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Esta semana o CEO da Amazom.com, Jeff Bezos, contou em entrevista ao programa 60 Minutos, da emissora norte-americana CBS, que a varejista online está testando o uso de drones para entregar pequenos pacotes. O objetivo da empresa é entregar mercadorias aos clientes com esses “veículos” dentro de 30 minutos após o pedido.
Os testes estão sendo realizados com drones conhecidos como “octocopters”, equipados com um olho capaz de transportar cargas até cinco quilos. O serviço está sendo chamado provisoriamente de Amazon Prime Air.
Segundo o executivo, o desafio mais difícil para fazer isso acontecer será conseguir realizar uma demonstração de que a operação é segura para os padrões da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, em inglês). Bezos revelou que o serviço pode começar a funcionar daqui a quatro ou cinco anos, porém enfatizou que ainda há muito trabalho pela frente até que isso aconteça.
O que ainda não é muito claro é se os consumidores estarão prontos. Os drones já são utilizados para fins militares nos Estados Unidos, mas não são comuns em outras regiões, como o próprio Brasil. Além disso, são alvos de polêmicas e questões sobre privacidade, segurança, ruído e regulação.
Nos Estados Unidos, os drones para uso civil são geralmente regulados por regras da FAA para voar em aeromodelos (AC 91-57). De acordo com as regras atuais, a FAA estabelece que esses veículos devem permanecer dentro da linha de visão do operador. E 2012, a reformulação das regras previstas pelo órgão estipula a integração dos drones em normas nacionais do espaço aéreo do país até setembro de 2015.
Drones que se deslocam para além do campo de visão precisam de sensores e câmeras para navegar de forma autônoma ou por controle remoto. Assegurar às pessoas que um drone não está coletando imagens de vigilância vai exigir um esforço considerável, especialmente nos países em que Google utiliza carros do Street View para coleta de dados, como o Brasil. Evitar esses temores públicos não será fácil, até porque os drones já estão reunindo imagens aéreas e levantando preocupações com a privacidade.
Um relatório publicado em 2005 nos EUA, intitulado como “Considerações de segurança para a Operação de Veículos Aéreos Não Tripulados no Sistema Nacional do Espaço Aéreo”, está cautelosamente otimista sobre o potencial de pequenos UAVs (sigla para Unmanned Aerial Vehicles, que no português pode ser traduzido para “veículos aéreos não tripulados”) para operar com segurança, mesmo em áreas densamente povoadas. “Para mini-UAVs, a operação em mais de 95% do país poderia ser alcançada, com uma baixo requerimento de confiabilidade”, afirma o relatório. “Para operar em áreas densamente povoadas, medidas de mitigação adicionais para diminuir o impacto em caso de acidente devem de ser empregadas.”
E acidentes realmente podem ocorrer. Um drone movido a controle remoto caiu em Virginia Motorsports Park, em Richmond (EUA), em agosto, durante a Grande Bull Run, uma recriação da corrida de touros da Espanha. Quatro ou cinco pessoas tiveram ferimentos leves, de acordo com o jornal The Washington Post, que publicou vídeo do drone caindo no meio da multidão. Bezos coincidentemente adquiriu o jornal no mesmo mês. Em outubro, um homem quase foi atingido por um drone que próximo a ele, em Manhattan. O operador, supostamente um músico de 34 anos, foi preso.
A FAA está revendo as regras para a condução de veículos aéreos não tripulados. Independente das medidas de segurança acabarem sendo exigidas pela agência, gastos com drones provavelmente devem subir como consequência. E se a indústria de drones entrega o esses veículos já decola nos Estados Unidos, não é impossível pensar sobre a hipótese de terrorista usando um drone para entregar explosivos.
No entanto, os drones já são um sucesso entre investidores. Em outubro, a Bloomberg informou que foram mais de 40.900 mil dólares de investimento de capital de risco em startups relacionadas com aviões não tripulados durante os primeiros nove meses de 2013 –mais que o dobro do valor investido em 2012. Como Bezos, os investidores parecem otimistas. Ou seu potencial financeiro poderiam garantir, ao menos, sobreviver a um “crash” na indústria dos drones.
Redação
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Pamela Sousa
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