”, contextualizou John Harcourt, fundador da Vello System. A companhia foi criada há três anos para operar especificamente no mercado nascente de SND, com foco em empresas financeiras norte-americanas. Segundo o executivo, diante deste dilema, a rede definida por software foi um processo natural e uma demanda por facilitando do próprio mercado. “Um serviço que levaria muitas semanas para ser configurado pode ser feito em segundos usando um software de abstração de rede”, disse.
Já o de SDDC foi apresentada pelo CTO da VMWare, Steve Herrod. Tanto os serviços de infraestrutura quanto o controle do ambiente são entregados via software, garantindo mais flexibilidade em termos de capacidade de armazenamento e escalabilidade. ?Estamos introduzindo um novo conceito em cima de virtualização. Seria um data center virtual?, disse o executivo à plateia de cerca de oito mil pessoas presentes no local. Herrod explicou que o controle do ambiente não envolve ferramentas individuais, mas sim como orquestrar todas essas peças ao mesmo tempo. ?O mais importante é como automatizar os processos?, relembrou.
A quebra de paradigma é mais intensa do que se pode mensurar atualmente. “Vemos que a solução do hardware, por si só, não é mais um diferencial”, ponderou o vice-presidente para América Latina da Enterasys Network, Reinaldo Opice, em entrevista ao IT Web. Esta declaração é extremamente importante por um motivo em particular: a companhia calcou sua história na produção, exatamente, de produtos de infraestrutura. “Já tínhamos essa sensação de que o mercado caminhava muito mais para a oferta de solução, perdendo esse apego com a especificação técnica, como números de slots, por exemplo. O que eles querem é o problema resolvido”, comentou o executivo.
Já a HP deu mais um passo no processo virtualização baseado na tendência de SDN ao anunciar, na segunda-feira (07/05), uma parceria com a F5 para entregar a tecnologia que unifica a gestão dos níveis 1 a 7 de rede, atingindo aplicações e usuários. O HP Virtual Application Networks (VAN), que virtualiza redes e automatiza configurações, agora agrega o F5 Application Delivery Networking (ADN), que abrange o mesmo serviço para aplicações.Com isso, a companhia promete a redução de meses, para minutos, do desenvolvimento de aplicações em cloud.
Como resultado, o profissional de tecnologia só tem a ganhar. Aquele colaborador extremamente técnico, focado em inserir linhas de comando em para configuração de sistemas não deve ser mais o foco do mercado no futuro. Na avaliação de Brian Lett, diretor da EMC, muito mais do que conhecimento específico por vertical – como virtualização, networking, computação, etc, o profissional que cuida dos sistemas de TI terá de olhar para a coisa como um todo. “Ele será demandado para gerir e sintetizar múltiplas fontes de dados para prover mais inteligência e relevância dessas múltiplas fontes de dados”, afirmou.
E você, está pronto para isso?
A jornalista viajou aos Estados Unidos a convite da HP
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