A preparação para o Windows 8 teve muitos comentários divergentes a respeito da importância do suporte ao aplicativo legado. Mas mobilidade, Byod (bring your won device – traga seu próprio dispositivo) e tendências de desenvolvimento causaram uma mudança nas necessidades das empresas. Essa alteração levanta uma questão: a compatibilidade com aplicativos antigos é uma necessidade no ambiente de trabalho ou a ideia se tornou uma tática exagerada de marketing que os gerentes de TI devem encará-la com ceticismo?
O Windows 7 é predominante nos locais de trabalho e várias empresas ainda usam o Windows XP. A onipresença dos sistemas operacionais significa que, para algumas empresas, a importância de alguns aplicativos exclusivos para o Windows pode tornar o uso contínuo do SO da Microsoft uma obrigação. A questão com aplicativos personalizados construídos para ambientes Windows apenas reafirma esse ponto.
Mas segundo afirmou o analista da Gartner Michael Silver, durante o Symposium/ITxpo em Orlando, Califórnia, na quarta-feira (25/10), o suporte legado está se tornando cada vez menos importante. A progressão ainda não transformou aplicativos tradicionais em obsoletos ou facilmente substituíveis, mas com o aumento da base no navegador e dos aplicativos de SO independentes, as empresas de desktops não estão tão à mercê da Microsoft como antes.
E mesmo entre aqueles que continuam a usar o Windows, ele observou, o Windows 8 talvez não ofereça razões atraentes para a atualização. Silver disse que em 1996, 95% dos aplicativos usados pelas empresas exigiam o Windows. Esse cenário caiu para 50% no ano passado, e hoje, pouco menos da metade dos aplicativos corporativos exigem um SO específico.
Parte da tendência de queda vem dos dispositivos móveis, mas Silver explica que muitas empresas usam as migrações do Windows 7 como uma oportunidade para reduzir seus portfólios de aplicativos. Nem todas as empresas completaram – ou mesmo começaram – essas migrações, mas ele disse que empresas costuma cortar um quarto de seus aplicativos durante a atualização. Ele afirma que isso está conectado à nuvem. O PC não é mais “o centro do universo”. Há alguns anos, tudo era sincronizado com desktops e laptops, mas agora – no que a Gartner chama de “a era da nuvem pessoal” – poucos processos se mantêm no desktop, com cada vez mais a comunicação evoluindo entre o dispositivo e o serviço com base na nuvem: “a definição do que é um desktop está mudando”.
Essa mudança facilitou que empresários explorassem novas abordagens. “Muitas pessoas gostam do Windows, mas a estrela em ascensão é a Apple”. Disse que os pedidos de clientes costumavam ser “mantenha a Apple fora da empresa”. Agora, graças em grande parte ao iPhones e iPads atraindo mais usuários ao ecossistema da Apple, a questão mudou para: “como deixo a Apple entrar em minha empresa e garanto a segurança e a gestão?”
Apesar de as empresas tentarem ser mais abertas, Silver afirmou que o interesse no Linux está “caindo”. Enquanto isso, o Chrome OS do Google, ainda não se estabeleceu, segundo a Gartner, levando a apenas alguns pedidos de clientes por ano.
Escolha
A escolha de desktops para a maioria das empresas – trocando em miúdos – ainda fica entre Macs e PCs.
Os Macs apresentam “uma série de benefícios”, mas “a maioria deles é difícil de quantificar”, explicou Silver. As máquinas Apple não oferecem economia suficiente que justifique o negócio. Em vez disso, o apelo para os departamentos de TI é em agradar os usuários. Macs ajudam a atrair e manter os melhores da área, ele explicou. Observou que a Gartner notou uma tendência, que começou a Costa Oeste dos Estados Unidos e se espalhou para a Leste, na qual recém-formados tomam decisões sobre o emprego, tendo como base se Macs são permitidos na empresa. Apesar de ser difícil de acreditar, devido ao atual mercado, ele disse que candidatos disputados realmente recusaram ofertas de trabalho em ambientes que oferecem base somente do Windows. “Com a Apple, há muitas percepções (sobre melhoria de produtividade e segurança). Não tenho certeza se para todos essa é a realidade, mas certamente, para o usuário final, a percepção é a realidade”.
Silver observou que, como as máquinas Windows, os Macs também não se apoiam tanto em aplicativos específicos do OS, permitindo que empresas abram seus ambientes. Também disse que substituir um funcionário valioso pode custar três vezes mais do que o salário do mesmo, então mesmo com os computadores da Apple não apresentando pronta economia, recrutamento reduzido e retenção de esforços, “esse pode ser um custo significativo para construir um motivo para o negócio”.
Entre os aplicativos legados os departamentos de TI devem considerar o Microsoft Office em primeiro lugar. Ele observou que existem muitas alternativas – desde o OpenOffice, iWorks e Google Docs – mas que somente o Word preenche as necessidades tanto dos trabalhadores mais quanto dos menos exigentes, oferecendo não apenas o processamento básico de texto, mas também recursos mas avançados. Algumas alternativas, como a IBM Docs e Google Docs, oferecem recursos atraentes, como ferramentas de colaboração, mas nenhum oferece o conjunto completo como o Word.
E há mais, as alternativas precisam ser compatíveis com o Microsoft Office porque o recurso é muito usado. Um departamento no qual os funcionários se comuniquem apenas entre si tem flexibilidade de escolha, mas se qualquer interação externa for exigida, o Office não é fácil de substituir. Ele afirmou que essa dinâmica está mudando devido aos tablets. “O que quero fazer em meu iPad em um documento Office é diferente do que quero fazer quando tenho um mouse e um teclado. No tablet, quero marcar, revisar; não escrever uma história inteira”. Ele disse que a habilidade da Microsoft em criar versões móveis de seu suite Office é uma “boa jogada”, mas que a empresa precisa evitar canibalizar suas vendas de desktop.
Então, até o momento, o suporte de aplicativos legados continua uma consideração inevitável, mas as amarras estão se afrouxando. Então, o que isso significa para o Windows 8?
Silver reiterou o ceticismo da Gartner de que empresas, apesar da necessidade contínua por pelo menos algumas aplicações tradicionais, irão implantar o Windows 8 em grande escala. Ele citou que não somente muitas empresas ainda estão recuperando os investimentos com o Windows 7, como também que as empresas tipicamente não compram novos SOs enquanto ele não tenha alguns anos. E chegamos ao ponto no qual rumores do Windows 9 começam a surgir, comparando o Windows 8 com a situação que enfrentou o Windows ME (SO que não fez tanto sucesso, antecedeu o Windows XP; N. da T.).
Não vão
Ele explicou que até 90% das empresas provavelmente não farão a atualização para o Windows 8, e que confinarão o novo SO a “usos específicos”. Silver sugeriu que a Microsoft sabe disso e que o Windows 8 foi feito mais para vender tablets e aumentar o alcance da empresa na arena móvel. De fato, interfaces de usuário com base no toque podem deter as empresas, já que elas precisariam investir não apenas no novo SO, mas também no novo equipamento de suporte.
A venda de tablets vai depender da adoção do consumidor e Silver expressa incerteza que a média de compradores irá entender a variedade confusa de opções do Windows 8, que inclui uma versão com base ARM. “As vendas natalinas serão interessantes”, ele finalizou.
Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Adriele Marchesini
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