Zoop muda de patamar com Movile e iFood, mas quer ir além

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maquininha — Foto: Shutterstock

O aplicativo para pedidos e entregas de comida iFood está muito próximo de ter um terminal próprio para pagamentos, a chamada maquininha. O projeto já está em fase piloto com 300 motoboys em Guarulhos (SP) e, até o fim do ano, 2 mil entregadores devem receber pagamento dos pedidos com a nova solução.

Por trás dessa estratégia do consolidado aplicativo de delivery está a Zoop, empresa de tecnologia para meios de pagamento e serviços financeiros. Com foco B2B, a companhia visa habilitar negócios e empresas de qualquer porte e setor a criarem soluções próprias de pagamentos e serviços de movimentação financeira. Em março, a startup recebeu um aporte de US$ 18 milhões da Movile, empresa dona do iFood, como uma estratégia do grupo para fortalecer serviços financeiros.

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“O iFood queria contratar uma solução de pagamentos. Estávamos em uma rodada de investimentos, e a Movile decidiu investir”, resumiu Daniel Teixeira, diretor de novos negócios da Zoop, em entrevista à Computerworld Brasil.

O executivo explica que a empresa não fabrica a maquininha em si – o hardware -, mas provê o software que faz o equipamento rodar e transacionar todo o sistema de pagamento. No caso do projeto iFood, a empresa conta com parceria com fornecedores como Pax, Gertec, Verifone e Ingenico para as maquininhas. “Varia o modelo de acordo com disponibilidade e capacidade do hardware”, disse Teixeira.

Rodrigo Miranda, sócio-fundador e CTO da Zoop, destaca que atualmente cerca de 90% das transações do mundo ainda são feitas com cartões, por isso a aposta da companhia no setor. “Existem muitas empresas atacando o mercado on-line, mas o meio físico ainda é o principal”, comentou o empreendedor, que ressalta que a tecnologia é 100% desenvolvida pela Zoop.

Era pós-Movlie?

Até agora, a Zoop já levantou recursos em financiamento de fundos estrangeiros como Qualcomm Ventures, Riverwood Capital e Avalancha Ventures, além da carioca Darwin Capital. Mas foi de fato a Movile que chegou para mudar o patamar da Zoop, não somente com o maior aporte, mas com o expressivo crescimento de volume de transações.

“A Movile sentia falta de ter uma estrutura financeira capaz de fazer a integração entre todas as plataformas”, comentou Teixeira.

Atualmente, a Zoop já transaciona quase 100% das transações do iFood, bem como dos aplicativos Sympla (que também terá maquininha própria) e Rappido. Agora, está caminhando para absorver outras marcas do grupo Movile, como a PlayKids.

Teixeira comenta que a chegada do iFood foi um grande teste e, em seguida, enorme prova para o sistema da Zoop. Graças a uma estrutura bem preparada, a companhia conseguiu absorver rapidamente as operações do iFood e, em dois meses, cresceu quase em dez vezes o volume transacional.

“A entrada da Movile está sendo um grande teste em termos de tecnologia. Nossa plataforma consegue suportar um volume transacional de bilhões de reais por mês e estamos vendo que conseguimos ser altamento escaláveis. Está sendo um bom teste para ir ao mercado e absorver clientes de fora do grupo”, comentou Teixeira.

O fato, claro, reflete no faturamento da companhia. “Ano passado crescemos 500% e a expectativa para esse ano, dentro e fora do grupo Movile, é crescer mais de dez vezes. Temos uma meta agressiva para cumprir”, afirmou o diretor.

Da porta para fora

O impacto da Movile tem sido extremamente positivo, mas a companhia quer ir além e mantém fortes planos para crescer fora do grupo.

Miranda lembra que diversos mercados ainda carecem de um método sofisticado de pagamento – entre eles o de saúde e agronegócios, dois dos principais focos da Zoop para crescimento.

“Um dos nossos maiores desafios é fazer a plataforma escalar. O portfólio é extenso, com maquininhas, APIs etc, tudo desenvolvido dentro de casa. Não é algo trivial uma startup fazer isso”, completou Miranda.

Portfólio

O portfólio da Zoop inclui a oferta de serviços como pagamentos omnichannel, com tecnologias que tornam o processo customizado em todos os canais e melhoram a experiência de venda dos usuários dos parceiros Zoop tanto no universo virtual quanto no físico. Entre os serviços, estão a possibilidade de captura em terminais físicos (maquininhas, POS e TEF) ou por meio de aplicativos e sites. Também é possível construir formas mais sofisticadas de cobrança como carteiras virtuais utilizando a plataforma.

Sob perspectiva de gestão, a camada bancária da Zoop suporta a criação de regras de negócio permitindo a gestão dos recebíveis, movimentação de recursos entre contas digitais, criação de planos de venda customizados, entre outros recursos. A tecnologia da companhia permite que seus parceiros reduzam o custo e a complexidade tecnológica e regulatória para se montar uma operação de pagamentos.

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