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Subutilização de TI trava programa de US$ 350 milhões para pesquisa de câncer

Após o Conselho Científico encontrar muitos problemas, o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos está reavaliando o programa de rede usado para pesquisas. Um relatório estima que o NCI (National Cancer Institute, na sigla em inglês) tenha gasto mais de US$ 300 milhões no projeto, chamado Cancer Biomedical Informatics Grid (CaBIG). A iniciativa desenvolveu-se a partir de um piloto, lançado em 2004, que tinha como intuito oferecer computação compartilhada para pesquisas biomédicas e para desenvolver ferramentas de software e formatos padrão para troca de informações.

Os centros de câncer do NCI, espalhados pelos Estados Unidos, têm acesso ao CaBIG por meio de 145 nódulos de rede. Os nove ?espaços? da rede suportam trabalhos em pesquisas biológicas e médicas, bancos de coletas e patologia e outras áreas. Um relatório, emitido em março, por um grupo de pesquisadores do conselho científico do NCI, declarou que menos de doze centros de câncer usam as ferramentas de gerenciamento de dados clínicos ou a infraestrutura de computação em nuvem do CaBIG. E, mesmo reconhecendo que o CaBIG tenha sido uma ?influência positiva? na criação de padrões para compartilhamento de dados, o grupo criticou o programa por fugir de seu objetivo original e se tornar um complexo ?software corporativo? com mais de 70 aplicativos.

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O grupo, composto por 10 pesquisadores, concluiu que a estrutura de gerenciamento do programa CaBIG se tornou burocrática e muito cara. O programa cresceu, rapidamente, sem um modelo de negócio eficiente ou atribuição de prioridades, de acordo com o grupo. Os fornecedores líderes são Booz Allen Hamilton, SAIC-Frederick e Sapient.

Projetos como esse têm história no governo norte-americano. O FBI, por exemplo, tem tentado, por quase uma década, criar um sistema de arquivos de caso baseado em web para que agentes possam pesquisar e analisar dados. No ano passado, o CIO Chad Fulgham tirou o atual projeto, Sentinel, dos fornecedores e passou a desenvolvê-lo em casa, após atrasos e excessos. O Escritório de Gestão e Orçamento (OMB) da Casa Branca está tentando solucionar esses problemas de TI com um programa de revisão chamado TechStat. O objetivo é ?redirecionar? projetos complexos antes que consumam todo o orçamento. Agentes federais começaram analisando upgrade de sistemas financeiros e outros projetos de risco, e agora estão expandindo para outros projetos.

O CaBIG ainda não foi submetido ao TechStat, mas é um forte candidato. O grupo de pesquisadores que revisou o projeto recomendou adiamento imediato de todos os softwares CaBIG em desenvolvimento, incluindo projetos sob contrato comercial; adiamento de um ano de todos os novos projetos e contratos; auditoria de todos as despesas do CaBIG até hoje; e a criação de um comitê de supervisão independente.

Caros e exagerados

O grupo identificou uma longa lista de problemas com o CaBIG. Alguns aplicativos custaram milhões de dólares, outros têm design exagerado, são difíceis de usar ou não têm suporte e documentação necessários. Apenas sete dos 51 centros de câncer fundados pelo NCI, participantes do CaBIG, usam a infraestrutura de computação em nuvem do programa, a caGrid.

Entre os obstáculos citados estão complexidade e pouca segurança. ?Se existisse um exemplo de como não rodar um programa, seria esse?, disse Michael Biddick, presidente e CTO da Fusion PPT, integrador de sistemas que trabalha com agências governamentais e escreve para a InformationWeek EUA. ?A falha ao ligar os objetivos da missão com a tecnologia demonstram a importância da aceitação do usuário?.

O relatório do NCI descreve a administração do programa CaBIG como tendo ?uma estrutura organizacional extremamente complexa? e diz que as informações de orçamento foram inconsistentes e difíceis de decifrar. O grupo determinou que o valor pago à Booz Allen Hanilton, SAIC-Frederick e Sapient, nos últimos sete anos, ultrapassou US$ 60 milhões e é ?provavelmente muito mais?. Estima-se que o total gasto com o CaBIG tenha sido, no mínimo, US$ 350 milhões, entre os anos fiscais de 2004 e 2010, incluindo cerca de US$ 100 milhões em fundos de estímulo governamentais. Além dos três principais fornecedores, cerca de outros 20 fornecedores estão envolvidos com o CaBIG.

O relatório afirma, também, que os fornecedores contratados não têm a experiência necessária em pesquisas em câncer, o que resulta, entre pesquisadores, na ideia de que os fornecedores se concentram em projetos como computação em nuvem, em vez de focar nas necessidades dos pesquisadores. O grupo de pesquisadores está preocupado que essa tendência se espalhe para outros projetos, como no desenvolvimento de um mapa pra o caGrid 2.0.

Desconexão crítica

Andrea Califano, chairman do grupo de pesquisadores, culpa os problemas do CaBIG em uma ?camada de gerenciamento? entre a comunidade usuária do caBIG e a equipe de liderança, resultando em falta de comunicação e na desconexão entre os objetivos do programa e ações. Além disso, 70% ou mais dos centros de câncer já estavam usando ferramentas de softwares comerciais, o que explica as baixas taxas de adoção. Califano estima, também, que pode custar cerca de US$ 30 milhões por centro, para integrar o software CaBIG com os ambientes de computação existentes. O NCI está avaliando qual será o próximo passo. ?O relatório tem recomendações significativas, e estamos levando todas em consideração?, disse um porta-voz do NCI. Já uma porta-voz da Booz Allen declarou apenas que ?estamos muito orgulhosos do trabalho que realizamos para o Instituto Nacional do Câncer e de nossas contribuições para o projeto CaBIG?. A Sapient não comentou o caso e a SAIC-Frederick não pôde nos responder a tempo.

O relatório concluiu que os objetivos iniciais do CaBIG ainda são relevantes e recomenda que se foquem neles. Além do progresso em compartilhamento de dados e interoperabilidade de aplicativos, o grupo acredita que o CaBIG pode oferecer suporte importante para o desenvolvimento de software para a comunidade de pesquisa acadêmica. Porém, o grupo determinou, também, que o CaBIG sofre com execução pobre e modelo de negócio insustentável e recomenda que qualquer futuro desenvolvimento para o programa seja cancelado.

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Redação
15 anos ago

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