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Você está preparado para a Internet das Coisas?

“Imagine um dia típico. O alarme toca e você nota que ele despertou dez minutos além do horário programado. O rádio relógio checou o horário do seu voo para Porto Alegre e viu que ele estava 30 minutos atrasado, então te deixou na cama mais um tempinho. Você levanta, se arruma e na cozinha sua embalagem de remédios está alarmando lembrando que você deve tomar seus remédios. Se você esquecer, a embalagem enviará um e-mail para o seu médico, para que ele saiba, e um SMS para te lembrar. Quando você já está saindo de casa, nota um brilho no corredor e percebe que seu guarda-chuva está com uma luz azul acessa indicando que há 90% de chances de chover hoje. Você pega o guarda-chuva e vai para a estação de ônibus esperar seu transporte para o aeroporto. No caminho, por meio de um aplicativo no celular, é informado que o seu ônibus chegará em um minuto e 20 segundos. Não precisa, portanto, pegar um táxi ou carro. Você pega o voo, chega a Porto Alegre, faz um check-in no foursquare e um objeto de decoração na sua casa, mostra para sua família que você já chegou bem no trabalho. Na hora do almoço, você consulta seu monitor corporal para saber do seu consumo diário de calorias, como foi o seu sono e definir o que pode comer, baseado na sua dieta. Todos os dados são carregados automaticamente para a nuvem, onde está hospedada suas informações de saúde (trecho baseado no livro Designing the Internet of Things, de Adrian McEwen & Hakim Cassimally)”.

Embora pareça futurístico, esse poderia ser um dia típico em 2014. Não há nada de ficção aqui. Todos os produtos descritos acima, já existem e podem ser adquiridos.

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O professor de ciências da computação da Universidade de Yale nos EUA, David Hillel Gelernter, em 1991, lançou um livro chamado Espelhos do Mundo. Gelernter imaginava “olhar para a tela de um computador e ver a realidade – uma imagem de sua cidade, com todos os padrões de trânsito identificados; ou uma imagem que representasse a situação em tempo real de toda uma empresa”. Para ele, essas representações eram chamadas de Espelhos do Mundo e estariam disponíveis para todos em breve. Por meio delas seria possível explorar o mundo em profundidade e detalhes sem precedentes, sem que precisássemos sair de casa.

Mais de duas décadas depois da publicação de Espelhos do Mundo, a Internet das Coisas passa a transformar em realidade o pensamento descrito pelo professor de Yale. Milhões de sensores, aplicativos inteligentes e redes convergentes passam a trazer a realidade do nosso cotidiano, da nossa cidade e das empresas para a tela de um computador.

Carregamos todos os dias o elemento básico do KIT de construção da Internet das Coisas. Nosso smartphone tem mais poder computacional que os maiores computadores de dez anos atrás. E essa revolução tecnológica não para.

Cloud e conectividade são mais dois elementos chaves na criação da Internet das Coisas. Ora, sem conectividade, não há internet. E nesse ponto temos evoluído bastante, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido pelas operadoras na implantação de suas redes 3G, 4G e WiFi, com a qualidade que esse novo cenário exige.

Quanto à cloud, vivemos a era da Economia das Aplicações. Só em 2014 se espera 77 bilhões de downloads de apps. As aplicações armazenadas em nuvem serão fundamentais para dar utilidade a internet das coisas, gerando assim novos modelos de negócios e padrões de consumo.

Os sensores são a última peça que faltava no nosso quebra cabeça da IoT.

Estima-se que cerca de 30% dos engarrafamentos que existem nas grandes cidades são causados por pessoas procurando vagas para estacionar. Agora, imagine saber, antes de sair de casa, ou no trajeto, onde há vagas disponíveis na rua, além de poder reservar e pagar com cartão de crédito? Isso já é realidade em cidades como San Francisco, Los Angeles, Barcelona, Singapura, entre outras, que usam soluções de estacionamento inteligentes, que nada mais são do que sensores inteligentes e conectados que ficam fixados no solo, com tempo de bateria de até dez anos e indicam onde há ou não vagas. É o fim dos flanelinhas!

App, Cloud, Conectividade, Smartphone, sensores inteligentes. Esse é o ecossistema da Internet de Todas as Coisas.

A internet comercial essencialmente viveu três fases de evolução até agora. Na fase 1, o que importava era a conectividade. Queríamos navegar na web e ver e-mails. Na fase 2, surgiu o e-business que hoje movimenta bilhões de dólares na economia mundial. Novas formas de colaboração surgiram modificando a maneira como as empresas faziam negócios.

Entramos, há poucos anos, na fase 3 da internet, onde a experiência imersiva modificou a interação entre pessoas e entre empresas. É a era do Facebook, da mobilidade, da nuvem e da experiência intensiva de vídeo.

Agora estamos na fase 4 da Internet. A Internet de todas as coisas. Pessoas, processos, dados e coisas estarão conectados.

As pessoas estarão conectadas de uma forma mais relevante e valiosa. A experiência de vídeo será intensiva. Entregaremos a exata informação para a pessoa correta (ou máquina correta), aumentando assim a produtividade dos negócios. Os dados serão organizados e tratados de maneira que se tornem mais úteis à tomada de decisão. E, por fim, as coisas e objetos estarão conectados criando a comunicação máquina-máquina. Um maravilhoso mundo novo onde o que estava desconectado, passará a ser visualizado na Internet.

Não tenha dúvidas. A Internet de Todas as Coisas transformará a indústria de TIC e também a maneira como vivemos.

Até 2020, 50 bilhões de dispositivos estarão conectados à internet, gerando um mercado de US$ 19 trilhões de dólares, segundo a Cisco. Isso é quase oito vezes todo o PIB brasileiro. O banco MorganStanley prevê uma oportunidade gigante, similar a onda da Internet móvel que movimenta de igual forma um mercado bilionário.

E por que agora?

Porque tudo está migrando para IP. Olhe na sua casa. Sua TV, seu videogame, seu alarme, seu carro, tudo está conectado. Cada dia surgem dispositivos e aplicações novos e dispositivos com capacidade de processamento cada vez maiores.

E vivemos um momento em que a Inovação, a produtividade, a colaboração são essenciais para os negócios. A Internet de Todas as Coisas criará inovação, aumentará a produtividade e a colaboração dos funcionários e sistemas.

Obviamente, trará desafios para a sociedade. Portanto, como nos adaptarmos a essa nova realidade que mais cedo ou tarde atingirá a todos nós?

Para usufruir de todos os benefícios que a Internet de Todas as Coisas trará para a sociedade digital, alguns desafios precisam ser superados.

• Conectividade: não adianta falarmos de Internet das Coisas se não temos como nos conectar à internet. Como a agricultura tirará proveito da IoT se o LTE rural não for implementado?
• Segurança: já começamos a escutar sobre os primeiros casos de ataques gerados a partir da internet das coisas. Outro dia li no jornal O Globo que um hacker invadiu uma babá eletrônica e começou a gritar com o neném que dormia. Os pais assustados foram ver o que se passava e quando entraram no quarto, a câmera girou no sentido deles. Eles correram para desligar da tomada. Filme de terror, não?
• Geração de empregos: quando falamos que não haverá mais pessoas fazendo medição de energia nas nossas casas, o que será desses empregos? Haverá, portanto, necessidade cada vez maior de conhecimento e especialização.

Uma nova economia de US$ 19 trilhões gerará oportunidades sem precedentes. Empresas serão beneficiadas com ganho de produtividade e competitividade. Novos produtos, serviços, modelos de negócios, padrões de consumo surgirão e nem conseguimos prever agora o quão impactante a inovação da Internet de Todas as Coisas será para nossas empresas.

O que podemos afirmar é que a Internet de Todas as Coisas transformará a maneira como vivemos, nos relacionamos em sociedade e produzimos riquezas.

Precisamos nos preparar!

*Lucas Pinz é gerente sênior de tecnologia da PromonLogicalis

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Redação
Tags: internet das coisasIoTPromonLogicalis
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