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Tecnologia também é ferramenta de inclusão, afirmam mulheres líderes no setor

A tecnologia é uma poderosa ferramenta de inclusão e uma das principais responsáveis pela transformação social de um país. É o que pensam quatro das mais reconhecidas líderes do setor de TI no Brasil na atualidade.

O número de mulheres na área de TI tem crescido de forma tímida no Brasil e no mundo, mas está longe do ideal. A última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, apontou que apenas 20% dos profissionais da área são mulheres. Apesar disso, o setor tem deficit de mais de 48 mil profissionais no país, segundo a Softex (Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro).

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Pesquisa realizada em março deste ano pela UPWIT (Unlocking the Power of Women For Innovation and Transformation), em parceria com a Catho e a Revelo, confirma o cenário desigual: 51% das mulheres no setor de TI dizem ter sofrido discriminação no ambiente de trabalho (ante 22% dos homens). Quando perguntadas se almejam um cargo de diretoria, 59% delas dizem que sim (contra 69% dos homens). Só 11% das mulheres afirmam que a diversidade de gênero é prioridade no local onde atuam. E elas são três vezes menos promovidas do que eles.

Para Simone Lettieri, COO da Base Digital, as novas plataformas tecnológicas possibilitam mais inclusão. “O número de mulheres interessadas em tecnologia está crescendo e isso faz parte da nova economia digital”, afirma. “Na economia tradicional, a estrutura é hierárquica e autoritária; na nova economia, iniciada com as startups, não há ‘caixinhas’, o formato é colaboração. As mulheres têm mais esse perfil de trabalho em grupo, esse é um sistema muito mais inclusivo. As startups são prova disso, com um grande número de empreendedoras.”

Pesquisa recente da McKinsey & Company, referência no mercado de consultoria empresarial, concluiu que a diversidade (definida como uma maior proporção de mulheres e uma composição étnica e cultural mais variada na liderança de grandes empresas) tem ligação direta com a performance financeira superior nas empresas.

O estudo, feito com 500 companhias nos EUA, Europa e América Latina, apontou que as empresas que mais se destacavam em diversidade de gênero em suas equipes eram 21% mais propensas a ter lucratividade acima da média em comparação com as empresas com os menores índices de diversidade. Em relação à diversidade étnica e cultural, o percentual chegou a 33%.

“Não se trata somente de haver mais mulheres nas empresas ou no governo. Trata-se de tornar visível a contribuição verdadeira de cada ser humano e desenvolver esforços e processos para entender o potencial de cada um. O olhar inclusivo e diverso é uma característica do feminino: ele abraça, acolhe. Precisamos de mais mulheres liderando, sim, mas precisamos mais ainda trazer o feminino para o mundo do trabalho. Para os mais céticos, está provado que essa diversidade nas organizações melhora, inclusive, a lucratividade”, afirma Ariane Feijó, 38 anos, sócia-fundadora da Otimifica.

Para Amanda Serikawa Balzano, 23 anos, gerente de Treinamentos em Segurança da Informação da Etek NovaRed, a mudança de mentalidade que ocorre nas empresas e na sociedade é reflexo, também, do poder de democratização da tecnologia. “As definições de perfis sociais nos são dadas e acabamos acreditando nelas. A mulher ou o homem podem ser o que quiserem. É muito mais uma questão de oportunidade, de espaço e de formação”, diz.

Pioneiras

Alerta global feito pela ONU Mulheres no ano passado apontou que as mulheres estão fora dos principais postos de trabalho gerados pela revolução digital, com apenas 18% dos títulos de graduação em Ciências da Computação e com participação de somente 25% da força de trabalho da indústria digital.

“Se voltarmos ao século 19, vamos ver que a primeira programadora foi uma mulher, a matemática e escritora inglesa Ada Lovelace”, ensina July Rizzo, 36 anos, mestre em Computação, especialista em Pré-Vendas de Software e especialista de Solução da SAP. “Desde o século 19 até a década de 1950, antes que os computadores eletrônicos estivessem comercialmente disponíveis, a base da computação era a matemática e a estatística, e quem fazia este cursos eram, basicamente, mulheres. Nas empresas, elas faziam todos os cálculos complexos ‘na mão’ e por isso, eram chamadas de ‘computadores'”.

De lá para cá, muita coisa mudou, diz July. “O início de tudo é a discussão, e não só em relação às mulheres. As empresas têm grande responsabilidade nisso.”

As quatro especialistas são palestrantes do próximo IT Forum Expo, palco do setor de TI, que acontece durante os dias 17 e 18 de outubro, em São Paulo.

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Tatiana Olaya
Tags: liderançaMulheresTI
8 anos ago

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