Tocando em frente

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Tocando em frente

Cogitar a separação da divisão de computadores pessoais (PSG) representou um golpe aparentemente forte demais nas estruturas da HP. Na manhã de 22 de setembro, a fabricante cogitou demover o autor daquelas declarações públicas do posto de CEO. Naquela mesma tarde confirmou o movimento e dispensou Léo Apotheker de seu quadro. No lugar do executivo, que viera da SAP em substituição a Mark Hurd, elegeu Meg Whitman ? que estampava em seu currículo a presidência do eBay.

A companhia lutava para manter o controle da situação. Claudio Raupp, vice-presidente de PSG no Brasil, frisou que o movimento não se tratava de desmembrar uma unidade por desempenho ruim, mas de separar operações com perfis distintos, que pedem esforços e ecossistemas diferentes de uma organização que movia seu negócio em direção a serviços e softwares. Lá fora, a fabricante movia-se. Todd Bradley, VP global da unidade, enfatizava que o spin-off criaria a maior e mais rentável fabricante de PCs do mundo, avaliada em 40 bilhões de dólares.

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Enquanto isso, em um evento da Salesforce, Michael Dell ? que se manifestou algumas vezes sobre a condição da concorrente ? disse: ?às vezes, a bola quica para o nosso lado. Estava refletindo sobre isso e sobre como as coisas verdadeiramente grandes que já aconteceram conosco nunca estiveram sob nosso controle, e essa certamente é uma das melhores dessas coisas?. Acontece que ele não esperava perder uma fatia do mercado de computadores. A chinesa Lenovo já planejava ultrapassar a Dell e se tornar a segunda maior fabricante de PCs do mundo ainda em 2011.

Agora, quem seguiu o mesmo rumo de Apotheker foi Carol Bartz, demitida da presidência do Yahoo!. ?Estou muito triste por dizer a vocês que eu acabei de ser demitida por telefone?, disse ela, em breve e-mail. O diretor-financeiro da companhia, Timothy Morse, assumiu interinamente o cargo. Balançando e lutando por ?uma completa estratégia de mudança?, a empresa atraiu o interesse de potenciais compradores.

O chairman e CEO de outra empresa de buscas afirmou que a tecnologia é como uma encruzilhada e que as próximas mudanças serão em torno de mobilidade, geolocalização e mídias sociais. Eric Schmidt, do Google, disse que se desdobrará para criar um ecossistema que seja verdadeiramente ?real time?. Aliás, a empresa na qual o executivo atua figurou entre as mais valiosas do mundo, ao lado de Apple e Microsoft, de acordo com a consultoria Brand Finance.

Panorama

Em setembro, o Gartner reduziu sua projeção de crescimento para o mercado mundial de computadores pessoais de 9,3% para 3,8% este ano, mencionado impactos da desaceleração das economias na Europa e Estados Unidos, e a forte demanda por aparelhos como o iPad. Enquanto isso, o Ministério da Educação (MEC) divulgava a iniciativa de distribuir tablets a escolas públicas a partir do próximo ano. Quase na mesma toada, a Positivo Informática lançava dois produtos no conceito batizado de Ypy (do Tupi, ?primeiro?).

Um estudo avaliando 66 países do Economist Intelligence Unit mostrou o Brasil avançando uma posição e chegando ao 39º lugar ranking geral de competitividade dos setores de TI. O desempenho pautou-se pelo bom ambiente de negócios, número de estudantes e empregos, e melhoras no ambiente jurídico. O País, contudo, perdeu pontos por tributação excessiva e baixa penetração de PCs e banda larga.

Em evidência, o Brasil atraía a atenção. O LinkedIn decidiu fincar raízes em território nacional, onde registra mais de quatro milhões de usuários. Para concretizar o plano, faltava apenas encontrar um presidente para abrir e tocar o escritório. No campo fabril, a Alcatel One Touch ? empresa do grupo TCL Corporation ? estudava produzir celulares por aqui. Já a Microsoft, comunicava a manufatura de sua plataforma de games Xbox 360 na planta da Flextronics, na Zona Franca de Manaus (AM).

Outro dado interessante tocou o bom momento local para as fusões e aquisições (F&A). De janeiro a junho, ocorreram 46 operações desse tipo no País, com a indústria de tecnologia ocupando posição de protagonista desse tipo de iniciativa. Um exemplo disso ocorreu quando a Anatel aprovou a compra da AES Atimus pela Tim Participações por 1,6 bilhão de reais. Falando em telecom, o mercado nacional seguia a todo vapor. A base de celulares chegou a 224 milhões de acessos em agosto. De acordo com a agência, a Vivo liderava, com 66,2 milhões de clientes (29,5% de participação), seguida pela Tim (26%), Claro (25,3%) e Oi (18%).

No campo da mobilidade, alguns fornecedores ajustaram estratégia para aproveitar tendências de proliferação massiva de celulares. O Grupo Binário engrossou seu portfólio com o lançamento de serviços de MDM (Mobile Device Managment), de olho em um contingente de 92% das organizações nacionais que ainda não utilizam o conceito para um parque móvel em expansão. Os aparelhos móveis, ainda, caminharam em direção à virtualização, com uma parceria firmada entre VMware e Samsung.

Para dizer que não se falou de nuvem, o modelo manteve-se em evidência. A Damovo lançou um pacote de colaboração como serviço (CaaS). A Bematech apostou na oferta de Software como Serviço (SaaS) para algum de seus produtos, e a MicroStrategy disponibilizou uma plataforma de business intelligence (BI) no conceito. A IBM, por sua vez, desenvolveu uma linha de pacotes de cloud computing, segurança e business analytics, e está se comprometendo com 1 bilhão de dólares em financiamento, pelos próximos 18 meses, para estimular as pequenas e médias empresas a adquirirem as soluções em todo o mundo. As novas ofertas e financiamentos serão viabilizados por canais.

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