Trump manda governo suspender uso da Anthropic em meio a embate sobre uso militar de IA

Presidente dos EUA determina retirada da empresa de contratos federais após impasse com o Pentágono sobre vigilância e armas autônomas

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cabelos claros veste um blazer azul escuro sobre uma camisa branca. O fundo está desfocado, revelando vegetação e luzes em bokeh. O rosto da pessoa foi propositalmente desfocado, tornando-a não identificável.
Imagem: Shutterstock

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que todas as agências federais interrompam imediatamente o uso de tecnologias desenvolvidas pela Anthropic, empresa de inteligência artificial (IA) criadora do modelo Claude. A decisão ocorre após um embate público entre a empresa e o Departamento de Defesa norte-americano sobre os limites de aplicação de ferramentas de IA em projetos militares.

Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o governo não pretende manter relações comerciais com a companhia. A ordem prevê a retirada gradual das soluções da Anthropic dos contratos federais ao longo dos próximos seis meses.

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Segundo a BBC, o conflito ganhou força depois que a Anthropic recusou exigências do Departamento de Defesa para permitir acesso irrestrito a seus sistemas de IA. Segundo o secretário de Defesa, Pete Hegseth, a empresa deveria concordar com “qualquer uso legal” de suas tecnologias. Diante da negativa, Hegseth anunciou que classificaria a Anthropic como um “risco à cadeia de suprimentos”, medida que impediria fornecedores do setor militar de manter atividades comerciais com a companhia.

Leia mais: Trump bane Anthropic e ignora limites éticos de usos militares da IA

A designação, caso formalizada, seria inédita para uma empresa americana de tecnologia. A Anthropic afirmou que contestará judicialmente qualquer enquadramento nesse sentido, argumentando que a medida não teria base jurídica sólida e poderia estabelecer um precedente perigoso para empresas que negociam contratos com o governo federal.

Nos bastidores, executivos da companhia demonstraram preocupação com a possibilidade de suas ferramentas serem utilizadas em programas de vigilância em massa ou em sistemas de armamentos totalmente autônomos. A empresa declarou que não alterará suas diretrizes internas relacionadas a esses temas, mesmo diante de pressões governamentais.

Contratos e impacto financeiro

A Anthropic mantém contratos com o Departamento de Defesa desde 2024, sendo uma das primeiras desenvolvedoras de IA avançada a operar em ambientes governamentais com dados classificados. O acordo atual com o Pentágono está avaliado em cerca de US$ 200 milhões.

Apesar do valor, analistas apontam que o impacto financeiro pode ser limitado para a empresa. Em rodada recente, a startup foi avaliada em aproximadamente US$ 380 bilhões, considerando receita atual e projeções futuras. Uma fonte com experiência no Departamento de Defesa afirmou à BBC que a base legal para invocar medidas como a Lei de Produção de Defesa ou a classificação como risco de suprimento seria frágil.

Segundo Trump, empresas que prestam serviços ao Departamento de Defesa poderão ser obrigadas a deixar de utilizar ferramentas da Anthropic em projetos vinculados ao governo. A companhia informou que ainda não recebeu comunicação formal da Casa Branca ou das Forças Armadas detalhando os próximos passos.

Repercussão no setor de IA

O episódio mobilizou executivos de outras empresas do setor. O CEO da OpenAI, Sam Altman, enviou mensagem interna a funcionários indicando que sua empresa também mantém limites claros quanto a aplicações consideradas inadequadas, como vigilância doméstica ou armas ofensivas autônomas. Posteriormente, ele confirmou que a OpenAI firmou acordo com o Departamento de Defesa para uso de seus modelos em redes classificadas na nuvem.

Há uma crescente tensão entre empresas de inteligência artificial e governos em torno do uso militar da tecnologia. Fundada por ex-executivos da OpenAI, incluindo Dario Amodei, a Anthropic compete diretamente com rivais no desenvolvimento de chatbots, agentes inteligentes e soluções corporativas baseadas em modelos avançados.

A questão da governança de IA, responsabilidade corporativa e limites éticos em contratos públicos também está em pauta. A possibilidade de o governo utilizar instrumentos legais para forçar acesso às tecnologias levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre segurança nacional e autonomia empresarial.

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