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Nem bem fez um ano de operações do escritório brasileiro, a Canonical, empresa responsável pelo sistema operacional Ubuntu, já se mostra confiante sobre a oferta de soluções open source para governos, empresas de grande porte e ISVs no Brasil e na América Latina. Sem abrir valores, o gerente para a região da companhia, Maurício Pretto, afirmou que as operações cresceram 50% na primeira metade do ano fiscal, tomando como base o mesmo período do ano passado.
“Nuvem é uma tecnologia da qual se fala muito, mas que poucos têm em prática”, avaliou o executivo. A Canonical tem hoje, no Brasil, dez projetos de implantação de cloud computing em andamento. A ideia é triplicar esse número até metade do ano que vem, para que aproximadamente metade se efetive em implantação.
“Este ano demonstrou que não somente o Brasil, mas a região como um todo tem uma grande força para a Canonical”, complementou. Um dos clientes na companhia é o Exército Brasileiro, que possui 37 mil desktops rodando com interface Ubuntu. “Estive na Argentina há três semanas e o governo informou que colocará a interface em 1,5 milhão de laptops voltados para a educação”, adicionou. Mais uma vez, não foram abertos valores. Na Bolívia, mais uma boa notícia: o governo daquele país acaba de aprovar o uso de plataformas open source na gestão pública.
A aposta para o crescimento está baseada na versão 11.10 do Ubuntu, plataforma de desenvolvimento livre da Canonical a ser lançada na próxima quinta-feira (13/10). O sistema trará duas novidades para sua oferta a empresas de infraestrutura como serviço, o Ubuntu Cloud Infrastructure, solução de nuvem privada. São elas: atualização para atender processadores ARM, em vez de apenas o conhecido Intel x86, e a tecnologia Juju, focada na implementação e orquestração de serviços em múltiplas infraestruturas de nuvens, implementações em larga escala (bare-metal), e prototipagem de serviços com base em workstations.
Conforme Pretto, como o Ubuntu é completamente open source – o que faz com que seu download seja gratuito – a remuneração ocorre via prestação de serviços. Por exemplo, para levar dois servidores para uma nuvem proprietária, o custo anual de consultoria, explicou o executivo, gira em torno dos US$ 2,6 mil, por máquina. Claro que a variação de preço é grande, dependendo da complexidade do processo, do número de servidores, de usuário, entre outros fatores.
Pública x privada
A aposta em governos para oferta de nuvem privada vem em consonância com uma questão envolvendo o tema computação em nuvem, em ofertas públicas e privadas.
Quando contrata um serviço de nuvem pública, a companhia deixa todos os seus dados armazenados em um data center externo, muitas vezes hospedado em outro país. A capacidade do servidor aumenta ou diminui conforme a necessidade do usuário para acessar tais informações. Isso faz com que seja desnecessário investimento inicial em infraestrutura e manutenção da ociosidade do servidor, para que ele suporte a demanda verifica em picos de utilização. A empresa, portanto, paga pelo que usa. No caso de uma nuvem privada, todo o processo é feito in house com auxílio de plataformas. Não há pagamento por uso, mas, sim, por consultoria para utilização das soluções.
Por exemplo: os dados da pela Presidência da República não devem ser armazenados fora do Brasil, já que o risco de vazamento de informações – mesmo que mínimo – é inconcebível. O caso se agravaria em uma situação de guerra: e se as informações estiverem hospedadas em um centro de dados que, na disputa, tornou-se um inimigo direto?
As ofertas ainda casariam com o momento de investimento pelo qual o País passa. “Claro que os eventos esportivos [Copa 2014 e Olimpíadas 2016] podem ajudar, mas o foco não é apenas este. Existe um grande mercado a ser explorado”, finalizou. Claro que haverá forte concorrência, porque apesar de a computação em nuvem ainda estar mais na teoria do que na prática, o número de concorrentes do mercado é grande.
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