Teltec cresce 33% em 2025, projeta R$ 449 milhões em 2026 e avança em plano de internacionalização

Integradora fecha ano com R$ 394 milhões em receita, aposta em IA e serviços gerenciados e prepara entrada na América Latina

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Diego Brites, CEO da Teltec. Imagem: Divulgação
Diego Brites, CEO da Teltec. Imagem: Divulgação

Comemorando 35 anos de atuação, a Teltec encerra 2025 com faturamento de R$ 394 milhões e crescimento de 33% em relação ao ano anterior. A companhia inicia 2026 mirando novos mercados e projeta alcançar R$ 449 milhões em receita, ao mesmo tempo em que estrutura sua expansão internacional, com a abertura de uma subsidiária nos Estados Unidos.

Os números foram apresentados durante coletiva realizada em São Paulo, onde a empresa também detalhou os próximos passos da estratégia. Hoje, o grupo é formado por duas frentes principais. A Teltec Solutions, voltada a cibersegurança e infraestrutura crítica, e a Teltec Data, focada em ambientes de nuvem.

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Juntas, as unidades avançaram em ritmos distintos, mas complementares. A Teltec Solutions registrou faturamento de R$ 213 milhões, alta de 44%, enquanto a Teltec Data alcançou R$ 181 milhões, com crescimento de 27%.

Boa parte desse avanço passa pelos serviços gerenciados. O SOC, Security Operations Center, foi o principal motor de crescimento interno, com expansão de 53% no período. Para Rafael Araújo Silva, diretor da Teltec Solutions, o movimento acompanha uma mudança mais ampla no mercado. “Há uma tendência de terceirização de operações críticas de segurança”, afirma.

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Estratégia baseada em histórico

Se o crescimento chama atenção, a explicação, segundo a empresa, está menos em movimentos recentes e mais em decisões acumuladas ao longo do tempo.

“Cliente corporativo não compra discurso, compra histórico”, diz o CEO, Diego Brites, ao resumir a lógica que orienta a operação. Entre os pilares citados estão o investimento contínuo em certificações, a retenção de talentos e a recusa em ofertar soluções desalinhadas às necessidades dos clientes.

Ao final de 2025, a Teltec soma 270 colaboradores e mais de 580 certificações técnicas ativas. A base ultrapassa mil clientes, com 99 novas contas adicionadas no ano. No ecossistema de parceiros estão empresas como Microsoft, Cisco, Palo Alto Networks, CrowdStrike, F5 e Darktrace.

IA pressiona segurança e acelera ataques

Esse posicionamento se torna ainda mais relevante diante de um cenário em rápida transformação. Durante a coletiva, a inteligência artificial aparece como um dos principais vetores de mudança, tanto para defesa quanto para ataque.

Segundo os executivos, o tempo de exploração de vulnerabilidades caiu drasticamente, passando de meses para minutos em alguns casos. Ao mesmo tempo, ataques de ransomware se tornaram mais silenciosos e prolongados. Invasores podem permanecer, em média, seis meses dentro dos ambientes antes de acionar o bloqueio, comprometendo inclusive sistemas de backup.

Nesse contexto, o modelo de dupla extorsão, que combina sequestro de dados com ameaça de vazamento, deixa de ser exceção e passa a ditar a dinâmica das negociações.

De olho nesse cenário, a Teltec prevê investir R$ 20 milhões em cinco frentes até 2029. Entre elas estão o desenvolvimento de uma plataforma própria de IA para automação de tarefas de TI, a evolução do SOC com uso de agentes inteligentes e iniciativas voltadas à formação de profissionais.

Expansão internacional ganha forma

Ao mesmo tempo em que reforça a operação local, a empresa começa a estruturar sua presença fora do país.

A abertura de uma subsidiária nos Estados Unidos, com base inicial em Miami, é o primeiro passo. A ideia é, em um primeiro momento, atender clientes brasileiros com operações no exterior e, na sequência, ampliar a atuação na América Latina.

Na prática, esse movimento já começou. A companhia concluiu recentemente um projeto no Uruguai para um cliente com presença internacional, o que indica como a expansão deve acontecer de forma gradual.

A leitura da empresa é que há espaço, especialmente entre organizações de médio porte e negócios digitais, que ainda não são plenamente atendidos por integradores com alta especialização técnica.

Com isso, a Teltec estabelece uma meta de longo prazo. Ultrapassar R$ 700 milhões em receita até 2029.

Data centers expõem desafio local

O avanço da inteligência artificial também aparece na infraestrutura. A demanda por data centers cresce, impulsionada pelo uso intensivo de processamento e GPUs.

Durante a coletiva, Brites citou estimativas de investimentos globais que, somados, podem chegar a US$ 600 bilhões em 2026.

Ainda assim, o Brasil enfrenta dificuldades para capturar parte desse movimento. O executivo menciona a paralisação do Redata no Senado e o avanço de países como Argentina e Uruguai na atração desses projetos.

Na avaliação da empresa, o País deixa de explorar uma vantagem relevante. A matriz energética predominantemente limpa, que ganha peso em um contexto de maior pressão sobre consumo de energia e água.

Diante desse cenário, a Teltec não aposta em substituição entre modelos. Para Brites, a discussão já mudou de eixo.

“O mundo é ‘e’, não ‘ou’”, afirma, ao defender a convivência entre ambientes on-premises e cloud, tendência que se intensifica com a demanda gerada pela IA.

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Sobre o Autor

Pamela Sousa é editora-assistente no IT Forum, graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Especializa-se na cobertura de tecnologia, inteligência artificial e inovação, desenvolvendo reportagens aprofundadas e artigos analíticos sobre o impacto dessas tecnologias nos negócios e na sociedade.

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