Steve Jobs: iCoisas, na verdade, não são nada

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Steve Jobs: iCoisas, na verdade, não são nada

Não foi de todo repentino  –  afinal, desde 2009 sua saúde dava sinais de fraqueza – mas não foi menos triste o anúncio da morte de Steve Jobs, cofundador da Apple e eterno CEO rockstar do mercado de tecnologia

 

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O anúncio veio na noite desta quarta-feira (05/10). Por ironia do destino, estava em um curso, a uns bons três metros de minha bolsa, conversando com colegas sobre como as referências do passado moldam a visão que temos do presente. Meus dois celulares – o corporativo e o pessoal – se esguelavam, com ligações, SMS, e-mails, mensagens de voz e toda a sorte de comunicação que temos hoje (graças ao conceito de mobilidade popularizado pelo gênio, que, há pouco, tinha dado seu último suspiro). Eu não ouvi um ruído. Como estava em curso, meus celulares estavam no silencioso. Como era um momento de debate, estava completamente focada no tema discutido, sem dar a menor atenção aos aparelhos. Talvez, se estivesse em Marte teria ficado sabendo da coisa toda com mais facilidade.

 

Como venho escrever minha percepção sobre o ocorrido passada as três horas da manhã, não me atrevo a repetir o que foi dito a respeito de seu legado para tecnologia e para a vida das pessoas. Isso, todos nós sabemos. O mundo não seria o que é hoje se não fosse a mente de Steve Jobs, com seu conceito de iCoisas, recheando nossas vidas com as mais diferentes experiências digitais. Chover no molhado. Também não quero entrar no mérito do que se falava sobre ele nos bastidores, sendo declarações que vão desde arrogância até roubo descarado e assédio moral com seus colaboradores. Não o conheci pessoalmente. Não conheço ninguém que o conhecesse. Não é o momento.

 

Por isso, fazendo uma conexão com o que discutia em minha aula no exato momento de sua morte – referências do passado e seu impacto na percepção do presente – a impressão mais forte que tenho do líder da Apple não se limita aos produtos que ele trouxe para nossa vida. iPods, iTunes, iPads, iPhones são apenas o resultado de uma mente inquieta. De uma liderança incontestável. De uma ousadia sem tamanho. De uma arrogância motivadora, já que ninguém que se considera nivelado com os demais pode ter a desenvoltura para falar ao mercado que aquele produto, sim, é essencial. Que todos DEVEM comprar tal coisa para estarem inseridos em um contexto X. Ninguém sem personalidade suficiente para usar, como se fosse um uniforme, uma blusa preta de golê, seria capaz de deixar a mídia, vamos usar a expressão mais conhecida, de quatro, se acotovelando em busca de um espaço para  conseguir participar do lançamento de algum produto. Se isso não é uma estratégia de marketing formulada tão meticulosamente e buscando o que há de mais profundo na alma humana, não sei o que é. Isso é inédito. Ninguém cobre o lançamento de qualquer outra coisa que seja em tempo real, como faz com produtos da Apple. Porque usuários da Apple querem as coisas aqui e agora.

 

É por isso que Jobs não era O Cara da Mobilidade. Não era O Cara da Tecnologia. Não era o Cara do iCoisas. Jobs era o exemplo perfeito de um líder nato e personalidade indomável. Se suas habilidades não fossem as voltadas para o universo da tecnologia, seria um ícone em qualquer outra área: da música, dos negócios, da pesca, das artes plásticas, do cinema, do futebol, da astrofísica… tanto faz. O que acontece, ou melhor, o que aconteceu com Jobs, não tem nada a ver com seus legados. Tem a ver com o fato de que ele era, de fato, um gênio. E pronto.

 

Parafraseando minha parceirona do dia a dia, Thaís Sabatini, que segurou as pontas deste grande acontecimento enquanto eu estava perdida no limbo da comunicação nesta quarta-feira, #ThankYouSteve. Especialmente por nos mostrar que o limite é o da nossa imaginação.

 

 

 

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