Tablet Microsoft Surface RT: análise do meu primeiro mês

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Tablet Microsoft Surface RT: análise do meu primeiro mês

Quando meu tablet Surface chegou no dia 26 de outubro, meu editor sugeriu um diário para a minha primeira semana com o dispositivo. Agora, já passou-se um mês.  Meu chefe pode não estar muito feliz por eu ter aberto mão do conceito de “uma semana de uso” – mas a Microsoft deve ficar. Porque durante a primeira semana, queria jogar meu tablet pela janela. Agora, após um mês, eu meio que gosto dele.

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Por que tanta mudança na percepção? Duas razões: a máquina fica mais capaz a cada dia. E eu já estou tolerante sobre o que não consigo fazer nela.

Enquanto eu dormia, a empresa corrigiu falhas em meu aparelho. A Microsoft arruma os problemas paulatinamente, melhorando os aplicativos embutidos e adicionando à loja alguns outros que faziam muita falta – como o Evernote, o organizador e o Pulse, o leitor de notícias.

A loja de aplicativos ainda está vazia. E não refiro ao número de  apps. Não me interessa se têm cinco mil ou 500 mil. Só preciso de uma versão do jogo “Paciência”.

Há muitos aplicativos que ainda não estão presentes. O SkyDrive, da própria Microsoft, era o único serviço de armazenamento em nuvem disponível desde o primeiro dia, apesar de o DropBox ter sido adicionado pouco depois. Outros, como o Google Drive e o Carbonite, ainda estão indisponíveis. Também não há um aplicativo dedicado do YouTube. As imagens das mídias sociai,s como o Twitter, Facebook e LinkdeIn, não existem, apesar de estarem embutidas em um aplicativo incorporado chamado “People”, que mistura os feed de todas elas em um tipo de dossiê por perfil de amigos. É um conceito interessante, e funciona, de um ponto de vista de gerenciamento de contatos. Mas quando quer-se navegar para saber o que está acontecendo na rede do Facebook, o aplicativo próprio da rede social seria menos problemático.

A tela de 16:9 é ótima para vídeos. Entretanto, o suporte para formatos de arquivos de vídeo me frustrou. A melhor reprodução, ironicamente, foi com o arquivo de formato .mp4, que é o favorito da Apple; o que me deu mais problema foram os arquivos de formato .wmv (sim, o w no .wmv significa “Windows”). O player embutido não reconheceu um pilha de arquivos .wmv, sendo que consegui reproduzir todos em dispositivos Android e Windows. Tentei baixar um player de terceiros, mas o mesmo ocorreu.

Em si, o tablet é uma peça de hardware bonita e robusta. A minha veio com a touch cover (capa sensível ao toque), que tem um teclado de Windows PC e touchpad. Gosto de digitar e sou rápido. Achei que as teclas não são bem-definidas, o que faz com que meus dedos percam a posição no teclado. Mas conversei com outros usuários que não tiveram a mesma impressão. Então talvez o problema seja eu.

A capa se ajusta bem ao tablet. Ao desdobrar pela parte da frente, é possível usá-lo como se fosse um laptop. Torna-se rapidamente a forma mais natural de interagir com o aparelho de tela grande. Achei isso estranho. Paguei por um tablet e querem que eu o use como um PC. De vez em quando arranco a capa do aparelho só para me forçar a usá-lo como um tablet.

E foi justamente isso que, após um mês, evitou que eu cedesse completamente ao aparelho. Os aplicativos embutidos do Office são um grande ativo. Tive alguns problemas em transferir arquivos formatados pesados entre meu PC e o Surface. Mas as incompatibilidades parecem ser pela variedade de atualização do Office e não devido a alguma falha do Windows RT ou Surface.

Quando toca-se em um Tile (Bloco) para o aplicativo Office, você é levado até o desktop e a mudança de ambiente é estranha. É uma sensação diferente do que quando muda-se a IU em um Windows 8 PC, que na maior parte do tempo fica no desktop.

Quando o desktop aparece no Surface, é estranho. Os elementos são muito pequenos para uma experiência boa de toque. Clicar diretamente sem usar o touchpad da capa é difícil, quase impossível.

A presença do recurso também eleva as expectativas sobre o que o Windows RT está preparado para entregar. Ele se parece com um PC, então não deveria agir como um? Por isso que fiquei tão nervoso quando o sistema me deixou baixar um driver para minha impressora HP OfficeJet, somente para avisar na hora da instalação que o dispositivo era incompatível. Não tenho o mesmo conjunto de demandas com os dispositivos Android, porque eles se apresentam verdadeiramente como são.

Com um mês de uso, pude reavaliar essas expectativas. Há muito para se gostar nesse tablet, e ele ainda melhorará. Estou pronto para assumi-lo como meu dispositivo de companhia, mas somente se ele parar de tentar ser meu PC.

Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Adriele Marchesini

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