Wagner Elias, da Conviso. Foto: Divulgação
A inteligência artificial acelerou ciclos de desenvolvimento de software e reduziu o tempo entre ideação, produção e uso. Essa nova velocidade traz, no entanto, um efeito colateral: o risco.
“A mesma inteligência artificial usada para construir aplicativos passou a ser empregada também para explorá-los. Por poucos dólares por mês, cibercriminosos já conseguem identificar e explorar vulnerabilidades”, pondera em comunicado Wagner Elias, CEO da Conviso.
Segundo o executivo, nesse cenário a segurança de aplicações (AppSec) também muda. “Ela passa a atuar desde a concepção do código, integrada ao ciclo de desenvolvimento, antecipando usos abusivos de IA, mapeando padrões de ataque e protegendo a aplicação em todas as camadas”, diz.
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O executivo enumera a seguir oito tendências de AppSec no Brasil e no mundo. Confira:
Ferramentas de programação com IA já são responsáveis por 24% do código de produção global, chegando a 29% nos Estados Unidos, segundo a Aikido. Nos próximos anos, esse número deve ultrapassar 60%. O problema é que a IA também acelera a propagação de falha e cria vulnerabilidades que podem ser replicadas milhares de vezes no mesmo ecossistema.
KPIs, métricas de risco, integração com engenharia e impacto financeiro passaram a definir o programa de AppSec. A IA reduziu ruído e aumentou a capacidade analítica, mas também multiplicou riscos. Por isso, governar o código que a IA produz virou uma função de negócio.
O maior risco já não está no código que a empresa escreve, mas no que ela consome. Bibliotecas open source, pacotes de terceiros, APIs e SaaS criaram uma cadeia de suprimentos digital altamente interconectada e altamente frágil. Ataques a fornecedores, dependências contaminadas e zero-days em componentes externos se tornaram vetores de incidentes.
Microsserviços, cloud híbrida, integrações e sistemas legados ampliam exponencialmente os pontos vulneráveis. Cada nova API traz produtividade e uma nova porta de entrada. Mapear e governar essa superfície passa a ser tão estratégico quanto proteger o core do sistema.
A métrica que importa não é mais quantas vulnerabilidades existem, mas quais podem parar o negócio.
Com ambientes complexos e ataques automatizados, decisões baseadas em intuição não escalam. Histórico de falhas, tempo de correção, exposição por sistema e risco por dependência passam a orientar investimentos e prioridades.
A segurança entra antes do código existir. Análise de requisitos, revisão de arquitetura, PRs automatizados e pipelines inteligentes impedem que falhas nasçam.
Mesmo com IA e automação, o fator humano continua decisivo. Nos EUA, 43% já tiveram incidentes severos ligados ao uso de IA no código. “A mesma IA que acelera a inovação também amplia o risco. A saída não é bloquear, é governar”, diz o CEO da Conviso.
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