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5G na rede fixa: FWA é próxima fronteira da conectividade móvel

Imagem: Shutterstock

Se o 5G já começa a dominar a conectividade nos bolsos dos consumidores, principalmente nos grandes centros, a tendência é que ele também entre nas casas dos brasileiros para fornecer banda larga semelhante à fibra óptica fixa. É o FWA (Fixed Wireless Access), tipo de conexão fixa baseada nas redes móveis de nova geração que tem crescido em outros mercados no mundo – e foi lançado recentemente pela Claro no Brasil.

Conexões via roteadores FWA são consideradas fixas porque existe uma antena receptora de sinal instalada em local fixo, seja um telhado de escritório ou raque da sala em uma residência. Um estudo divulgado recentemente pela consultoria Bain & Company prevê expansão no segmento de FWA, com potencial de receita de R$ 1,7 bilhão em 2027, no cenário mais adverso. Na projeção mais otimista, essa cifra alcançaria R$ 6,2 bilhões.

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Estados Unidos, Japão, Reino Unido e mesmo Brasil devem impulsionar esses números, diz a consultoria. Por aqui, a Bain estima que o total de conexões de banda larga fixa chegue a 48 milhões em 2025, com 6,4% baseadas em FWA – no cenário mais otimista poderia chegar a 13% em 2027.

Mas há alguns desafios. Primeiro, segundo a B&C, precisa haver vontade das operadoras. A maioria das empresas de telecomunicações brasileiras seguem se concentrando em ofertas de banda larga baseadas em fibra óptica, que já tem uma boa estrutura no País, principalmente em grandes centros.

Outra dificuldade é que o “acesso fixo tende a demandar mais tráfego para as operadoras”, salienta Paulo Bernardock, líder de soluções da rádio da Ericsson no Brasil, em apresentação feita para jornalistas durante evento recente da fabricante em São Paulo. Na prática isso significa mais sobrecarga sobre as antenas 5G.

Um relatório de junho da mesma Ericsson – o Mobility Report – diz que 80% das operadoras no mundo já oferecem serviços de FWA, sendo 40% do total usando redes 5G. EUA e Europa dominam a oferta desse serviço, com a América Latina correndo bem atrás, com só 32% das operadoras ofertando o serviço (sendo 9% o FWA com 5G).

Mas, para os executivos da Ericsson, a Índia deve ser o mercado a ser observado quando se trata da popularização desse tipo de conexão, inclusive no Brasil, por conta do preço dos aparelhos domésticos, considerado ainda alto.

“Uma das operadoras indianos quer ter mais de 100 milhões de assinaturas FWA nos próximos anos. E isso deve ajudar a reduzir o custo dos aparelhinhos”, disse no mesmo evento Marcos Scheffer, vice-presidente de redes e serviços gerenciados para o sul da América Latina da Ericsson.

Questionado pelo IT Forum, Scheffer disse que o custo dos aparelhos por unidade já está baixando, e conforme mais fabricantes lançam seus produtos no mercado, as operadoras passarão a considerar a oferta mais factível. “Os planos das operadoras são bem agressivos. Essa penetração vai ajudar o custo a baixar”, assegura.

Para ele, o alto custo atual em ofertas como a da Claro é natural. “Toda oferta inicial demora um pouquinho. Mas a gente enxerga que o mercado é bastante grande para complementar [a oferta de] fibra [óptica]”, ponderou.

Segundo ele, além da Claro, TIM e Vivo também já conversam com a Ericsson sobre esse tipo de oferta, além de outros players menores.

“Vai depender da estratégia de cada operadora. A gente sempre incentiva que elas comecem cedo [suas ofertas]: quem demonstra pioneirismo acaba conseguindo ter mais assinantes”, ponderou o executivo da fabricante.

Expansão do 5G

Bernardock também fez um balanço do crescimento do 5G no Brasil durante o evento em São Paulo. Segundo ele, embora o 4G ainda esteja crescendo e domine os bolsos dos brasileiros, o 5G “já se estabeleceu”. Em junho o País tinha 11 milhões de assinantes de redes móveis de nova geração, média de quase 1 milhão de novos usuários por mês.

Mas ainda é um universo de 5,6% do número total de assinantes de internet móvel no País.

“Esse número não diz muito por que é uma média de regiões com ou sem [cobertura] 5G. Então prefiro o número seguinte, da penetração da base em mercados em que o 5G já foi lançado, que oscila entre 12% e 17% dependendo da região do País. Norte e Nordeste mais próximos de 12% e Sudeste chegando a 17%”, disse o especialista.

A Anatel prevê que até o fim de 2023 serão 20 milhões de assinantes 5G. Atualmente são 329 municípios cobertos pelas novas redes no País, número superior à meta estabelecida pela própria Agência, graças aos investimentos feitos pelas operadoras que arremataram frequências no leilão realizado no fim de 2021.

A qualidade dessas conexões, ao menos até o momento, também é positiva. Segundo Bernardock, o Brasil tem as redes 5G mais rápidas da América Latina, com 346 mbps de velocidade média. “Mas essa rede ainda não está com muita carga, então consegue velocidades rápidas sem muito esforço”, ressalta.

Outro aspecto positivo é o número de smartphone capazes de operar no 5G. São 130 modelos de telefone habilitados atualmente no mercado nacional, um “número bom, já se consegue ter uma variedade muito grande”, com “todos os topos de linha” já com 5G, apesar dos aparelhos 4G ainda serem bem mais vendidos.

“Devemos ter essa tendência invertida no começo do ano que vem”, previu o executivo da Ericsson. “As operadoras já estão ajustando portfólios para ter maior disponibilidade, mas ainda temos muito telefone 4G sendo vendidos nos e-commerces.”

Usos corporativos

Para as empresas, as tão desejadas redes privadas de 5G começam a se popularizar, particularmente na indústria, mas também no setor financeiro. Essas redes, que criam divisões exclusivas e seguras para uso corporativo, também deverão aumentar substancialmente o tráfego de nova geração das operadoras.

Marcos Scheffer dá outros exemplos: alguns portos no mundo têm apostado no 5G para automatizar suas complexas operações. Fábricas de automóveis, como a Mercedes-Benz na Alemanha e a Tesla nos EUA, usam equipamentos da Ericsson em redes privadas. Na segurança pública, o 5G conecta câmeras identificam placas de carros roubados ou inadimplentes.

“Outro exemplo é o broadcast de vídeo. É possível fazer cobertura [jornalística] de eventos usando 5G. Ao invés de usar um equipamento pesado tem o ‘mochilinks’, equipamentos de transmissão em uma mochila nas costas que ‘jogam’ as imagens para serem transmitidas pelas emissoras”, contou o VP.

Outras tendências contribuem, incluindo a realidade aumentada em óculos como o Vision Pro, da Apple, e outros. Modelos de IA sendo executados na nuvem e nos dispositivos também vão intensificar o desafio para os provedores de acesso.

“Seguramente haverá aplicações desses modelos [de IA] rodando em smarpthones e não necessariamente eles serão capazes de lidar com essa carga toda de processamento. Eles podem ser colocado na nuvem e a conectividade vai fazer o serviço funcionar”, ressaltou Bernardock.

O importante, lembrou o executivo, é que se “as assinaturas 5G sobem as receitas também sobem. Existe uma correlação positiva”, ponderou. Mas o momento atual ainda é de criação de massa crítica sobre essas redes para que o lançamento de novos serviços, seja no B2B ou no B2C, sejam rentáveis.

“Não há espaço para esperar um ‘killer app’. O grande desafio é inovar e criar serviços diferentes para abocanhar essa oportunidade que o 5G nos traz”, alertou.

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Published by
Marcelo Gimenes Vieira
Tags: 5GEricssonFWA
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