No Super Bowl, cada passo vira dado e cada dado, uma decisão

No maior palco do esporte, diferença não está apenas no talento, mas na engenharia de dados. Mema lógica opera armazéns e fábricas

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Super Bowl LX. Foto: Shutterstock
Super Bowl LX. Foto: Shutterstock

No Super Bowl, no instante em que o quarterback lança a bola, dezenas de sensores entram em ação. Em menos de um segundo, velocidade, aceleração, rota e posicionamento são capturados, validados e enviados a plataformas que alimentam transmissões, estatísticas e análises táticas. O público vê o replay. O sistema, os padrões.

Durante a partida, onde cada falha pode custar reputação global, a infraestrutura de dados é tão crítica quanto os jogadores em campo. Como fornecedora oficial de soluções de localização em tempo real da NFL, a Zebra Technologies opera uma rede silenciosa nos bastidores do jogo, ajudando a transformar movimento físico em inteligência digital.

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“Em um evento com margem de erro praticamente zero, o valor não está apenas na captura dos dados, mas na capacidade de sustentar toda a operação com consistência do início ao fim”, diz Vanderlei Ferreira, vice-presidente e gerente-geral da Zebra no Brasil.

Sensores RFID são incorporados às ombreiras dos atletas e à própria bola. Receptores distribuídos pelo estádio capturam sinais continuamente. A partir daí, inicia-se um processo que envolve sincronização temporal, validação de integridade e processamento para reduzir ruídos e interferências, comuns em ambientes com alta densidade de dispositivos e transmissões simultâneas.

Segundo Ferreira, no entanto, a evolução mais perceptível nesta edição LX, que contou com 124,9 milhões de espectadores em todo o mundo, não foi apenas técnica, mas operacional. “Hoje, não falamos apenas de métricas brutas, mas de dados contextualizados, que rapidamente se transformam em insights acionáveis”, conta.

Menor latência, integração mais fluida com plataformas analíticas e maior maturidade na interpretação permitem que dados sejam consumidos quase instantaneamente por comentaristas, analistas e torcedores. Mas o que sustenta o sistema não é apenas velocidade é também redundância.

Monitoramento constante, planos de contingência e controle rigoroso de acesso fazem parte da arquitetura. Em um ambiente como o Super Bowl, a tecnologia precisa ser não apenas rápida, mas resiliente.

Do estádio ao armazém

A lógica aplicada no campo ecoa em ambientes menos glamorosos, mas igualmente críticos. Em um centro de distribuição, a pergunta deixa de ser qual jogador está onde, e passa a ser qual pallet está em qual doca, qual lote saiu da rota, qual equipamento está ocioso. O princípio é o mesmo: visibilidade em tempo real para reduzir incerteza.

“O paralelo é direto”, diz Ferreira. “Rastreamos ativos, materiais e fluxos para eliminar pontos cegos e aumentar previsibilidade.” Quando empresas passam a operar com dados em tempo real, segundo ele, o ritmo muda. Problemas deixam de ser descobertos em relatórios tardios e passam a ser identificados quando surgem. Esse cenário altera a dinâmica decisória. Em vez de reagir, a organização antecipa. Em vez de depender de estimativas, trabalha com evidências.

Maturidade desigual

De acordo com o executivo, no Brasil e na América Latina, setores como transporte, logística e varejo lideram a adoção de tecnologias de rastreamento, pressionados por exigências de eficiência e experiência do cliente. A manufatura avança, especialmente em rastreabilidade e controle de processos.

As barreiras persistem onde há sistemas legados e baixa padronização. Implementar sensores é simples. Transformar processos, menos. Ainda assim, a percepção de que RFID é tecnologia cara ou excessivamente complexa começa a perder força.  Padronização, escala e modelos mais acessíveis reduziram custos e tornaram o retorno mais previsível, inclusive para pequenas e médias empresas.

Para Ferreira, o debate deixou de ser sobre hardware. “O valor hoje não está apenas no sensor, mas na capacidade de transformar visibilidade em execução. Quando a empresa passa a operar com dados confiáveis e em tempo real, ela muda o ritmo da operação. Deixa de reagir e passa a antecipar.” E completa: “No Super Bowl ou em um centro de distribuição, a lógica é a mesma: reduzir incerteza. Quanto menor a incerteza, maior a eficiência e a qualidade da decisão”.

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Sobre o Autor

Diretora de Marketing e Conteúdo da Itaqui e editora-chefe do IT Forum, Déborah Oliveira é jornalista com mais de 17 anos de experiência na área de TI. Atuou nas redações da Computerworld, CIO e IDG Now!. É bacharel em Jornalismo, com graduação executiva em Marketing e MBA em Marketing. Em 2018, venceu o prêmio de melhor Jornalista de TI no Brasil, concedido pelo Cecom. Nos anos de 2019 e 2020, foi destaque no mesmo prêmio na categoria Telecom. É uma das autoras do livro “Da Informática à Tecnologia da Informação – Jornalistas Contam Suas Histórias”, publicado pela Reality Books em 2020.

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